Capítulo 10: Abraço
William Cavendish, aconteceu, não conseguia dormir de jeito nenhum.
Ele tava quase com peninha dele, real. Ser tão controlado pela esposa, com regras pra tudo na vida dele! Era muita mudança. Mas, ele tinha que admitir que gostava da franqueza da Alicia. Pelo menos ela falava o que pensava, sem rodeios.
Ele, por natureza, era um cara cheio de energia. Um homem que conseguia curtir a noite em Londres até altas horas, só pra acordar com o sol e ir feliz para um café da manhã. A vida dele era uma correria de alegria, um caleidoscópio de experiências incríveis. Mas agora, surpreendentemente, ele tava sentindo uma nostalgia estranha pela calmaria do interior.
Aqui, era só os dois. Sem outras distrações. Por padrão, e por um processo meio doido de eliminação, ele era a pessoa mais importante no mundo da Alicia. Uma parada nova, e bem legal, ele pensou.
William planejou direitinho as atividades do dia seguinte, preocupado se a Alicia ia acabar ficando entediada. Aí, os pensamentos dele, inevitavelmente, foram pras horas mais íntimas da noite, e uma cor rosada pintou o rosto dele. Ele tocou a bochecha, a pele quente sob as pontas dos dedos.
...
A Alicia, por sua vez, contava as decisões dela pra mãe com a maior sinceridade. Ela explicou que o primo dela, como ela esperava, era bem gente boa. "Ele é sempre muito maleável, exceto em certos... aspectos. De fato, como você disse, Mãe, ele pode ser meio exigente nessas áreas."
Ela fez uma pausa, pensando. "Estranhamente, no entanto, eu não acho tão ruim assim. Na verdade, dá até uma... graça. O único problema é que eu acabo fazendo uns barulhos meio esquisitos, que só parecem deixar o Cavendish mais animado. Ele é tipo um cachorrinho, nesse sentido."
"Ah, e Mãe, fala pro Pip que eu volto logo. Sim, a gente decidiu não fazer uma viagem longa. Sinto muita falta de vocês."
A Alicia era direta, sem enrolação. Ela trocava, sem perceber, o nome do primo dela pelo sobrenome.
O diário dela, claro, tinha um relato muito mais detalhado. Ela anotava, com cuidado, os motivos das reações fisiológicas dela, com direito a desenhos do corpo. Sorte do Cavendish que ele provavelmente nunca ia botar os olhos nessas anotações. Ele ia pirar.
A Alicia tinha muito talento pra desenhar, principalmente desenhos do corpo. Ela achava o corpo humano fascinante, tanto na parte estética quanto na científica. Ela era super curiosa com os detalhes da anatomia, mas nunca tinha visto um cadáver de verdade. Uma experiência dessas ia ser demais pra uma moça da classe dela.
Uma das vantagens inesperadas de ter o Cavendish à disposição era a chance de voltar a estudar anatomia. Ela podia ver as diferenças entre o corpo masculino e feminino: a pélvis mais estreita, a cintura mais baixa, os ombros mais largos. A pele dele era incrivelmente macia. Ah, e as costelas, os músculos do abdômen, a curva fascinante dos ossos do quadril!
Ele tava de boa com ela explorando, graças a Deus, e ela podia contar as vértebras da coluna dele, falando os nomes em latim e comparando com as dela. Era uma parceria que tava dando certo.
William Cavendish, pelo jeito, não fazia ideia de que o olhar da Alicia pra ele era quase como o de uma cientista examinando um espécime super interessante. A estrutura óssea dele era perfeita; ela quase conseguia imaginar o branco impecável dos ossos sob a pele.
Resumindo, a Alicia pensou, o casamento dela tava sendo bem bom. Ela tava tirando um prazer e tanto disso. Ela mudou a opinião dela sobre o Cavendish de "mal dá pra aguentar" pra "uma criatura animada, meio tola, mas inegavelmente linda."
E assim, ela tava começando a gostar dele, a aceitar as manias dele. Afinal, a Alicia sempre gostou de coisas bonitas e brilhantes. E os olhos dele, eles realmente brilhavam, como as pedras mais preciosas.
...
Como um relógio, ele chegou pontualmente às sete pra dar um beijo nela. A Alicia se sentia presa nos olhos dele, um azul puro e inocente emoldurado por cílios escuros e úmidos. Ele fazia a maior carinha, uma doçura gentil, enquanto fazia carinho naquele lugar, com os lábios dando um beijo demorado.
