Capítulo 38: Um Acordo Muito Impróprio
O jeito que ele tinha lidado com aqueles outros caras, tão rápido e decisivo, era bem assustador, sério. Até o Francis tinha levantado uma sobrancelha desaprovando, achando tudo meio "exagerado."
**William Cavendish**, claro, continuou de boa. "E daí?" ele tinha dito, com aquele ar dele que dava nos nervos.
Quando a **Alicia** tocou no assunto, com aquela tranquilidade dela, ele admitiu numa boa. Ela não tinha ficado brava, não exatamente. Só... curiosa, o olhar dela fixo nele um tempinho a mais do que o normal, como se ele fosse um espécime exótico que ela tinha acabado de descobrir no microscópio.
Ela era assim, claro. Indiferente pra maioria das coisas, incluindo, muitas vezes, os sentimentos dele.
Ele chegou em casa muito bêbado naquela noite, e eles se encontraram no corredor. A **Alicia** só fez um sinal com a cabeça, a própria imagem de uma esposa obediente, e ia passar por ele.
O **Cavendish** tinha vontade de pegar no braço dela, pra exigir a atenção dela, mas alguma coisa – talvez os efeitos da bebida – segurou a mão dele. Ele ficou olhando a figura dela indo embora, cada farfalhar daquele vestido de veludo chique era uma tortura nova.
O primo dele. O primo da esposa dele, pra ser preciso. Um enigma que ele nunca conseguia resolver, tipo aquela palhaçada de "dias pares e ímpares" que eles tinham inventado.
Eles seguiam a vida deles separados, só se conectando de verdade na privacidade do quarto, onde umas poucas palavras íntimas eram trocadas no meio da bagunça dos membros.
E aquelas noites rolavam só dez vezes por mês, se tanto. Ele ficava ali, de olhos bem abertos no escuro, antes de levantar e voltar pro quarto dele.
A **Alicia**, por outro lado, estava bem feliz com essa calmaria recente. Parecia que aqueles outros pretendentes finalmente entenderam o recado.
Quanto a ele beber, ah, ela achava que podia perdoar, considerando as amarras do casamento dela.
Ele sempre cheirava tão bom, e os olhos dele, o jeito que eles seguiam ela, tão escuros e intensos... dava pra ela um arrepio delicioso, se ela fosse sincera.
A **Alicia** sempre desconfiou que o primo dela tava tramando alguma coisa.
E foi assim, numa noite em que ela tinha se recolhido cedo, voltando aos hábitos dela e apagando a vela do criado-mudo às dez em ponto. Ela tava dormindo feito pedra quando um beijo meio bêbado a assustou e acordou. Ele tateou ela, os dedos dele traçando a linha do pescoço dela.
"É um dia par," ela murmurou, ainda meio dormindo e totalmente irritada por ter sido incomodada. Ela ia rolar pro outro lado, mas a mão dele foi pra frente, pegando no pulso dela e prendendo ela na cama. Os olhos da **Alicia** se arregalaram, e ela virou a cabeça, uma pergunta surgindo nos lábios.
A luz fraca da lareira iluminou o perfil forte dele, a mandíbula dura dele. Tinha uma intensidade nova no olhar dele, um brilho predatório que mandou um choque de alguma coisa – medo, talvez, ou expectativa – pelas veias dela.
"Já chega dessa palhaçada de 'dias pares e ímpares'," ele declarou, a voz dele grossa de bebida e outra coisa, algo mais escuro. Ele beijou ela então, com força, quase com selvageria, exigindo a atenção dela, a resposta dela.
Ele tava em cima dela, o peso dele pressionando ela na cama.
Ele tava pegando fogo, o hálito dele quente na pele dela, tipo um vulcão prestes a entrar em erupção.
O rosto da **Alicia** foi embalado nas mãos dele, o aperto dele firme, quase doloroso, sem aceitar recusa enquanto ele forçava ela a encarar o olhar dele.
Ela devia ter ficado assustada, indignada, alguma coisa. Em vez disso, os olhos dela brilhavam com uma excitação estranha.
