Capítulo 167: Quando Você Voltou?
Além daquela mulher, tava bem óbvio que mais ninguém ia tão longe contra ela.
Pensando nessa possibilidade, a vibe da Martina ficou meio pra baixo.
Ela olhou pro lado do Benjamin e ficou dividida por dentro, porque não sabia se devia contar tudo pra ele direto. E se falar não resolvesse nada e só deixasse o Benjamin bolado, deixando a situação ainda mais chata? O que ela ia fazer então?
As paranoias da Martina eram maiores que as da maioria das pessoas, mas dava pra entender. Ela e o Benjamin já tinham vivido mais coisas juntos do que os outros, e, apesar do Benjamin ter mudado ultimamente, quem garante que essa mudança não é passageira?
Quando o assunto eram interesses ou relacionamentos de verdade, ela podia ter certeza que o Benjamin ia continuar firme e forte do lado dela, sem hesitar?
Só que, antes da Martina falar qualquer coisa, o Benjamin já tinha percebido que ela tava com alguma coisa na cabeça. Foi porque ele tava prestando total atenção nela que conseguiu sacar o que tava rolando.
O Benjamin achou que a Martina tava assustada, então, sem falar nada, abraçou a cintura dela por instinto.
Vendo ela sempre charmosa, não importa o que vestisse, ele não conseguia evitar a possessividade, mesmo sabendo que não podia deixar esses sentimentos afetarem ela. Esses pensamentos e desejos não deviam ser motivo pra ele querer ter ela só pra ele.
"No que você tá pensando? Ainda tá pensando no que rolou mais cedo?" Apesar de perguntar, o Benjamin tava com uma certeza na voz.
A Martina gaguejou, ainda indecisa se devia contar ou não.
"Benjamin..." A Martina chamou o nome dele e depois balançou a cabeça. "Deixa pra lá, não foi nada. Afinal, já passou, e você chegou na hora certa hoje."
A Martina queria resolver as paradas do jeito dela. Se ela contasse tudo pro Benjamin, não importava a decisão que ele tomasse, não ia parecer justo pra ela. Não importava se ia dar certo ou errado, pelo menos dependia das habilidades dela, e ela não precisava se preocupar com a opinião dos outros ou correr o risco de levantar suspeitas.
O Benjamin percebeu a hesitação da Martina, sentindo que ela não tava afim de contar toda a verdade pra ele. Será que tinha rolado outra coisa quando eles tavam no bar?
Ele decidiu investigar com calma. Seja qual for o motivo, tinha que ter causa e efeito nessa história.
Se alguém tava tramando mesmo contra a Martina, o azar ia ser maior ainda do que já foi! O Benjamin não era do tipo que deixava as coisas pra lá fácil. Se alguém ousasse mexer com ele, ia ter que pagar um preço alto.
Além disso, essa galera escolheu a pessoa errada pra se meter, mexendo com a Martina. Eles tocaram num ponto fraco do Benjamin, e agora todo mundo que conhece ele sabe o quanto a Martina é importante pra ele. Quem o subestimasse, ia encarar as consequências, naturalmente.
Mesmo que a Martina não contasse, ele ia descobrir o que rolou. Se ele descobrisse a verdade, as consequências seriam ainda piores.
No tempo que se seguiu, a Martina ficou meio desligada, claramente preocupada com outras coisas.
O Benjamin sacou a situação, mas não ficou perguntando, sabendo que uma investigação profunda era fundamental. Apesar de sentir que a Martina não confiava totalmente nele, ele continuou paciente. Algumas coisas precisavam de uma mudança gradual.
A ideia de que aquelas pessoas subestimaram a gravidade da situação acendeu uma raiva fervendo no Benjamin. Ele sentiu uma vontade forte de matar essa galera. Ele nunca ia tolerar ninguém que maltratasse a Martina!
Eles decidiram levar a Elena pra casa.
O Alejandro, que era pra estar fora, apareceu na porta da frente, inesperadamente. A expressão da Elena mudou na hora que ela viu o irmão. Ela até teve vontade de voltar pro carro na hora. Se ela não soubesse que fazer isso ia fazê-la parecer mais culpada ainda, ela podia ter feito exatamente isso.
Ela fez o possível pra manter a calma enquanto cumprimentava o Alejandro sem jeito, "E aí, quando você voltou? Você não avisou."
Se a Elena soubesse que o Alejandro tinha voltado, com certeza não teria ido pro bar, e tudo o que aconteceu depois não teria rolado.
Depois do rolo, a Elena se sentiu particularmente culpada, achando que tudo aconteceu por causa dela.
Com o irmão de volta, o coração dela não parava de disparar, com medo de revelar alguma coisa sem querer e impedir ela de sair de novo no futuro.
O Alejandro não tinha certeza se tinha sacado alguma coisa, mas a expressão dele não tava como sempre. Os olhos dele deram uma olhada sutil pro carro preto, e ele perguntou, de boas, "Onde você foi? Por que voltou tão tarde?"
A Elena não conseguiu evitar de tremer toda, mas não queria revelar nada, então continuou fingindo que tava de boas. "Eu... Eu só fui comer um lanche de madrugada e encontrei a Martina. Não fiz mais nada. Você tem que acreditar em mim, eu juro que não fiz nada!"
As palavras da Elena agora pareciam uma tentativa fraca de encobrir, e o Alejandro não era bobo. Como ele ia acreditar nela?
Ele só não tava a fim de expor ela.
O Alejandro acenou com a mão e franziu a testa um pouquinho, perguntando, "Por que você tá com cheiro de álcool? Você bebeu?"
Mesmo que a consciência da Elena estivesse limpa agora, os efeitos do álcool ainda não tinham passado completamente. Não ia ser fácil pra ela lidar com a situação que tava por vir. Parecia que pra enganar todo mundo com sucesso, ia precisar da cooperação do Alejandro, senão ia ser impossível fazer dar certo.
Nessa hora, a Martina saiu do carro também, porque tava na dúvida se a Elena ia conseguir lidar com a situação sozinha.
A Martina cumprimentou o Alejandro com iniciativa, "Alejandro, quando você voltou? A Elena acabou de falar que você não tava, e ela tava com saudade."
O desgosto nos olhos do Alejandro foi sumindo aos poucos, talvez porque ele viu a Martina.