Ele tinha criado uma vontade insaciável de tocar, de explorar cada curva e cantinho macio. Era, pra falar a verdade, a proximidade com o coração dela que realmente prendia ele.
A expressão dela continuava a mesma, uma máscara de frieza, mas o coração dela, traindo a compostura, acelerava. E naqueles momentos, ele sabia, com uma certeza que aquecia ele, que ela tava sentindo a mesma coisa, tão excitada quanto ele.
William Cavendish, o safado, passou o braço pela cintura dela, aproveitando um abraço demorado antes de finalmente ir ajudar ela a se vestir.
"Não ouse," a Alicia protestou, batendo nele com a camisola antes mesmo que ele pudesse tentar alguma coisa. Ela não tinha problema nenhum com a nudez dela na frente dele.
William pegou a roupa, cheirando o perfume que ainda tava na roupa, um cheiro que ele tinha associado intimamente com ela. A Alicia, no entanto, não ligava pro cheiro. Ela não fazia ideia de como o cheiro ficava mais forte no calor dos encontros deles, virando quase uma coisa afrodisíaca. Os cheiros deles se misturavam e se uniam, só pra sumir no dia seguinte.
Ele dobrou a camisola direitinho, um gesto treinado, antes de se aproximar dela de novo, só pra perceber que a Alicia só tava usando uma tática esperta, oferecendo um enfeite pra ocupar a atenção dele. Ele conhecia as manhas dela, todas.
Com um brilho malicioso no olhar, ele avançou, abraçando ela por trás. Ela se mexeu, fazendo cosquinha, e soltou um gritinho, "William George!"
Começou uma luta de brincadeira, uma dança deliciosa dos avanços dele e da resistência de mentira dela. As risadas deles se juntaram enquanto eles caíam na cama, o braço dele envolvendo com força a cintura dela, puxando ela mais perto. As pernas dela roçavam nas calças de camurça dele, o couro, mesmo sendo de ótima qualidade, ainda tinha uma certa aspereza. Eles tinham, num momento de paixão, usado essa mesma posição antes.
Ela virou a cabeça, encontrando o olhar dele. Uma cor avermelhada surgiu no rosto dos dois.
"Eu não tava... eu só tava zoando," ele murmurou, com um pouco de vergonha na voz.
Ele foi banido pro outro lado da porta.
...
"Fica longe," a Alicia declarou, segurando um galho como se fosse uma régua improvisada durante a caminhada da tarde. Qualquer tentativa dele de chegar mais perto era recebida com uma cutucada gentil, mas firme.
O dia tava maravilhoso, o ar fresco e úmido da chuva da noite anterior, mas com um sol quente. A Alicia, sempre imprevisível, saiu do caminho normal, começando um novo trajeto para o passeio. Ela tava com as botas de caminhada, o vestido um pouco mais curto que o normal.
William, não resistindo, foi atrás dela, seguindo cada passo dela. Os pés dela eram tão delicados, ele admirava, comparando os dele com os dela.
...
"O que você acha que tá fazendo?" a voz da Alicia, mesmo suave, tinha um tom de descrença. Ela tinha acabado de sair de um banho de luxo, daqueles com banheira de verdade e não só uma bacia.
Sair vapor da pele dela, o cabelo molhado caindo pelas costas enquanto ela tava sentada na beira da cama alta. Os olhos dela arregalaram quando ela viu ele dando um beijo no pé dela. Ela soltou um barulhinho de surpresa, entre um suspiro e uma risada.
"Não ouse pensar em beijar minha boca mais tarde," a Alicia pronunciou, com um tom que misturava brincadeira e seriedade.
Ela tentou tirar o pé, mas a mão dele gentilmente, mas com firmeza, segurou o tornozelo dela. Ele segurou o pé dela com carinho, a bochecha encostada nele.
Ele olhou pra cima pra ela, os olhos cheios de uma esperança.
A noite, como sempre, ia ser uma delícia, com o William atendendo a todos os caprichos dela com uma vontade que chegava perto da adoração. A Alicia tava começando a desconfiar que o primo dela tinha umas... inclinações não muito normais.