O aperto dele apertou, o rosto dele meio escondido nas sombras. As sobrancelhas dele eram altas, o nariz dele reto, os lábios dele formando uma linha perfeita, cruel.
Ele ficou olhando pra ela com atenção, principalmente quando ela tentou desviar o olhar. O aperto dele no rosto dela apertou mais, deixando marcas vermelhas fracas na pele dela.
"Você gosta disso, não negue. Como você não poderia gostar de mim?"
"Você não gosta de mim? Olha pra mim, olha pra mim, **Alicia**."
O beijo dele foi forte, invasivo.
A **Alicia** inclinou a cabeça pra trás, as palavras dele ecoando nos ouvidos dela. O rosto dela tava corado; era tudo tão novo.
Por que ela tava... a perna dela saiu, sutilmente pegando na cintura dele.
Ele parou, um lampejo de confusão nos olhos dele. A sanidade, parecia, tava tentando se reerguer. A testa dele encostou no pescoço dela.
Ele ia se afastar, mas ela virou ele com uma facilidade surpreendente, pressionando ele na cama.
O **Cavendish** esticou a mão, esfregando as têmporas como se estivesse tentando clarear a cabeça. Que diabos ele tava fazendo?
Até o melhor veludo podia ser abrasivo na pele nua, e os joelhos dela agora conheciam bem as coxas dele. A **Alicia** se inclinou, dando um beijo na testa dele, saboreando o cheiro persistente da colônia dele, o rastro fraco de vinho no hálito dele. Os cílios compridos dele roçaram na bochecha dela.
"Por que você parou?" ela murmurou, os lábios dela indo pra garganta dele. "Continua, por favor."
"**Will**," ela respirou, a voz dela grossa de desejo.
"Você não pode ser indiferente a mim," ele insistiu, um toque de desespero no tom dele.
"Claro que não, querido. Serei a própria imagem da atenção," ela fez um ronronar.
A quebra das regras que eles tinham estabelecido parecia concordar com ela. Embora, pra falar a verdade, ela tinha gostado bastante da abordagem dele antes, mais forte.
Ele não foi tão gentil dessa vez, os dentes deles bateram, mas tudo parecia perfeitamente, maravilhosamente certo.
Na manhã seguinte, o **Cavendish** acordou com uma cena de total bagunça. Os acontecimentos da noite anterior voltaram com tudo, e o rosto dele perdeu toda a cor.
E então, pra piorar, ele levantou a cabeça e viu a **Alicia**, sentada na beira da cama, pernas cruzadas, queixo apoiado na mão, observando ele com uma expressão perturbadoramente serena.
"É por isso que você bebe?" ela perguntou, o tom dela irritantemente sincero.
O primo dela, parecia, tinha uma queda pelo incomum.
Ela observou ele, o olhar dela fixo nos contornos do corpo dele. Ela conseguia se sentir atraída por ele, pela própria fisicalidade dele.
Antes que o **Cavendish** pudesse começar a gaguejar uma desculpa, ela se inclinou, dando pra ele um beijo surpreendentemente carinhoso.
"Estamos tudo bem, então?"
"O café da manhã é às dez."
Eram pouco mais de cinco.
"Talvez um lugar diferente da próxima vez? O clarete deles é bem adstringente."
O **Cavendish** ficou chocado com a juventude dela, o jeito que os olhos dela brilhavam com travessura, o jeito que ela fazia tudo parecer totalmente natural, tão certo.
Eles se entregaram à companhia um do outro.
Cientes de estarem na casa dos pais da **Alicia**, eles estavam um pouco mais quietos do que o normal, mas esse ar clandestino só parecia aumentar a excitação dela.
O **Cavendish**, por sua vez, tava fazendo uma busca séria na alma. Ele não conseguia tirar da cabeça a sensação de que tinha se comportado mal, que tinha sido forte demais.
Mesmo que a **Alicia** sorrisse pra ele agora, um sorriso secreto, sabido, e chamasse ele pro quarto dela com um movimento do dedo. Cada curva do corpo dela, das sobrancelhas arqueadas aos lábios cheios, falava de uma mulher bem e verdadeiramente excitada.
