Capítulo 21: O Retrato
A Lady Alicia Cavendish tava na tarefa meio chata de abrir as cartas das amigas dela. A maioria das amigas dela, por enquanto, não eram casadas, o que geralmente dava umas situações meio esquisitas nas interações depois que uma já tinha casado. A sociedade, na sua infinita sabedoria, decretava que uma mulher casada tinha mais moral e curtia mais liberdade do que a solteira. Certos programas sociais eram considerados inadequados pra delicada sensibilidade de uma solteira, e, com isso, o grupinho social inevitavelmente mudava.
"De quem é?" o Lord Cavendish perguntou, tirando a atenção por um instante do discurso que ele tava editando com cuidado. Ele tinha um monte de relatórios pra revisar depois, sobre as propriedades que ele controlava, coisas de agricultura, e as ações e investimentos que ele tinha feito, que tavam sempre mudando. Ele também tinha uma posição importante no Ministério das Relações Exteriores, sendo o secretário do Visconde Castlereagh. Aquilo também ia precisar de atenção em algum momento. Ele se perguntou, meio confuso, como a lua de mel dele tinha chegado nisso.
A Alicia, por outro lado, parecia gostar da dedicação dele. Era esse tipo de estabilidade madura que ela admirava?
"É da Anna Milbanke", ela respondeu.
"Ah", o Lord Cavendish falou, reconhecendo o nome. A sobrinha da Lady Melbourne, uma mulher bem inteligente, com muito talento em matemática e física. Elas tinham um interesse em comum, as duas faziam parte da Sociedade Bluestockings, uma organização criada no século anterior pra mulheres educadas discutirem ideias. Elas até estudavam com o mesmo professor, o Professor William Frend da Universidade de Cambridge. Numa época em que as moças geralmente só recebiam uma educação pra "se ajeitar", enquanto os homens curtiam a rigidez da universidade, a Anna tinha recebido uma educação muito boa, comparável à de qualquer homem.
As cartas delas geralmente falavam de problemas complexos de matemática, e essa não era exceção, com um problema bem complicado de geometria analítica. Mas no final, a correspondência ficou mais pessoal.
"A Anna falou que o Lord Byron tá dando em cima dela", a Alicia comentou, uma ruguinha aparecendo na testa dela. "Sério, eu não gosto muito daquele cara."
A Anna, pelo jeito, sabia bem dos defeitos do Byron, mas se sentia estranhamente atraída por ele.
A Alicia começou a escrever a resposta.
O Lord Cavendish, pela primeira vez, percebeu um sinal de algo tipo insatisfação no casamento na cara geralmente calma da Alicia. E, de verdade, quem conseguia achar graça no casamento?
Ele decidiu ser mais cuidadoso com ela. Ele não interrompeu mais, e eles continuaram em silêncio, cada um no seu trabalho.
A Alicia, no momento, tava focada num texto em francês sobre cálculo, uma matéria que ainda não era tão popular na Inglaterra. Mas a paixão dela mesmo era astronomia, uma ciência que juntava o abstrato com o concreto, números e quantidades, calma e movimento. Essa fascinação por coisas do céu fazia ela se dedicar em matérias como matemática e física. A inteligência dela nunca deixava de impressionar ele, e ele geralmente tentava ler os mesmos livros que ela devorava.
"A gente não vai dar uma volta?" ela perguntou de repente, mexendo distraidamente no cabelo dela enquanto tentava resolver uma equação complicada.
...
Eles decidiram dar uma volta de carruagem. Dirigir, principalmente nos phaetons chiques, puxados por dois cavalos, era um passatempo preferido entre os jovens ricos de Londres. Apesar de ser perigoso, a emoção de comandar um veículo tão incrível era irresistível. Eles andaram por toda a propriedade, seguindo o caminho que fazia a volta. A Alicia segurava o chapéu, com as fitas tremendo no vento enquanto a carruagem corria, e o Lord Cavendish soltava uma risada gostosa.
"Você é sempre assim tão sem noção?" ela perguntou, com um pouco de preocupação na voz.