Ela se recusou a beijar ele. Como resposta, ele começou a beliscar os dedos dela, um por um, sem tirar o olhar dela. Ele era inacreditável, um homem completamente fascinado pelos prazeres da carne.
A Alicia, por costume, desviou o olhar, sem aguentar a intensidade do olhar dele. Ele pegou o rosto dela com cuidado, virando a cabeça dela pra encontrar os olhos dele.
"Olha pra mim, Alicia, Alicia," ele murmurou, com a voz baixa, num sussurro sedutor.
E assim, ela fez, encontrando o olhar dele com uma ousadia nova. Eles se encararam, os dedos dele traçando os contornos da bochecha dela, um sorriso lento aparecendo no rosto dele. Ele observou o rubor nas bochechas dela, a respiração dela acelerando um pouco.
Finalmente, os dedos deles se juntaram. Ele chegou mais perto, sussurrando palavras de amor no ouvido dela, junto com confissões que fariam um marinheiro ficar vermelho.
"Eu tô pensando em você o tempo todo, Alicia. Ontem à noite, eu..." A voz dele, que normalmente era tão suave, tava grossa de desejo, com um toque de maldade.
"Você fez o quê?" Ela engasgou, sem acreditar que ele ia sugerir essas coisas.
Ele era mestre na arte da sedução, as palavras dele criando um feitiço em volta dela. A Alicia, com lágrimas nos olhos, tava mordendo o ombro dele, uma mistura de prazer e frustração.
Ele puxou ela pra perto, as mãos dele segurando as dela com firmeza e carinho.
A verdade era que, apesar dos muitos encontros apaixonados que eles tinham, a Alicia nunca tinha beijado o corpo dele nos momentos de amor. Ela não fazia ideia de como ele queria desesperadamente o toque dela, uma reciprocidade dos incontáveis beijos que ele tinha dado em cada pedacinho dela.
Ele levou a mão dela ao peito dele, encostando a palma dela no coração, deixando ela sentir a batida rápida sob os dedos dela.
...
Naquele último momento, rápido, ele segurou ela perto, murmurando contra a pele dela, "Eu te amo, Alicia."
Ele nunca tinha falado essas palavras antes, não desse jeito, não falando o nome dela.
Exceto, naquele momento, de paixão. Só aí, com a intimidade do ato, ele tinha coragem de ser tão direto. Ele gostava tanto dessa atividade, um pode imaginar, justamente porque era a única hora que ele tinha certeza do amor dela.
...
Depois de cada encontro desses, a Alicia sempre virava as costas pra ele. Ele, sempre o marido dedicado, ia abraçá-la por trás, uma coisa que ela não recusava. Ela só pedia pra ele não morder.
Quatro horas. Quatro horas eram dele. Era quase dez horas; a noite, na opinião otimista do William Cavendish, tava começando, cheia de promessas.
Ele se apoiou no cotovelo, não resistindo a dar um beijo no ombro dela.
"Você sempre parece que quer me fazer chorar," a Alicia reclamou, mas sem maldade.
Ela, pelo visto, tinha percebido um padrão. Lágrimas, por qualquer motivo, pareciam animar ele ainda mais.
Cavendish enterrou o rosto no ombro dela, o cabelo escuro em contraste com a pele clara dela. "Foi dor, então?" ele perguntou, com a voz abafada.
A Alicia achou a sensação do cabelo dele no pescoço dela estranha, mesmo depois de uma semana de casamento. Fazia cócegas. A respiração dele, no entanto, tava surpreendentemente quente, uma sensação que ela percebeu que não tinha notado antes. "Não, não foi dor," ela explicou. "As lágrimas só... vêm."
Ele tava segurando uma risada, ela conseguia ouvir. A Alicia virou a cabeça, olhando pra ele com um olhar de desprezo de brincadeira.
Depois de um tempinho, Cavendish se mexeu, rolando de costas e criando uma distância razoável entre eles. Um marido bem comportado e atencioso, de fato.
A Alicia sabia o motivo dessa mudança de comportamento repentina. Ela olhou pra ver ele arrumando discretamente os cobertores, o rosto iluminado pela luz fraca da lareira, estudando a timidez. Os cílios dele, grossos e escuros, piscaram antes dele encontrar o olhar dela. O corpo dela, claro e brilhante na luz fraca, parecia brilhar contra os lençóis amassados, o cabelo dourado em volta da cabeça dela.
