Capítulo 3: Amanhecer
Ele tava só de camisa, ou melhor, de camisa, no singular. Era linho fino, viu? Aberta num grau meio escandaloso, mostrando um monte de pele branquinha por baixo. Dava pra perdoar quem achasse que aquela pele intacta, quase transparente, era resultado de um cuidado sinistro, a cara da palidez aristocrática. E essa pessoa ia estar certíssima.
Mesmo depois de dois anos no exército, e curtindo um monte de coisa tipo andar a cavalo, esgrima e tiro – tudo bem másculo, hein? – o William Cavendish tinha conseguido manter um shape que ia fazer um escultor chorar de alegria. Ombros largos, cintura fina, e a musculatura magra que mostrava força e elegância.
Mas a prima dele, a noiva dele, nem piscou.
William, fazendo carinho na mão esquerda dela, sentiu uma parada conhecida agitar dentro dele. Parecia que cada pedacinho dela era perfeito, uma prova de... sei lá, alguma coisa. "Alicia", ele murmurou, o nome dela como um suspiro suave nos lábios dele. Eles sempre se chamavam de "primos", mas ali, na intimidade do quarto, ele tava querendo só o prazer do nome dela. "Alice."
Ele deu um beijo no dorso da mão dela, e depois em cada pontinha dos dedos dela que tavam paradões na mão dele. Ele implorou, com uma puxadinha de leve, pra ela pegar uma ponta da camisa dele, pra ajudar ele a tirar a roupa e mostrar o shape que tava por baixo. A curva da cintura dele, que apareceu quando ele se mexeu, foi onde ele guiou a mão dela pra ficar, quentinha e entregue pro toque.
Alicia obedeceu, mas com uma vibe meio de saco cheio. Ela tava achando meio... estranhas as paradas que o primo dela tava pedindo essa noite.
"Gostou?", ele perguntou, com toda a sutileza de um pavão mostrando as penas.
"Sim, sim", ela respondeu, com uma animação meio baixa.
Ele pegou ela nos braços, com as mãos passeando soltas na pele dela. Finalmente, os corpos deles tavam grudados, um contraste delícia de calor, pele macia e curvas gostosas. Ele encheu ela de beijos, cada um prometendo em silêncio decorar cada ponto que fazia uma faísca de prazer na cara dela. Ele adorava os sons que ela fazia, se era de propósito ou não.
Mesmo no frio do outono, um brilho fino de suor logo cobriu os dois. Alicia virou a cabeça, com uma cor começando a subir no pescoço dela e nas bochechas, tipo as pétalas de uma rosa bem vibrante. Os lábios dela tavam entreabertos, a respiração dela falhando quando ela fez um pedido do nada.
"Quero ver."
William levantou a cabeça, seguindo a linha do braço dela de volta pra ele, e deu um beijo suave nos lábios dela. Ela já tinha aprendido a botar os braços na cintura dele nessas horas, um gesto que, apesar da confiança dele, deixava ele todo bobo.
"O que é?"
"Minha mãe falou. Tô curiosa."
A prima dela ficou quieta, já tinha se acostumado com as reviravoltas da noite. "Tá bom", ele cedeu, depois de duas tentativas frustradas de negar. Ele se mexeu, desabotoando as calças dele.
William virou a cabeça, com uma pontinha de vergonha pintando as bochechas dele.
Alicia levantou, com o corpo lembrando uma Vênus imortalizada por um mestre veneziano. Ela chegou perto, com o olhar curioso, o toque explorador. Ele foi pra cima dela, puxando ela pra perto, e segurou um gemido no ombro dela.
"Não!", ele protestou baixinho, com a voz grossa de tesão segurado.
Alicia, achando que o objeto da curiosidade dela era meio nada a ver, voltou pra posição de antes. "É bem feio", ela declarou, com a sinceridade de uma crítica de arte experiente.
William, com a cara agora num tom mais forte de vermelho, puxou ela de volta pra baixo, do lado dele. Ele pegou os pulsos dela, prendendo eles de leve em cima da cabeça dela. "Agora você tá presa, sua criatura chata", ele rosnou, fingindo ser bravo.