Ele parou os cavalos e gentilmente foi ajeitar as fitas do chapéu dela. "Eu sei", ele admitiu, "Vou tentar não fazer essas coisas no futuro." Acidentes com carruagens e cavalos eram, infelizmente, comuns. Talvez fosse isso que era responsabilidade. Ele deu um beijo carinhoso na testa dela. Ela se importa com o meu bem-estar; ela ainda deve gostar de mim, ele pensou com alívio.
Os dias deles eram planejados com cuidado, o Lord Cavendish se esforçando pra que a Alicia não ficasse entediada, embora ela parecesse bem feliz sentada com um livro por horas. Ele tinha carinhosamente chamado ela de "Princesa do Cálculo".
"Minha querida Princesa", ele falou, com a voz num tom de brincadeira, "você me faz a honra de sair comigo?" Ele cobriu os olhos dela com as mãos. Quando ela abriu, a Alicia viu um telescópio novinho que tinham entregado.
"Com oito polegadas de diâmetro", ela deduziu, com os olhos brilhando de alegria.
"Um presentinho", ele disse com um sorriso, "para suas buscas pelas estrelas." Claro, não era tão grande quanto o instrumento de dezoito polegadas na casa da família dela, nem tão profissional. Mas ela ia com certeza gostar de comparar as observações dela com mapas estelares, um passatempo que ela adorava. E Wimbledon, com o céu limpo e a vista ampla, era um lugar perfeito pra fazer isso.
A Alicia examinou o telescópio com um olhar cuidadoso. "A qualidade da lente é incrível."
Claro, ele tinha pesquisado bastante sobre isso.
O telescópio foi instalado no quarto dela, posicionado na varanda pra ter a melhor vista pra observar as estrelas.
...
Infelizmente, o tempo naquela noite não colaborou, e depois de uma tentativa rápida e inútil de observação, ela desceu do andar de cima. Eles trocaram uns beijos, e foi aí que o Lord Cavendish se lembrou que hoje era um dia com número ímpar. Num minuto ele tava curtindo a alegria da Alicia procurando um beijo dele, no outro ele entrou em pânico ao calcular os encontros que restavam no mês. O mês mal tinha chegado na metade, e ele só tinha mais um? Pelos próximos dez dias, ele ia ficar sozinho? O Lord Cavendish gemeu por dentro. O casamento dele, pelo jeito, era uma bagunça mesmo.
"Tira a roupa", a Alicia mandou de repente.
O rosto dele ficou vermelho, uma mistura de animação e medo brigando dentro dele. "Aqui?" ele gaguejou, "Não ia ser meio... inapropriado?"
A Alicia olhou pra ele com um olhar crítico, com uma leve carranca na testa. "No que você tá pensando?"
"Vou te pintar", ela declarou. Ele tava bem bonito sem roupa, o corpo dele uma escultura perfeita de músculo, uma visão de beleza masculina. A Alicia há muito tempo queria fazer isso. Só a agenda dele que tinha feito ela tolerar as várias atividades dele, como aguentar um cachorrinho bem animado, embora o cachorro dela, o Pip, fosse bem mais obediente.
"Ah é?"
"Quero pintar um nu", a Alicia explicou, agora focada em apontar o lápis dela. "Você vai ser meu modelo." O tom dela era direto e ao ponto. "Você não pediu pra eu te pintar antes?" O olhar dela era fixo, sem desviar.
O Lord Cavendish tava numa confusão interna. Será que ela tava compensando ele? Ele se viu, sem explicação, concordando, "Tudo bem." Ele, numa outra ocasião, tinha se enrolado numa coberta, tentando atrair ela, mas agora... Uma onda de vergonha tomou conta dele, principalmente porque a Alicia apoiou o queixo na mão, com uma expressão fria e distante.
"Tudo?"
"Sim."