Mas uma dúvida persistia. Será que ela tava simplesmente entediada? Ele era, afinal, o único homem que ela podia estar perto no momento.
Ele ia monopolizar os sentimentos dela pro resto da vida deles? O deles não era um casamento de amor, e o que ela sentia por ele provavelmente era mais parecido com hábito do que afeto de verdade.
Se fosse outra pessoa, não ele, a **Alicia** ainda ia curtir a intimidade física e o serviço.
Ele não conseguia dormir, tinha acabado de voltar das câmaras dela. Ela, achando a abordagem metódica dele de sempre meio chata, já tinha apagado.
Quando ele saiu, ele deu uma última olhada, com saudade, no rosto sereno dela.
Ele era o marido dela, destinado a ser o companheiro dela por toda a vida, não algum amante ciumento.
Eles estavam ligados pro resto da vida deles. Ia ser muito chato se só um deles estivesse entediado.
E então, **William Cavendish**, sempre pragmático, começou a fazer uma lista mentalmente. Uma lista bem interessante, de verdade.
Na manhã seguinte, depois de um café da manhã que só podia ser descrito como tenso, ele não foi embora.
A **Alicia** observou quando o primo dela se aproximou dela formalmente, indicando o desejo dele de uma palavra particular. Podia-se pensar, dada a expressão séria dele, que ele ia pedir a mão dela em casamento, se eles não estivessem casados há esses meses.
"Aqui serve," ela ofereceu, gesticulando pro espaço ao lado dela com o ar de uma rainha concedendo uma audiência.
Ele ficou notavelmente em silêncio, uma tapeçaria de emoções complexas tecida nas feições dele. Ele ficou parado, sem se mexer pra sentar, uma postura peculiar pra um homem prestes a propor um acordo tão incomum.
"Se você não consegue encontrar amor comigo," ele começou, a voz dele estranhamente sem o tom confiante de sempre, "você pode procurar um amante." Essa foi a jogada inicial dele, se é que dava pra chamar assim.
A **Alicia**, ainda processando essa declaração chocante, quase não registrou o pequeno livro de capa de couro que ele apresentou a ela.
"Eu tomei a liberdade de organizar essa lista," o **Cavendish** continuou, as palavras aparentemente causando dor física ao pronunciar. Comprometer-se, aparentemente, não combinava com ele. Ele fez uma pausa, se recompondo como alguém antes de uma dose de remédio particularmente desagradável.
"Os atributos físicos deles são satisfatórios, e eles não têm hábitos desagradáveis. Você pode escolher seu par entre eles."
A **Alicia**, tendo suportado pacientemente esse discurso peculiar, finalmente abaixou o livro que estava lendo – algum romance, sem dúvida. "O quê? **Will**," ela questionou, usando o nome dele como raramente fazia.
"Que nova abelha voou na sua cabeça?" ela perguntou, olhando pra ele com uma expressão de total perplexidade.
Ele parecia perdido nos próprios pensamentos, então ela pegou o livro oferecido, os olhos dela se arregalando ao examinar as primeiras entradas. Cor do cabelo, cor dos olhos, altura, hábitos diários e até vestuário foram meticulosamente anotados. Havia até comentários sobre o estado dos dentes deles. No geral, um verdadeiro catálogo de cinquenta dos homens mais elegíveis – e aparentemente com dentes bons – de Londres, escolhidos a dedo pelo próprio marido dela.
A **Alicia** considerou isso com a seriedade que merecia.
"Amantes?" ela finalmente perguntou, a voz dela cheia de descrença. "Eu vou... usar todos esses? Levaria cinquenta anos, à razão de um por ano."
"O quê?" Foi a vez dele de ficar perplexo.
Ela inclinou a cabeça, um gesto que de alguma forma conseguiu transmitir inocência e uma pitada de condescendência. "Por que eu precisaria de um amante?" ela perguntou. "Isso é alguma nova fantasia sua, querido primo? Alguma peculiaridade, capricho de marido?"
O **Cavendish** olhou pra ela, olhou pra ela de verdade, talvez pela primeira vez.
O olhar da **Alicia** parecia dizer, Ter você já dá trabalho suficiente, por que eu ia querer outro?