"Hmpf", Alicia respondeu, bem acostumada a fazer o que ela quer.
Os olhos dela, claros e sem maldade, deram uma parada nele. William suspirou, "Então, começo?"
"Você tá demorando."
...
"Apago as velas?", ele perguntou, depois de um tempinho.
"Apaga as velas e o fogo na lareira. Vai fazer frio sem o fogo, mesmo numa noite dessas", Alicia explicou, meio que sem entender a pergunta.
"Achei que você ia ficar com vergonha", ele admitiu, com os cílios longos caindo.
"Você tá falante hoje."
Como se homem conseguisse ficar quieto na noite de núpcias, ele pensou, com um sorriso torto.
William tentou se controlar, botar um freio nas batidas frenéticas do coração dele. Foi uma furada. Ele abaixou a cabeça e beijou ela de verdade.
...
Nesse quesito, pelo menos, ele provou ser um marido bom. William sentiu um choque raro de dúvida, uma sensação bem diferente pra um cara conhecido por, digamos, se achar muito. Ele, afinal, era um novato nessas paradas. Ele tinha ensaiado o lance um monte de vezes na cabeça, claro, mas no calor do momento, os passos planejados viraram uma confusão de instinto e sensação. Eles se mexeram juntos, um mar nervoso de braços e suspiros, e ele tinha certeza que ela tava perdida na tempestade tanto quanto ele.
...
Alicia tinha se preparado pra isso. Mesmo assim, ela achou tudo meio estranho, e às vezes abria os olhos, só pra ter certeza que tava tudo rolando como esperado. Cada vez que ela fazia isso, ele chegava com um beijo, um jeito bem bom, mas meio que distraindo, de garantir que ela continuasse cooperando. Eventualmente, ela se pegou retribuindo, sendo puxada por uma vontade inexplicável.
Foi bem nessa hora que ele resolveu ser o coitado, imitando as palavras dela com uma precisão irritante, "Não gosto dos seus beijos, sabe."
Ela tentou calar ele com a mão na boca – ele tinha o hábito péssimo de repetir as frases dela. Sinceramente, Alicia às vezes achava o primo dela mais criança que ela, uma parada bem inacreditável.
Ele cobriu a mão dela com a dele, mas não fez nada pra tirar. Em vez disso, ele virou a cabeça e começou a dar beijos suaves na palma da mão dela, depois em cada dedo. Parou, e depois, com uma pontinha de estranheza, perguntou se ela tava bem. Ele sabia as medidas dela, claro – uma cintura de só cinquenta centímetros, um fato que tinha parecido só teoria até aquele momento. Agora, a real dela, a curva delicada do corpo dela, era quase viciante.
Ele tava completamente apaixonado. William foi obrigado a admitir. Ele murmurou o nome dela, o nome completo, o apelido, até os segundos nomes – uma lista de carinho.
Alicia levantou uma sobrancelha. "Eram os nomes da minha avó e da minha bisavó", ela disse, com um tom meio de bronca.
Ele tava transbordando de energia, super feliz. A cor dela tinha intensificado, se espalhando do pescoço pras bochechas dela de um jeito lindo. Ele murmurou que ela podia morder ele, se quisesse.
Ela virou a cabeça, recusando na cara. Sem se abalar, ele botou os lábios nos dela, convidando ela pra mastigar a língua dele, em vez disso. A cara de desgosto dela só pareceu aumentar a graça pra ele. Mas quando uma carranca delicada apareceu na testa dela, ele se arrependeu na hora, perguntando se tava tudo bem.
...
Finalmente, ele pegou ela pra perto, segurando ela nos braços. Alicia tava sonolenta, os braços dela pesados com uma moleza gostosa. Ele deu um beijo nas costas lisas dela, a curva elegante da coluna dela sendo uma fonte de fascínio sem fim.