Ele começou a desabotoar a gravata, com a relutância dela em ajudar bem clara. Ele fez biquinho; ela tinha um jeito de alternar entre dar carinho e machucar. O Lord Cavendish mostrou o pescoço perfeito dele. Ele colocou a gravata de lado, com o pomo de Adão dele mexendo nervoso. Ele tirou o casaco, com a cabeça um pouco desviada.
"A gente pode ir pro quarto?"
"Ninguém vai incomodar a gente aqui." Eles estavam na salinha no segundo andar, um espaço que a Alicia geralmente tomava pra ela, dispensando os empregados. Ela ligava pro lado de fora, mas oferecia um refúgio aconchegante e isolado quando as portas estavam fechadas. Ela era uma verdadeira tirana, ele pensou. Principalmente com o jeito que ela tava olhando pra ele, sem nenhuma ternura, só avaliando as proporções e as características dele, calculando a melhor forma de representá-las no papel.
O Lord Cavendish desviou o olhar, desabotoando o colete com uma lentidão dolorosa. "Eu posso ficar com a camisa pelo menos?"
A Alicia não deu bola pra ele, reconhecendo o absurdo da pergunta. Um retrato nu com camisa? Sem chance.
Ele tirou a camisa das calças, respirando fundo antes de se curvar pra tirar. A pele dele tava pálida, com um tom rosado, provavelmente por causa da vergonha que ele tava sentindo. A cintura dele era fina e bonita, indo pros braços musculosos, uma prova de que ele gostava de boxe. O Lord Cavendish continuou com a cabeça desviada, sem conseguir olhar pra ela.
A Alicia tava perplexa. Eles já tinham feito coisas íntimas várias vezes, não tinham? Por que o primo dela tava tão envergonhado?
"Olha pra cá", a Alicia mandou. Ela fez ele ficar de pé, examinando as costas dele, ajustando a postura dele, procurando o melhor ângulo. Finalmente, ela concordou com a cabeça, satisfeita. "Certo, continua tirando a roupa."
Quê?
Ele tava com uma calça chique, combinada com botas, polidas pra brilhar muito. O Lord Cavendish olhou pra baixo. Ele se arrependeu na hora de ter escolhido aquela calça que mostrava a forma do corpo. As reclamações dele foram ignoradas, com os olhos da Alicia passando uma mensagem clara: já foi até aqui. As pernas dele eram, de fato, tão bonitas quanto pareciam, as coxas dele duras e bem definidas. Ele ficou em pé, numa postura bem diferente dos encontros deles no quarto.
A Alicia, com o lápis de carvão na mão, fez algumas medidas preliminares. Ela jogou uma coberta pra ele, mandando ele cobrir a... parte de baixo. Ela não queria desenhar aquela parte específica da anatomia dele. A sensibilidade artística dela só era atraída pela beleza, e o corpo dele era inegavelmente bonito.
Viu, ela até despreza aquela parte de mim, ele pensou tristemente.
O Lord Cavendish assumiu uma pose que lembrava estátuas clássicas. Ele tirou as meias, ficando descalço no meio das roupas espalhadas. Ele se perguntou como tinha deixado se manipular tanto pela Alicia. Ele, afinal, tava oferecendo o primeiro retrato nu pra ela.
"Você tá com frio?" ela perguntou.
"Não", ele respondeu, sendo sincero. Ele, na verdade, tava pegando fogo, primeiro de vergonha, com os membros dele se sentindo estranhos e fora do lugar. A Alicia, às vezes, corrigia a postura dele, falando que o braço dele tava muito baixo. O rosto dela continuava sereno, intocado pelo desconforto da situação, com o foco todo no trabalho dela.
Finalmente, ele abandonou tudo e só ficou olhando pra ela. No começo, o olhar dele tinha um pouco de ressentimento, mas depois...
A Alicia parou, com a mão no papel. A respiração dele tinha ficado pesada. Ela se lembrou dos barulhos que ele fazia na cama, feitos de propósito pra agradar o ouvido. Na verdade, a voz dele era naturalmente bem melodiosa. Um rubor fraco subiu no pescoço da Alicia, espalhando pras pontas das orelhas dela.