"Mas," ele gaguejou, "quase toda mulher casada da nossa posição tem um."
"Mamãe não tem," a **Alicia** observou, com a lógica irrefutável de uma debatedora experiente. "Nem a bisavó, nem sua própria mãe, aliás." Por que o primo dela, geralmente tão perspicaz em assuntos de negócios e política, era tão denso em assuntos do coração era algo além dela.
Foi nesse momento, o **Cavendish** sentiu, que algo – algo fundamental – tinha sido totalmente mal compreendido desde o início.
"Eu não sou seu marido?" A **Alicia** se levantou e gentilmente tocou o rosto dele, então se inclinou pra encostar a testa na dele. Ele tava com febre? Os pensamentos dele pareciam confusos.
"Eu sou seu, e somente seu," ele declarou, finalmente entendendo a verdade disso. Ele pegou na mão dela, colocando-a sobre o coração dele.
"Sim," a **Alicia** concordou, o nariz dela roçando a bochecha dele. "O que mais você poderia ser?"
O **Cavendish** virou a cabeça, um leve sorriso brincando nos lábios dele, apesar da confusão persistente. Toda aquela inveja, toda aquela incerteza e turbulência interna, desapareceram como fumaça ao vento.
Mais tarde naquela noite, aninhado no calor residual do ato de amor deles, ele começou a confessar.
"**Alicia**," ele sussurrou, "como eu disse antes, eu não curto muito esse tipo de coisa."
A isso, a **Alicia** se levantou sobre um cotovelo, olhando pra ele com uma expressão de total descrença.
O **Cavendish**, percebendo o absurdo da declaração dele à luz das atividades recentes deles, rapidamente corrigiu, "Eu só quero te abraçar, estar perto de você." Ele brincou com uma mecha do cabelo longo dela. "Possuir um ao outro, de certa forma."
"É por isso que eu odeio nossa programação combinada," ele admitiu. "Podíamos não fazer nada, simplesmente dormir nos braços um do outro, e seria o suficiente. Acordar todas as manhãs e te ver ao meu lado me enche de tanta alegria."
A **Alicia** se apoiou mais, os olhos dela procurando os dele.
O **Cavendish** sorriu, um sorriso genuíno, desarmado. "Sabe, **Alicia**? Eu vivi uma mentira todo esse tempo, e só agora eu ouso admitir?"
"Quando eu soube do nosso noivado, eu te dei uma boa e longa olhada. E naquele instante, eu me apaixonei perdidamente. Aconteceu tão rápido, tão inesperadamente, que eu não percebi até agora."
A **Alicia** traçou as linhas do rosto dele com as pontas dos dedos. Ela de repente entendeu o significado por trás das palavras da mãe dela, "Eu sei."
O primo dela, o marido dela, só queria que ela soubesse que ele amava ela.
"**Alicia**, você se lembra da noite em que eu te perguntei o que eu era pra você?"
A **Alicia** assentiu.
"Você disse que eu era seu marido, seu primo, que nos conhecíamos desde o seu nascimento. Sim, desde o momento em que você nasceu."
A **Alicia** corrigiu, "Nós não nos conhecemos naquela hora."
"Eu ouvi falar de você em cartas, vi os retratos que foram enviados."
"E foi isso que me satisfez, no começo. Mas," ele se levantou, embalando o rosto dela nas mãos dele, os olhos dele procurando os dela como se estivesse vendo ela pela primeira vez, "eu quero ser seu amante, seu par." Ele balançou a cabeça, aparentemente envergonhado pela confissão.
"Droga, me perdoe," ele murmurou, juntando os lábios. "**Alicia**."
"Eu amo você, tão ferozmente, tão completamente. Só de pensar em estar com você me enche de uma felicidade quase insuportável. Eu não consigo imaginar uma vida sem você; eu estaria totalmente perdido, um andarilho solitário em uma terra desolada. Nós fomos feitos pra ficar juntos, sempre."
Ele repetiu suas declarações de amor, o vocabulário dele um tanto limitado nessa área, as palavras dele tropeçando umas nas outras em sua ânsia de expressar a profundidade dos sentimentos dele.