Eles ficaram em silêncio, confortáveis, por um tempo, a tempestade tinha passado. Justamente quando ele ia falar, pra quebrar o silêncio com alguma coisa carinhosa, a esposa dele – a esposa dele! – falou, com a voz abafada no travesseiro.
"Pode voltar pro seu quarto agora."
Era de costume, claro, pros casais aristocratas terem quartos separados. Dormir na mesma cama era meio vulgar, nada a ver.
"Não vou", ele declarou, com o coração cheio de uma mistura gostosa de carinho e rebeldia. Ele não tinha intenção de sair de perto dela.
"Você vai ajudar na limpeza?"
Ele sabia bem como ela era meticulosa. Ela era neurada com limpeza, tomando banho de esponja e tomando banho bem mais do que era normal. Ele mesmo tinha tomado um banho gelado antes de chegar nela essa noite, usando o sabonete favorito dela, um detalhe que provavelmente tinha salvado ele de ser expulso mais cedo.
"Com certeza", ele murmurou, dando um beijo na testa dela.
Alicia conseguia sentir a umidade do suor grudando no cabelo dela, formando uns cachinhos na pele dela. Ela não conseguia entender como o primo dela conseguia ser tão desarrumado, com a pele agora coberta de suor salgado.
Ele enrolou ela numa coberta, e depois entrou na camisa dele que tava jogada. Com uma puxadinha, ele tocou a cordinha do lado da cama.
Ele não viu as limpezas dela, mas a imagem do corpo magro dela, úmido e brilhando, ficou gravada na memória dele pra sempre. William Cavendish foi dispensado, expulso do quarto como um garoto que aprontou na escola.
Alicia declarou que, no futuro, um quarto separado deveria ser reservado pra essas atividades, porque aquele tava completamente impossível agora. Ela ia ser obrigada a se mudar pra outro quarto.
William falou que o quarto dele era logo ali, no corredor, uma dica nem tão discreta assim.
Alicia só levantou a sobrancelha, com uma expressão de dúvida educada. "Você esqueceu as boas maneiras, primo?"
O infeliz do Sr. Cavendish se pegou andando de um lado pro outro no corredor, olhando tristemente pra porta dourada que separava ele da noiva dele. Ele pensou, com um monte de raiva, quem foi o arquiteto desse costume ridículo que dizia que casais que acabaram de casar deviam dormir separados?
...
William acordou cedo, ou melhor, ele não tinha dormido direito, só tinha cochilado a noite toda. Ele sentiu uma pontada de arrependimento pelo que ele tinha feito na noite anterior. Ele tinha sido um bobão apaixonado, levado pela paixão, sem ligar pra hesitação dela. Ele decidiu ser mais distante hoje, pra dar pra ela um espaço que ela tava precisando.
Mas ele sabia a rotina da Alicia. Ela era uma criatura de hábito, uma parada que ele às vezes achava fofa, às vezes irritante. Diferente das mulheres da moda de Londres que raramente saíam da cama antes das dez, ela sempre acordava umas sete, oito, fazendo uma caminhada esperta antes do café da manhã. O trajeto dela era da Casa Devonshire até a esquina da Casa Burlington, e de volta.
Ele tinha encontrado ela várias vezes nessas caminhadas, principalmente depois de uma noite de festa, com os sentidos meio apagados pela bebida. Ela ia fazer uma careta pro cheiro de álcool, fingindo que não conhecia ele.
Ele se vestiu com cuidado, escolhendo um casaco de uma cor bem forte, e passou um pouco do perfume de flor de laranjeira favorito dela, garantindo que tava suave, não demais. Ele olhou pra si mesmo no espelho, satisfeito por não parecer muito o noivo ansioso, e foi pro quarto dela.
Ele se posicionou do lado de fora da porta dela, como um guarda silencioso. A regra era, ninguém podia entrar até ela tocar a cordinha. Normalmente, ela já tinha acordado a essa hora. William olhou pro relógio de bolso. Quinze minutos se passaram. Depois mais um tanto. Ele começou a se preocupar. Será que ele tinha sido muito grosso ontem à noite? Talvez ele tivesse sido exagerado. Devia escrever uma carta pra algum primo casado, pedindo conselhos?