Ele percebeu, e um sorriso lento apareceu no rosto dele. "Quer tocar?" ele perguntou, com a voz baixa, sugerindo coisas.
"Fica quieto." A Alicia era tudo, menos profissional. Ela separava tudo.
Enquanto ele se contorcia com uma mistura de expectativa e desconforto, ela pintou com dedicação por uma hora inteira.
"Acabei", ela finalmente declarou, largando o carvão. Sem nem olhar pra ele, ela limpou as mãos. "Pode se vestir agora."
O quê?
O Lord Cavendish na hora se lembrou da rejeição da noite anterior. Uma pontada de dor atingiu ele. Ele não podia deixar se rejeitar tão fácil. Ele era o marido dela, afinal.
"Não", ele afirmou, uma determinação nova endurecendo a voz dele. "Hoje é um dia com número ímpar, Alicia." Ele tinha orgulho, dignidade. Ele não ia ser humilhado tão facilmente. Ele foi pra perto dela, pretendendo agarrá-la, segurá-la, beijá-la, dane-se as consequências.
A Alicia não fez cara feia, nem tentou escapar dele. Ela só estendeu a mão, com a expressão calma. "Tudo bem", ela falou. Ele tava com uma aparência bem boa naquele momento, e ela tava querendo beijá-lo fazia um tempo. "Bonito" era o maior elogio que a Alicia podia dar pra um homem, como um enfeite brilhante, muito bem feito, uma delícia de ver de qualquer ângulo.
O Lord Cavendish parou, surpreso com a aceitação dela. Ele esperava resistência, talvez até raiva. De verdade, uma parte dele tinha esperado provocar ela, ver a compostura dela quebrar. Ele fez biquinho, depois deu uma risada baixa. "Tudo bem."
Ela fez sinal pra ele se curvar, e ele obedeceu, com o rosto dele agora na altura da mão dela. A Alicia estudou as características dele com atenção antes de dar um beijo casto, quase formal, nos lábios dele.
Ela elogiou ele. "Você tá bem bonito hoje."
O sorriso dele se abriu mais, uma expressão radiante de pura alegria. Ele tinha permissão, e ele puxou ela pra um abraço apertado, começando um beijo longo, demorado, um beijo cheio de desejo contido e um toque de vitória. Ele tinha esperado tempo suficiente.
"Eu quero você", ele sussurrou no ouvido dela, com a voz rouca de desejo.
A Alicia segurou os ombros dele, com os dedos afundando na pele dele.
...
Ele tava sendo bem atencioso hoje, um grude de homem, e ela, meio surpresa, tava deixando ele fazer o que queria.
Quando ela foi em direção ao quarto, ele imitou de brincadeira as palavras dela, "Ah, não vai."
"Não tem ninguém aqui, Alicia", ele murmurou, com um sorriso safado no rosto enquanto a abraçava, prendendo ela nos braços dele.
E, pra surpresa dela, ela concordou. Ele só tinha a intenção de provocar, um esporte comum entre eles ultimamente.
Será que ela gostava tanto dele assim?
As pernas dela estavam encostadas nas dele, com as panturrilhas roçando nele de um jeito que só podia ser intencional, mas não.
Mas os olhos dela, aqueles olhos geralmente afiados, que avaliavam, não tinham sinal de desejo, só uma curiosidade profunda, quase científica.
Era como se ela tivesse feito ele o mais novo objeto de estudo dela, como aqueles corpos celestes que ela documentava com tanto cuidado.
"Você é um homem bem atrevido", a Alicia declarou, com o tom mais de uma observação do que de uma bronca.
Só a coberta fina servia como uma barreira magra entre eles.
"Sou atrevido mesmo", ele admitiu, com o sorriso se abrindo enquanto ele segurava o pulso dela, com o toque leve, mas firme. "Você não vai escapar de mim, Ali."
"No que você tava pensando agora?" ela perguntou, com a voz misturando curiosidade e algo mais, algo indefinível.
