Capítulo 136: A Canário Dourada na Gaiola
Quando elas voltaram do hospital, Martina não conseguia esconder a preocupação na cara.
Mesmo que o Benjamin fosse o que se machucou, ele parecia totalmente de boa, tipo, como se nada tivesse rolado. Agora, a maior preocupação dele era a atitude da Martina em relação a ele, e mais nada importava.
Nessa parada meio doida do destino, parecia que a Martina finalmente tinha mostrado um pouco do que sentia por ele no passado, mesmo que fosse só um tiquinho.
Os dois voltaram pro quarto do hotel. A Martina tinha trazido uns remédios do hospital, tipo, bandagens pra cobrir os ferimentos e uns remédios orais, principalmente pra coisas anti-inflamatórias e antibacterianas.
A Martina já foi logo fervendo água quente pro Benjamin e ficou toda preocupada com ele.
"Por que você é tão impulsivo? Naquela hora, mesmo sem você, eu ia só arranhar o braço, mas você se machucou nas costas", ela bronqueou, com a preocupação na voz.
O doutor falou na hora que, se o Benjamin não tivesse tido sorte, ele podia ter furado o pulmão, e ia ser muito mais difícil de tratar. Se os pulmões infectarem, pode dar uma treta braba.
Só de pensar nisso, o coração da Martina quebrou, e ela não conseguia se acalmar por um tempão.
"Por favor, não faça essas coisas impulsivas de novo. Tipo, independente da situação, as pessoas precisam ser um pouco egoístas e pensar nelas mesmas. Você já fez as coisas direito antes, né?" ela continuou. "Eu não quero ver nada assim acontecer de novo. Promete pra mim que você não vai fazer mais isso."
"Nos próximos dias, talvez você devesse dar uma folga do trabalho e focar em sarar!" ela sugeriu.
Ouvindo as palavras da Martina, o sorriso do Benjamin ficou ainda maior. Ele não conseguiu esconder o jeito que se sentia, tipo, cuidado e preocupação, nas palavras dela.
"Martina, você tá se importando comigo?" o Benjamin perguntou, já sabendo a resposta, mas talvez querendo uma confirmação pra ele mesmo, pra ficar em paz, por isso ele fez a pergunta desse jeito. Porque ele não tinha certeza total das verdadeiras intenções da Martina. Pelo menos era o que ele tava sentindo no momento.
A Martina deu uma pausa, e naquele momento, sem querer, ela percebeu que tinha mostrado a preocupação dela, tipo, bem na cara. Mas ela teimou e não quis admitir.
Mesmo que eles já tivessem decidido se separar, eles foram forçados a ficar juntos por agora. Se continuassem assim, quando ia acabar?
"Eu não tô me importando com você. Só tô preocupada que, se alguma coisa acontecesse comigo, sua família não ia me perdoar", a Martina respondeu.
O Benjamin ficou sem palavras. Um pouco de desespero apareceu na cara dele, mostrando que as palavras da Martina tinham machucado ele.
Mas rapidinho, ele se recompôs e falou num tom suave, "Ações valem mais que palavras".
Embora a Martina tentasse não olhar nos olhos do Benjamin, ela achou difícil controlar o olhar, tipo, sempre acabava olhando pra ele sem querer. Ela se sentia mal, principalmente quando pensava nos machucados nas costas do Benjamin.
"Eu não", a Martina falou, evitando de propósito o contato visual com o Benjamin.
Mas as ações dela não paravam. Ela pegou a água que não tava tão quente e entregou pro Benjamin, falando num tom meio firme, "Toma logo seu remédio, não pensa em mais nada."
O Benjamin só conseguiu suspirar e abaixar o olhar de novo, percebendo que, não importa como ele perguntasse agora, não ia fazer diferença, então ele desistiu aos poucos.
Se era ilusão ou outra coisa, a Martina sempre conseguia sentir claramente que a aura do Benjamin tava meio apagada, como se ele estivesse de verdade chateado.
No passado, ele sempre foi meio misterioso com as emoções, e até a Martina tinha que pensar muito pra entender o que ele sentia. Agora, ele tava mostrando as emoções dele tão fácil, era de mais.
Talvez o estado atual do Benjamin fosse de partir o coração, e no final, a Martina não conseguiu falar as palavras difíceis.
"Benjamin, lembra o que eu tô falando pra você, não seja bobo de novo", a Martina escolheu as palavras com cuidado. "Se você agir assim, eu não vou conseguir retribuir seus favores."
No começo, o Benjamin só tava meio chateado, mas depois de ouvir as palavras da Martina, ele não conseguiu segurar mais.
Ele pensou que a Martina tava se importando com ele agora porque ela ainda sentia alguma coisa por ele, mesmo que fosse só um pouquinho. Mas agora, com aquelas palavras, ficou claro que ela queria se afastar dele de propósito.
"Você não quer ficar perto de mim assim? Eu não preciso que você retribua favores – nem no passado, nem no presente, nem no futuro", o Benjamin falou, com o olhar firme, encarando a Martina.
O Benjamin entendia totalmente os próprios pensamentos, todo dia, todo segundo.
A Martina não sabia o que falar, então só conseguiu expressar o que tava sentindo com silêncio.
Os dedos charmosos do Benjamin se entrelaçaram suavemente com um da Martina, criando uma conexão sutil entre eles. Naquele momento de carinho, ele pareceu ter descido do pedestal de deus que ele tinha, tipo, inalcançável, e agora tava abraçando a simplicidade de ser um mero mortal, pisando no chão da realidade.
Ele então falou suavemente, "Você falou que não ia me deixar".
A Martina não sabia exatamente quando o Benjamin tava falando, mas se fosse no passado, ela tinha falado mesmo, não só uma vez. Mas as pessoas mudam, é inevitável; é impossível segurar aqueles pensamentos do passado pra sempre, né?
O que a Martina não percebeu foi que, naquele estado confuso, ela já tinha falado pro Benjamin que não ia deixar ele. Infelizmente, na hora, a consciência dela tava meio bagunçada, então como ela ia lembrar dessas coisas?
A Martina ficou em silêncio, sentindo a respiração do Benjamin ficar mais pesada. No final, ela deu um tapinha na mão dele de volta.
"Martina --" o Benjamin hesitou pra falar.
"Tá ficando tarde, você devia descansar direito." Depois de falar essas palavras, a Martina foi pro banheiro, planejando se acalmar antes de sair de novo.
Ela jogou água fria no rosto, olhando pra ela no espelho, sentindo que tava ficando cada vez mais estranha pra ela mesma.
Ela se pegou com medo da proximidade do Benjamin, mesmo sabendo que ele parecia ter sentimentos de verdade por ela. Mas ela não conseguia voltar a como as coisas eram antes.
O que o Benjamin tinha feito por ela dessa vez era algo que ela não ia esquecer. Se não fosse por ele, ela ia estar em perigo, e ela nem queria imaginar o que ia acontecer se ele não tivesse chegado a tempo.
Devendo um favor pra alguém era difícil de pagar.
A Martina jogou água fria no rosto várias vezes pra acalmar o coração inquieto dela.
"Martina, você consegue", ela murmurou pra ela mesma. "Você e o Benjamin são de mundos diferentes. Talvez ele sinta alguma coisa por você agora, mas é só temporário, não leva a sério."