Os pensamentos dele tavam uma bagunça de ansiedade quando, finalmente, ele ouviu o barulhinho da cordinha. Ele não entrou na hora, mas andou de um lado pro outro por mais um tempinho, fingindo que tava de boa antes de bater de leve na porta.
"Entre." A voz dela, firme e mandona como sempre, deu um frio na espinha dele.
Ele abriu a porta pra ver uma visão de perfeição. Ela tava de costas pra ele, com os braços cruzados na frente, mostrando bem a curva elegante das costas dela. Embaixo, o balanço suave dos quadris dela ia pras pernas longas e bonitas. Ela era Vênus, recém-nascida.
As criadas ficaram em volta dela, com as mãos se mexendo com panos de algodão macio, dando um banho de esponja nela. O ritual da Alicia, uma prova da dedicação dela com a limpeza numa época em que tomar banho nem sempre era fácil.
William tava quase desviando o olhar, mas ele lembrou – eles tavam casados agora. É. Ele fez um gesto de silêncio pras criadas, e depois chegou perto, botando os braços em volta dela por trás e dando um beijo na pele nua dela. Ela cheirava a uma coisa fresca e doce, tipo um campo na primavera depois de uma chuvinha.
Alicia se assustou, virando a cabeça pra não ser beijada. Uma carranca apareceu na testa dela. "Você tá chato", ela declarou. As palavras dela, mesmo sendo duras, eram só uma prova do julgamento sincero dela, sem maldade nenhuma.
William parou, soltando ela do abraço. "Tá bom, minha prima querida, minha Lilia", ele cedeu. Ele ficou no quarto, no entanto, sendo só um observador silencioso enquanto ela terminava o ritual dela.
Alicia pareceu não se importar, acostumada a ser servida. William não conseguia deixar de se sentir como um criado, uma sensação bem estranha considerando o que aconteceu na noite anterior. Ele lembrou do jeito que ela tinha grudado nele, com os dedos afundando nos ombros dele.
Ele tentou chamar ela de Alicia, mas a palavra engasgou na garganta dele. "Prima", ele começou, e depois tropeçou nas palavras, "Vai tomar café lá embaixo?" Uma pergunta idiota, de verdade.
Alicia só olhou pra ele, uma dispensa silenciosa.
Um momento de silêncio estranho ficou entre eles. Aí, Cavendish pegou num assunto mais adequado. "Mulheres casadas", ele anunciou, "podem tomar café na cama, sabe."
"Não quero", ela respondeu na lata.
"Então, vai fazer a sua caminhada?" Ele se ocupou escolhendo as roupas dela, discutindo as vantagens de várias anáguas, vestidos, lenços, meias e sapatos. Ele tinha percebido, antes, que a bagunça da noite anterior tinha sido organizada, não deixando nenhum vestígio do encontro deles. Era como se tudo não tivesse sido mais do que um sonho bem vívido.
Alicia deixou as criadas vestirem ela. William assistiu, com uma cor subindo nas bochechas dele, repetindo o rubor que tinha pintado a pele dela na noite anterior. Primeiro, as anáguas, depois o espartilho, aí ela sentou quando elas puxaram com cuidado as meias de seda, prendendo elas com ligas. As mesmas ligas azul claro que ele tinha dado pra ela de presente de noivado. Apesar do noivado ser uma coisa certa, só uma formalidade, Cavendish tinha insistido em cumprir a tradição de dar um presente pra ela.
Finalmente, o vestido foi abaixado na cabeça dela.
"Tô com cara de que posso fazer uma caminhada?" Alicia finalmente se dignou a responder a pergunta que ele tinha feito antes.
Ele olhou pra ela, olhou de verdade. As pernas dela ainda tavam fracas, ela não tava gostando daquela interrupção da rotina dela, e os olhos dela mostravam uma pontinha de bronca. Ele observou as várias emoções que passavam pela cara dela, terminando num sorriso de vitória.
"Sem beijos", ela declarou, levantando a mão pra afastar ele.