Ele baixou o olhar, com os cílios dele fazendo sombras no rosto dele. "No que você acha?"
"Em mim?"
"Claro."
"Por que você tá tão diferente agora, tão diferente de você mesmo?"
Foi uma mudança incrível mesmo. O primo dela nunca sorriu tanto na vida dele quanto no mês passado. E as ações dele, tão infantis, pareciam não combinar com um homem da idade dele.
Cavendish estudou as características delicadas dela, com os dedos tirando com cuidado os grampos do cabelo dela, colocando de lado com um clique suave.
A cascata de cabelo dourado caiu livre, uma cachoeira de seda caindo sobre os braços dele.
"Eu não faço a menor ideia", ele confessou, com os dedos traçando a curva macia da bochecha dela. Ela era tão nova. Como eles iam ser em dez anos?
"Alicia, posso te perguntar uma coisa?"
Ela olhou pra ele, com o olhar cheio de perguntas não ditas, se perguntando o que ele ia perguntar.
"Por que você sempre tem que buscar o 'porquê' de tudo?"
Ela encostou no peito dele, pensando nisso. "Porque..."
"Tem que ter uma ordem nas coisas, um padrão nos movimentos delas, como a maçã cai e a lua gira em volta do nosso mundo."
Ela concluiu com convicção.
"Mas algumas coisas, minha querida Alicia, simplesmente são. Elas desafiam a razão."
Assim como o meu amor inexplicável por você.
A Alicia, por outro lado, tava se entregando às sensações passando pelo corpo dela, embora a mente dela ainda não tivesse entendido o significado delas.
Ela se lembrou do começo de tudo isso, desse noivado. Mas o que eles tavam fazendo agora parecia não ter nada a ver com quartos e ter herdeiros.
"Não, eu não desgosto disso. Embora, acho que você pode chamar assim."
Ela escutou as palavras dele, tentando entender.
"Eu só queria confirmar..."
Ele deixou a frase incompleta.
Em vez disso, ele usou os lábios pra expressar o que as palavras não podiam, e a Alicia se lembrou da conversa anterior dele sobre agradar.
Os corpos deles se moveram juntos, mãos dadas, dedos entrelaçados.
...
Na manhã seguinte, ela cumprimentou ele com uma educação que, embora acompanhada pelo beijo matinal de sempre, parecia superficial, no mínimo. Uma simples atuação de dever.
Tinha sumido qualquer vestígio de carinho. Ela podia querer o toque dele, o beijo dele, mas amor? Isso, pelo jeito, era um sentimento que ela não tinha.
Cavendish se viu, mais uma vez, confrontado com a percepção meio perturbadora de que era só o corpo dele que interessava ela. A intimidade deles, pelo visto, se limitava ao mundo do quarto. Uma vez fora daqueles limites, ela voltava a ser a mesma de antes, distante.
Uma sombra passou pelo coração dele, mas ele ignorou rápido.
Gostar do corpo dele era suficiente, não era?
Pelo menos era o corpo dele que ela queria, e não o de outra pessoa.
Mas um nó de inquietação apertou no peito dele. Os entusiasmos dela, ele tinha percebido, eram tão passageiros quanto uma brisa de verão.
Ele tava num estado de oscilação constante, dividido entre a animação e a apreensão enquanto se esforçava pra agradá-la, tomando o máximo de cuidado.
"Você sentiu... satisfação?" ele perguntou, com a voz quase um sussurro.
"Sim", ela respondeu, uma resposta sem o calor de uma manhã de inverno.
E logo, ela recusou o toque gentil dos lábios dele na curva delicada da testa dela. Mais uma vez, ela virou as costas pra ele, mostrando pra ele a pele lisa e perfeita das costas dela.
Foi um eco frio da noite de casamento deles, quando ela tinha recusado os beijos dele.
Ele não tinha previsto essa queda grande nas afeições da Alicia. Mesmo nos momentos de paixão, ela parecia indiferente à presença dele. Era como se, em questões de intimidade, a existência dele não tivesse nenhuma importância.