Capítulo 97: O Homem Estranho
Elizabeth mudou a tática na hora, usando qualquer parada pra conseguir o que queria. "Filho, não era bem por aí. Só acho que a Martina tá muito metida por causa do seu amor por ela", ela falou.
Na real, a Elizabeth sempre pensou isso, mas tinha guardado pra si até agora. Só que ela sentiu que a coisa tava feia, e não aguentou mais segurar.
Ela achou que o Benjamin ia dar uma surtada, mas ele nem se abalou.
"Metida por causa do meu amor? Que bom", ele respondeu.
Pelo menos significava que a Martina ainda tinha um pouco de sentimento por ele no coração. Se não, como ela ia ser metida por causa do amor dele?
A Elizabeth só conseguiu revirar os olhos pro próprio filho. Ele tava caidinho pela Martina, e ninguém, nem ela, ia conseguir salvar ele.
Naquele momento, o que mais a Elizabeth ia dizer? Qualquer coisa ia ser em vão.
Quando a Martina saiu do banho, viu que o Benjamin já tinha entrado no quarto.
Pra falar a verdade, ela nem ficou chocada. Porque o Benjamin também tinha a chave, então mesmo que ela trancasse a porta, não ia adiantar nada. No máximo, ia mostrar que ela não queria ficar no mesmo quarto que ele. Mas a cara de desgosto dela parecia não ter efeito também.
A Martina tava de pijama, segurando uma toalha, secando o cabelo molhado.
O secador tava na mesinha do lado de onde o Benjamin tava sentado, e a Martina tava pensando se ia lá.
Naquela hora, o Benjamin tava lendo um livro e percebeu o olhar hesitante da Martina. Ele olhou pra ela. Vendo o cabelo molhado, ele teve uma ideia na hora. Antes que a Martina pudesse fazer alguma coisa, ele já pegou o secador da gaveta ali perto.
Sem falar nada, ele foi até a Martina e fez um sinal pra ela sentar na frente da penteadeira.
"Deixa eu te ajudar."
A sequência de coisas aconteceu naturalmente, como se eles já tivessem feito isso um monte de vezes, mas na real, era a primeira.
A Martina ficou meio sem jeito, e na hora quis recusar quando o Benjamin deu o secador pra ela. "Deixa que eu faço."
Mas o Benjamin insistiu, "Tô só te ajudando a secar o cabelo, não precisa ficar nervosa. Se tiver entediada, pode mexer no celular um pouco."
Pra surpresa dela, o Benjamin pegou o celular dele, mostrando a tela de um jogo, e entregou pra Martina, sem dar chance pra ela discutir.
A Martina ficou quieta, pensando no que o Benjamin tava aprontando. Ela não tava mais entendendo as táticas do Benjamin.
Nesse ponto, já era. Mesmo que a Martina quisesse recusar, não ia mudar nada. Só ia fazer ela parecer forçada e falsa.
Ela decidiu fingir que nada tava acontecendo. Era só secar o cabelo, afinal. Não era nada demais.
A Martina pegou o celular, mas não tava a fim do jogo. Em vez disso, tava pensando nos roxos na cara do Adam. Parecia que ele tinha levado uns tapas de verdade. Já que ela só deu um tapa de leve, tava na cara que o rolê não tinha nada a ver com ela. Antes disso, alguém já tava na cola do Adam, então, quem era?
Por mais que a Martina pensasse, não conseguia desvendar o mistério. Ela até começou a pensar se o Benjamin podia tá envolvido de alguma forma. Se não, por que ele ia conseguir ficar de boa, sem falar nada, mesmo depois do desaforo dela pra cima dele?
Ela não tava entendendo nada mesmo. Sentia que tinha alguma coisa na mente, mas travava porque os pensamentos dela não tavam claros o suficiente.
No fim das contas, o Adam era amigo do Benjamin. Pelo que a Martina tinha pensado, ela ia irritar o Benjamin de vez e ser mandada embora por causa disso.
Mas, infelizmente, quanto mais ela imaginava, mais fácil era se decepcionar. O Benjamin tava completamente imprevisível agora. Mesmo que ela tivesse os melhores pensamentos, tudo ia ser em vão.
O Benjamin tava focado em secar o cabelo da Martina. As pontas dos dedos dele, sem querer, encostavam na testa e no pescoço dela.
Talvez fosse sem querer, mas ainda assim, deu uma reação estranha no coração da Martina.
O corpo dela inteiro começou a esquentar, e era capaz que as bochechas dela tivessem ficado vermelhas. Ela não aguentava a ideia do Benjamin ver ela naquele estado, com medo que ele entendesse tudo errado e achasse que ela tava com segundas intenções.
Finalmente, quando o Benjamin conseguiu secar o cabelo da Martina, ela soltou um suspiro de alívio. Até uma coisa tão besta como secar o cabelo tava sendo uma tortura pra ela. Parecia que a Martina não tinha controle, porque não conseguia nem lidar com uma coisinha dessas.
Sorte que o Benjamin não deu bola pras reações da Martina e continuou arrumando o cabelo dela.
A Martina ficou feliz com essa gentileza.
Ela preferia que o Benjamin ignorasse ela como antes do que ver ele agindo assim. Porque quanto mais o Benjamin fazia isso, mais fraca ficava a força de vontade dela. O que ela ia fazer se, sem querer, não conseguisse resistir à vontade de voltar atrás?
Mesmo que a Martina tivesse exigido pra não fazer isso, algumas coisas podem não ser tão fáceis de controlar se elas continuarem.
...
A Martina olhou pra cara do Benjamin no espelho, e, por coincidência, o Benjamin também tava olhando pra ela.
Mais uma vez, uma sensação inexplicável de culpa tomou conta do coração da Martina, fazendo ela baixar a cabeça sem falar nada.
Vendo a reação dela, o humor do Benjamin melhorou muito, e até os lábios dele se curvaram um pouquinho.
"Martina", o Benjamin sussurrou, "Eu sei que o que eu fiz antes te machucou, mas eu te garanto que isso nunca mais vai acontecer. Você vai ver."
A Martina não conseguiu evitar de se perguntar se tava sonhando ou vivendo alguma ilusão ao ouvir as palavras inesperadas do Benjamin.
Sério, ela não tava acostumada com o Benjamin de agora. Parecia que ela tava encarando um completo estranho. Como podia ter tanta diferença?
A Martina só conseguiu fingir que não tava nem aí e piscou os olhos casualmente. "Na verdade, você não precisa fazer isso. Algumas coisas já passaram."
A mente da Martina tava focada em uma coisa só: encontrar um jeito de ir embora o mais rápido possível. Tudo o mais não importava.
O Benjamin pareceu sentir o que a Martina tava pensando, e um pouco de dor passou rápido pelos olhos dele.
A mão grande dele, sem pensar, segurou a Martina gentilmente no abraço, com medo de que as ações dele assustassem ela. O abraço passava ternura e determinação.
"Não importa o que aconteça, eu não vou deixar você ir." Era uma mistura de certeza e ameaça, e o pequeno brilho de emoção no coração da Martina sumiu na hora.