Capítulo 46: Até ele foi enganado!
Elena ainda não tava sacando as paradas da Martina. Ela mandou um direto: "Peraí, não tô entendendo nada. Qual é a fita? Por que você tá me confundindo mais ainda com essa explicação?"
Martina, na maior paciência, explicou a situação que rolou entre ela e o **Benjamin Walker** naquela hora.
Ao ouvir sobre a treta emocionante e eletrizante que a Martina tinha passado, a Elena ficou chocada e soltou: "Martina, não dá pra acreditar o quanto você mudou. Antigamente, você ia estar morrendo de medo numa situação dessas!"
"Mas nunca imaginei que você ia encarar numa boa, sem piscar. Você até passou a perna no **Benjamin Walker**!" A Elena foi se empolgando, e até o tom dela ficou animado.
"Se ele descobrir que tava quase te pegando e nem percebeu, vai ficar boladão demais!"
Era verdade. Pensando na personalidade do **Benjamin Walker**, quando ele descobrisse, ia ficar muito puto. Mas, sei lá, aconteceu.
A Elena tava de cara com a competência e a transformação da Martina.
A Martina deu um sorrisinho de leve, e, se você prestasse atenção, ia ver que era um sorriso meio forçado, não vinha do fundo do coração.
"Foi só sorte mesmo. Na real, eu também tava com medo pra caramba. Se ele me achasse, ia me levar de volta e ia ser mais difícil ainda eu vazar depois."
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Enquanto elas conversavam, a Elena percebeu um barulhinho de água onde a Martina tava.
A curiosidade pegou a Elena, e ela não conseguiu se segurar: "Por que parece que tô ouvindo água corrente aí? Tá tendo algum vazamento no quarto ou algo assim?"
Falando assim, a Elena preocupada falou: "Não importa onde você tá, tem que se cuidar, tá? Tem que se precaver pra não passar por essas paradas."
"E se acontecer alguma coisa com você? Você não tem ninguém pra te dar uma força. Não me assusta, não."
A Martina sentiu a preocupação da Elena, mas só respondeu: "Relaxa, não tem nada de mais. Tô num navio."
A Elena, de repente, ficou cheia de pontos de interrogação na cabeça, e até a voz dela ficou mais grossa: "Um navio? Por que você tá na cama? Vai sair velejando por aí? Ou vai pra fora?!"
Ela realmente não tava entendendo nada dos pensamentos e das intenções da sua melhor amiga, e, com a postura firme da Martina, era difícil não desconfiar.
A Martina balançou a cabeça, percebendo que a Elena não tava vendo ela, e precisou falar de novo: "Não vou pra fora não, mas preciso arrumar um lugar pra ficar. Não dá mais pra ficar nessas cidades."
"Apesar de eu não saber que métodos o **Benjamin Walker** usou, preciso me proteger o máximo possível."
Ela não podia deixar a mesma coisa acontecer de novo, de jeito nenhum.
Era o pensamento simples que a Martina tinha agora, e o resto parecia menos importante.
"Beleza, já tá tarde, não vou mais te encher. Te ligo quando eu tiver tudo resolvido", falou a Martina, percebendo que não podia ficar muito tempo no papo. "Se o **Benjamin Walker** aparecer atrás de você nesse tempo, finge que não viu, tá? Trata ele como se não existisse."
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Apesar das palavras dela, não dava pra saber se a Elena ia conseguir fazer isso.
Talvez porque a Martina não tava num navio faz tempo, ela tava se sentindo mal depois de passar um tempo lá.
Principalmente aquela sensação de enjoo constante, que tava deixando a Martina muito mal. Pra se sentir melhor, ela decidiu sair um pouco pra respirar ar fresco.
Sorte que o navio tava chegando no primeiro porto, naquela hora.
Esse ponto de parada parecia ser uma vila de pescadores chamada Vila Timbercrest.
Soava poético, mas parecia bem no meio do nada.
Normalmente, era difícil alguém ir pra lá pra morar sozinho ou por vontade própria, porque as condições ali pareciam bem básicas.
Mas a Martina, na hora, teve uma ideia. Ela não podia ficar muito tempo no navio, então era melhor descer por perto.
Talvez aquilo pudesse dar uma esperança pra ela e evitar que o **Benjamin Walker** a encontrasse rápido demais.
O **Benjamin Walker** já sabia que ela tinha ido embora e era capaz de saber que ela pegou um navio.
Mas ele não sabia o lugar exato que ela tava indo. O lugar mais perigoso podia ser o mais seguro. Valia a pena tentar.
Dentro da cabine, o **Adam** e os amigos dele tavam sentados na janela, parecendo impacientes, já que tinham começado a jogar apostado na cara dura.
Eles tavam apostando uma grana alta, e, se fossem pegos, iam ter que lidar com as consequências da lei. Tinham uma audácia grande.
No momento em que o **Adam** tava entrando no jogo, o olhar dele, sem querer, bateu numa figura lá fora da janela.
Era a mesma mulher que tinha ignorado as investidas dele mais cedo, e essa cena fez o **Adam** não conseguir resistir e dar mais algumas olhadas.
"Aquela mulher? Como ela ousa ignorar as minhas cantadas. Ela é muito burra!", falou o **Adam**, com um cigarro pendurado na boca, com cinzas voando pra todo lado. A expressão dele era arrogante e nojenta, claramente não parecia ser uma pessoa boa.
Mas ele pareceu não se importar e continuou a jogar com os outros, como se fosse a coisa mais importante pra ele.
No máximo, o **Adam** não conseguiu evitar de dar mais algumas olhadas na figura da Martina, talvez porque o corpo dela era muito atraente.
Mesmo que o rosto dela estivesse escondido, não parecia incomodar o **Adam**, ou, talvez, no fundo, o **Adam** realmente sentisse algo pela Martina.
Só por causa da identidade do **Benjamin Walker** e de algumas ideias pré-concebidas, o **Adam** tinha escondido seus verdadeiros sentimentos.
Mas na real, ele sentia algo pela Martina. Só que agora tava ficando mais evidente.
Um dos amigos do **Adam** percebeu que ele tava distraído. "Aí, **Adam**, precisa que a gente amarre aquela mulher na cama pra você?", ele perguntou, de brincadeira. "Sabe o que é? Às vezes, uma firmezazinha é o que as mulheres gostam. Mesmo que elas digam que não, no fundo, elas provavelmente estão adorando."
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O **Adam** fez um sinal com a mão, fingindo que não tava interessado, mas também era pra manter a tal reputação dele.
"Deixa pra lá, não tô a fim de brincar com uma mulher que faz cu doce. Ela é só uma mulher, e não é como se eu não pudesse arrumar outra. Não precisa ter uma paixão platônica por ela", ele falou.
O grupo caiu na risada com as palavras dele, falando: "É isso aí, essa mulher não merece nem um olhar do **Sr. Paloma**. Não esquenta com ela!"