A **Alicia** o silenciou com um beijo.
"Eu sei," ela sussurrou contra os lábios dele. "E eu sinto o mesmo."
Embora o conceito de amor ainda fosse um tanto estranho pra ela, as reações físicas e emocionais que ela experimentou quando ele disse essas palavras, quando ele tocou nela, a convenceram de que os sentimentos dela deviam, de alguma forma, espelhar os dele.
Ou, pelo menos, os do marido dela.
Depois disso, os encontros deles assumiram o ar de um caso clandestino. Ele ia entrar no quarto dela sob o manto da escuridão, as manhãs deles eram uma despedida apressada antes que a casa se agitasse.
Quando eles apareciam em público, faziam isso de mãos dadas, alheios aos sussurros e aos olhares invejosos de outros homens. A firmeza do amor dele, uma vez percebida, tinha tornado ele imune a essas trivialidades. Eles ficariam juntos por uma eternidade. Essa era a base dele, sua convicção inabalável.
O **Cavendish** acrescentou novos papéis ao repertório dele, acreditando, como fazia, que podia ser marido, amante e até mordomo, tudo em um só.
Ele batia na janela dela com uma pedrinha, com um sorriso travesso nos lábios. A **Alicia** abria a janela pra encontrar o marido dela em pé no jardim embaixo, parecendo um personagem de alguma peça romântica.
Ele ia fazer uma encenação de furtividade, então, com uma explosão de atletismo, escalar a parede, usando as esculturas de pedra e as colunas como apoios, até que caísse pela janela dela e entrasse no boudoir dela.
A **Alicia** ficou, compreensivelmente, surpresa.
"O que você está fazendo?" ela exclamou, "Isso é o terceiro andar! Você vai quebrar o pescoço!"
O **Cavendish** colocou um dedo nos lábios dela, um "Shhh" conspiratório, antes de fechar a janela e puxá-la pra um abraço apaixonado.
"Aí, aí, minha senhora," ele murmurou, adotando um ar teatral. "Seu marido está fora."
"Não tenha medo, ele nunca vai suspeitar de nada," ele sussurrou, o hálito dele quente na orelha dela, as mãos dele já se movendo com familiaridade praticada.
"O que, diga-me..." A cabeça da **Alicia** estava em polvorosa. Sério, o homem era incorrigível.
"Eu sou seu amante, lembre-se, minha senhora?" ele provocou, piscando. "Seu melhor amante."
"E eu vim pra roubar um momento do seu tempo precioso."
Ele a ergueu na mesa, ajoelhando-se diante dela pra beijar as pernas dela, as mãos dele lenta, deliberadamente, traçando um caminho pra cima. Ele estava totalmente absorto em sua atuação, e a **Alicia**, com o coração batendo no peito, se viu acreditando nele, tão convincente era seu ato.
E quando ele a vestia e a despia, ele afirmava ser seu devotado mordomo, as pontas dos dedos dele traçando padrões na pele dela, a respiração dele uma carícia suave, acendendo habilmente as chamas do desejo dela.
O repertório dele de cenários era aparentemente interminável, cada um mais escandaloso que o anterior. "Seu marido está bem ao lado," ele sussurraria, a voz dele grossa de falsa preocupação. "Ele suspeita?"
Embora essa nova sensação de aventura e emoção tivesse reacendido as chamas do período da lua de mel deles, a **Alicia** sentiu, no entanto, uma inquietação crescente.
Em uma carta para a tia dela, ela confidenciou, as palavras dela pesadas de apreensão,
"Eu não posso deixar de sentir que algo está errado com o **Will**."
O **Cavendish**, sempre atento a ela, estendeu a mão e arrancou a pena da mão dela. "Minha querida **Lady Alicia**," ele fez um ronronar, os olhos dele brilhando com travessura, "eu poderia ser tão ousado a ponto de pedir uma visita esta noite?"
Ele não conseguiu se controlar.
Com uma risada, ele a envolveu nos braços, levantando-a bem alto e girando-a. "Pra continuar sendo seu devotado amante, claro."