Capítulo 61: Como um assassino pode se comparar a ele?
Não importa se a Martina queria ou não, as coisas já tinham acontecido assim. Ela não tinha como sair mais, porque enquanto o Benjamin estivesse naquele lugar, ela não conseguia sair fácil.
O Simon parecia não estar aguentando muito a atitude da Martina em relação ao chefe dele. Depois de contar a notícia, ele falou umas coisas pra Martina, tipo, "Miss Martinez, se coloque no lugar do chefe. Dessa vez, ele realmente passou um tempão te procurando, dormindo menos de duas horas por dia."
"Você devia saber, como uma pessoa normal aguenta isso? Mas o chefe aguentou."
"Porque o chefe quer te achar o mais rápido possível, isso tudo não explica nada?"
"Não só isso, mas quando o chefe te viu desmaiando, ele te levou pro hospital na maior velocidade e te segurou no colo sem te largar."
"Todos nós vimos isso. O chefe te trata tão bem, por que você ainda tem essa atitude com ele? Você não tem coração?"
O Simon não tava mais aguentando, vendo o chefe dele naquele estado, com o coração em pedaços.
Tipo, o chefe devia ser aquele que fica de pé, forte e poderoso, mas por que... ele acabou assim?
A Miss Martinez tava de boa antes, então por que ela tava com essa determinação agora? Pra ser sincero, gente de fora como eles não entendiam!
Os olhos do Benjamin piscaram, e ele deu uma olhada de reprovação pro Simon e falou, "Cala a boca."
Ele nunca gostou de ficar falando na frente dos outros o que ele tinha feito. Se ele fazia algo, fazia, não precisava fazer a outra pessoa saber de propósito!
No começo, tava tudo bem o Simon não falar essas coisas. A Martina até comeu um monte e sentiu aquela sensação de ter algo no estômago vazio.
Mas agora, ouvindo essas palavras, a Martina perdeu a fome na hora. Ela até sentiu um gosto amargo na boca.
Ela deixou a tigela de lado e focou no Simon.
Tipo aqueles mordomos de antes, que sempre se achavam superiores e julgavam ela.
Mas por que era assim? Era óbvio que ela também tinha os próprios pensamentos e ideias. Por que ela ia deixar os outros controlarem ela?
A Martina deu uma risadinha, com os lábios curvados. "Simon, por que você tá falando comigo assim? Em outras palavras, por que você acha que pode falar comigo desse jeito?"
O Simon ficou tipo chocado, talvez não esperasse que a Martina falasse algo assim.
"Pra ser direta, por que nenhum de vocês nunca prestou atenção nos verdadeiros motivos de tudo isso?" A Martina continuou de boa e falou. "Se não fosse o Benjamin me forçando a voltar, por que eu teria fugido?"
"Se não fosse ele me deixando sem ter pra onde ir, como eu teria acabado nesse estado miserável? Como eu teria me sentido mal no navio?"
"Menos ainda eu teria passado tanto tempo numa cela escura. Tudo isso é culpa dele!"
"Agora ele tá me segurando e me levando pro hospital, pra eu não morrer lá. Por que eu tenho que ser grata e chorar? Que tipo de raciocínio é esse?"
A Martina tava certa, porque ela tinha sido pressionada por muito tempo antes, e agora ela não queria aguentar as mesmas coisas que já tinha passado.
Mas parecia que essas pessoas tinham se acostumado com os esforços da Martina no passado, a ponto de quando ela não queria mais dar, eles todos vinham criticá-la como se ela tivesse feito algo de errado!
Se a Martina fosse falar a verdade, o único e maior erro dela seria se apaixonar pelo Benjamin sem pensar duas vezes.
Se não fosse o que aconteceu naquela época, não teria resultado em todas as coisas dolorosas nos anos seguintes, e ela não teria aguentado todos esses anos, engolindo o orgulho.
O Simon ficou completamente perdido. Ele nunca esperou que a Martina reagisse assim, e, pra piorar, ela apresentou seus argumentos de forma lógica.
"Miss Martinez, você não pode falar essas coisas," explicou o Simon. "O motivo de o chefe ter tentado te achar é porque ele tá preocupado com o seu bem-estar. Ele tá fazendo isso pelo seu bem!"
O sorriso no rosto da Martina sumiu por completo. "Uma frase de 'ele tá fazendo isso pelo seu bem' pode apagar todo o mal que foi feito?" ela perguntou.
"Se ele realmente se importa comigo, por que ele não me deixa ir, sendo que eu já disse que quero terminar tudo?"
"Se ele realmente se importa comigo, por que ele não tava lá por mim quando eu passei por tanta coisa ruim?"
"Se ele realmente se importa comigo, por que ele não conseguiu realizar o pedido mais simples que eu fiz, que era entrar em contato com ele?"
"Simon, para de tentar me manipular moralmente. Eu não sou tão idiota!"
"Além disso, um assassino nunca vai admitir ser um assassino. Essa não é uma verdade universalmente conhecida?"
A Martina encerrou a discussão, porque ela não queria mais ter esperança em si mesma. Toda vez que ela tinha esperança, só levava a uma decepção maior.
O Simon abriu a boca, mas não conseguiu falar nada em resposta àquilo que ela tinha falado. Mas a visão dele era diferente do que a Martina tinha acabado de dizer.
Ele só conseguia pensar, "O chefe tem tratado a Miss Martinez bem, se importando tanto com ela, por que ela nunca consegue valorizar isso? Comparando ele a um assassino, dá pra comparar? Um assassino é um assassino, mas o chefe não é. Tudo o que ele faz é por preocupação com a Miss Martinez!"
"Miss Martinez..." O Simon só chamou o nome da Martina, mas não conseguiu falar mais nada.
Nesse momento, o Benjamin também ouviu os pensamentos da Martina.
Então, esses eram os verdadeiros sentimentos da Martina?
Nos olhos dela, tudo o que o Benjamin tinha feito tinha se tornado tão detestável, até mesmo um fardo pra ela.
Um assassino? Talvez no coração dela, ele fosse ainda pior do que um assassino.
Mesmo com as especulações de antes, o Benjamin achou difícil aceitar a realidade que estava acontecendo na frente dos olhos dele. Ele foi forçado a reconhecer a verdade, mesmo que não quisesse fazer isso.
A Martina, que costumava ficar grudada nele e não queria se separar, tinha realmente sumido.
Mesmo nesse momento, ele não conseguia fazer nada pra Martina.
Então, no final, ele só conseguiu descontar a raiva no Simon.
O Benjamin colocou as mãos nos bolsos, fechou os punhos com força, e a aura dele mais uma vez desmoronou.
"Simon, você fala demais," ele disse sério. "Vá pra fora e receba a sua punição. Nem pense no bônus desses três meses."
O Simon fechou a boca em silêncio, percebendo que ele tinha falado demais. Se ele não tivesse pensado no chefe, ele não teria falado aquelas palavras.
Ele não sabia que as palavras dele não só não melhorariam o relacionamento deles, mas também o piorariam.
Foi como dar um tiro no pé. Não é à toa que o chefe ficou tão bravo a ponto de puni-lo com a dedução do bônus de três meses.