"Você precisa me olhar assim?" ela perguntou, sem maldade.
Cavendish, sempre com medo do olhar frio da Alicia, percebeu que os olhos dela, azuis como a melhor safira, tinham uma habilidade estranha de despertar um certo... desejo nele. Ele esticou o braço, cobrindo os olhos dela com a mão. Aí, ele chegou mais perto, os lábios encontrando os dela num beijo suave e demorado. A língua dela, quando ele encontrou, era surpreendentemente macia.
A Alicia retribuiu o beijo, um reconhecimento curto e educado, antes de tirar a mão dele com delicadeza.
A face do William Cavendish agora tava completamente corada, uma onda de vermelho subindo pelo pescoço dele. Ele sentou, encostado na cabeceira, a imagem de um homem em guerra com a própria natureza.
Um silêncio estranho desceu, cheio de desejos não ditos.
"Por que você sempre faz isso?" a Alicia finalmente perguntou, quebrando o silêncio.
"Não tenho controle, Alicia," ele confessou, com a voz carregada de vergonha e resignação.
"Parecido com as minhas lágrimas, imagino?"
Ele lutou contra os instintos mais básicos dele. "Com certeza," ele admitiu.
Ela sentou, estudando ele por um bom tempo. "Você costuma... usar a mão, então?" ela perguntou, curiosa com as atividades recentes deles.
A cor do Cavendish se intensificou, se fosse possível. O olhar dele, no entanto, continuou fixo nela. "Sim," ele respondeu, a contragosto. Ele sabia que, se não respondesse, ela ia insistir até ele responder.
"Eu gostaria de ver," ela declarou, com a maior naturalidade, como se tivesse pedindo uma xícara de chá.
"De jeito nenhum!" William Cavendish, pego totalmente de surpresa, foi firme. Alguma coisa de dignidade, afinal, tinha que ser mantida. Ele ia guardar aquele segredo a sete chaves.
Sorte da Alicia que ela não insistiu no assunto. "Tudo bem," ela concordou. "Mas seja rápido."" Ela foi pra trás da divisória no canto do quarto pra fazer as próprias coisas, deixando ele na maior vergonha.
Cavendish ficou olhando pra camisola jogada no pé da cama. A Alicia, pelo visto, tinha uma coleção impressionante de roupas assim, cada uma diferente da outra. Essa era de musselina fina, com uma trama alta que deixava ela quase etérea, fácil de amassar com qualquer movimento. Não podia ser inconveniente, não na sociedade.
Com um suspiro, William Cavendish levantou e foi pro lavatório. Um jato de água fria geralmente era o método dele. Depois, ele ia se esfregar todo, como era costume, antes de poder abraçar ela de novo.
A Alicia tinha ido pro quarto dela, ligado a esse por uma porta. William Cavendish foi atrás, achando um conforto estranho nos cantinhos aconchegantes do quarto dela, uma réplica menor do quarto principal. O quarto tava cheio de todo tipo de bugiganga feminina, cada uma fonte de fascinação sem fim pra ele. Ele pegou uma boneca de porcelana, virando ela nas mãos.
A Alicia, uma pessoa cheia de costumes, dormiu quase no instante em que a cabeça dela tocou o travesseiro. Ela se aconchegou nele, o calor familiar dela era bem-vindo do lado dele.
Ele adorava esses momentos, quando podia abraçá-la, os corpos deles lado a lado. Era por isso que ele tinha negociado tanto por essas visitas noturnas. A perna dela, dormindo, ia parar em cima da dele. Ele enterrou o rosto no cabelo dourado dela, respirando o cheiro dela.
A realidade do casamento deles, finalmente, completamente, tomou conta dele. Essa criatura linda, dormindo em paz nos braços dele, era a esposa dele. Eles tavam casados há uma semana. Ele tirou um fio de cabelo da testa dela, um beijo de boa noite silencioso na testa dela. Ele tinha décadas de noites assim pela frente, uma vida inteira pra amar ela.
Apenas o pensamento era o suficiente pra encher William Cavendish de uma felicidade profunda. Ele queria fazer amor com ela de novo, mas mais que isso, ele só queria abraçar ela. Naqueles momentos, ela era totalmente dele, os corpos deles ligados, duas almas conectadas numa união de intimidade e afeto, dois corações batendo juntos.