Capítulo 174: Chegando Tarde
“E aí, Miss Rodríguez, você tá meio atrasada hoje, né? Cê não é sempre a primeira a chegar?” Quem falou foi um cara com uma camisa florida e calças floridas, com uma vibe meio *uó*, mó parecido com o Adam. O nome dele era Daniel Cooper.
“Aham, tá me elogiando?” A Elena rebateu sem pensar duas vezes. “Eu não falei nada das vezes que você se atrasa. Hoje eu só cheguei um pouquinho depois, e você já tá fazendo um drama. Tá apaixonadinho por mim, é?”
O Daniel ficou sem palavras, de repente, com a resposta da Elena. Não importa como ele respondesse, parecia que não ia dar certo.
Era tipo, perde-perde, deixando ele com a cara vermelha e sem saber como mudar a situação.
No fim, ele só conseguiu dizer: “Tô brincando com você, ué. Por que tá tão brava? Aliás, quem é essa gata que tá do seu lado? Nunca vi ela antes. É alguma novata por aí?”
Pelo visto, a atenção do Daniel tava na Martina desde o começo, e as perguntas dele antes eram só pra chegar nessa.
Quem diria que a Elena ia ignorar as regras, travando a língua do Daniel.
Mesmo assim, o Daniel já tava com os pensamentos na mulher que ele tava interessado, mesmo que tivesse que ser meio *sem vergonha*. Contanto que ele conseguisse no final, tanto faz.
Tinha um monte de gente como ele, mas a maioria não tinha a audácia do Daniel.
A Elena, na hora, botou o braço na cintura da Martina com orgulho, fazendo elas parecerem super próximas. Tirando a inveja, ninguém falou nada, porque era normal amigas serem íntimas.
“Lógico que você sabe quem ela é. É minha melhor amiga. Hoje ela tá aqui comigo pra jantar. É melhor você não ter nenhuma ideia errada, senão não me culpa por não avisar!” A Elena falou toda confiante.
Não sei se a galera ouviu o aviso, mas a Elena puxou a Martina pra mesa vazia do lado delas.
Daqui a pouco, chegaram mais algumas pessoas.
Quando duas mulheres com cara de *socialites* chegaram e viram que só tinha mesa vaga na da Martina e da Elena, ficaram chocadas por um segundo.
A Martina achou essas duas mulheres familiares, provavelmente de uns vídeos de bar. Eram as que viviam com a Amy.
Essas duas não eram muito boas pra esconder o que sentiam. Elas ficaram paradas um tempão, tipo, pensando um monte, assim que chegaram.
A Amy, que tava vindo atrás delas, falou: “Que que cês tão fazendo paradas aí? Por que não pegam um lugar?”
Tinha lugares, sim, mas dependia se essa galera ia ter coragem de sentar. As duas mulheres ficaram quietas e de lado, deixando a Amy aparecer.
A Amy fez uma cara feia, se perguntando se essas duas mulheres tavam fora de si. Ela não falou nada e olhou pra frente. Só que, quando ela olhou, ficou bem assustada, principalmente depois de ver a expressão enigmática da Martina. Ela também ficou parada por um tempão.
Daí, a Elena cumprimentou a Amy e as outras de propósito: “E aí, por que vocês tão chegando tão tarde? Parece que tavam bem ocupadas. Cheguem, sentem aqui. Os outros lugares tão tudo cheio.”
Sentindo a saudação simpática da Elena, a expressão da Amy ficou mais estranha ainda, quase mostrando uma pontinha de medo. Ela devia tá preocupada se as ações dela antes fossem descobertas.
Depois de pensar bem, a Amy percebeu que se as ações dela tivessem sido mesmo descobertas, como a Martina e a Elena iam continuar agindo normal? Então, a Martina devia não ter descoberto ainda, e a Amy podia continuar agindo como se nada tivesse acontecido!
Com esse pensamento, a Amy chegou perto da mesa da Martina e da Elena, fingindo que tinha uma relação íntima com elas.
“Não esperava ver a Miss Martinez aqui também. A gente combinou de ir nesse encontro da nossa turma, né? Como é que a Miss Martinez tá aqui também?” A Amy fingiu ser inocente, e os outros pareceram acreditar, achando que era só o jeito da Amy.
O Daniel começou a fofocar: “Que que você tá querendo dizer, Miss Rodríguez? Você tá dizendo que essa mulher chamada Martina não faz parte da nossa turma?”
Como todos faziam parte da mesma turma da escola e pertenciam ao mesmo círculo social, eles eram naturalmente próximos uns dos outros, e por isso viviam tendo esses encontros. Mas era a primeira vez que a Martina tava ali, o que, naturalmente, chamou muita atenção.
A Amy fingiu surpresa e olhou pra galera. “Vocês não sabem? Na verdade, a Miss Martinez não é da nossa turma, mas pode ser no futuro.”
O Daniel ficou mais confuso ainda: “Que que você quer dizer com ‘no futuro’ e ‘pode ser’? Não acha que é contraditório?”
A Amy fez uma cara de mais envergonhada ainda, enquanto olhava pra Martina e depois pra todo mundo. “Deixa pra lá, deixa pra lá. É melhor não falar de algumas coisas. De qualquer jeito, é bom que a Miss Martinez tá aqui.”
“É só mais uma pessoa, e eu posso cobrir a parte dela”, continuou ela.
De fato, toda vez que eles jantavam juntos, geralmente dividiam a conta. Não era que eles não podiam pagar, mas sim porque todo mundo tava acostumado com essa regra não escrita. A conta era bem alta toda vez, pelo menos uns vários milhares. Se eles fizessem uma pessoa só cobrir as despesas de todo mundo toda vez, não ia ser legal, então eles acabaram estabelecendo essa norma.
A Elena, na hora, ficou insatisfeita, querendo agir logo, mas ainda não era a hora.
“Paloma, quem você pensa que é? Por acaso você tem alguma coisa a dizer? Minha melhor amiga não precisa do seu dinheiro; eu vou cobrir as despesas dela!” A Elena rebateu.
Isso fez a Amy piscar os olhos, com uma pontinha de mágoa, como se fosse explodir em lágrimas no segundo seguinte. “A Miss Rodríguez tá certa. Se ela realmente quer cobrir as despesas, então que cubra. Eu não vou brigar por isso.”
Um monte de gente achou que a Elena tinha exagerado. Entre eles, o Daniel parecia ser o mais preocupado com os sentimentos dos outros. “Que que tá acontecendo, Elena? Mesmo que você não goste da Miss Rodríguez, você não devia falar assim. Olha, você assustou ela!”
A Elena revirou os olhos, sem dar bola pra explicar. “Que foi? Por que você ainda tá parada aí? Anda, logo, pede a comida!”