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Luana apressou o passo pra alcançar o Rey na frente.
O nobre não parecia querer facilitar, apesar de antes, dar a entender que ele era que queria que a Luana ficasse com ele essa tarde. O Rey não tava a fim de nada. Ele só queria respirar o ar puro de Heidelberg.
Faz tempo que ele não andava numa boa em uma das suas cidades preferidas. Só que ele já não tava sozinho, porque uma pessoa nova tava seguindo ele.
Luana manteve uma distância que ela achava segura, ainda sem querer chegar perto do Rey. Não era nada, porque ela sabia que o cara não gostava que ela ficasse por perto.
Passando pelo saguão chique, o Rey nem ligou para os poucos funcionários do hotel que o cumprimentaram. O Jovi tava fora pra cuidar de algo antes que eles fossem mais tarde no jantar.
Virando à esquerda, o Rey parecia mesmo só querer andar. A cidade de Heidelberg era famosa não só pela beleza, mas também pela acessibilidade e o povo gente boa. Olhando pra trás, o Rey checou se a Luana ainda tava lá.
O cara parou de repente, o que fez a Luana também quebrar o passo de repente.
"Por que você parou?" perguntou a Luana inocentemente. Olhando pras costas fortes do Rey, a mulher franziu a testa.
O Rey se virou. Ele achou a Luana se inclinando um pouco pra frente, tentando manter o equilíbrio. As mãos do cara tavam entrelaçadas na cintura, olhando pra Luana com um olhar antipático.
"Por que você tá tão lá atrás?" o Rey deu uma bronca. "Você não disse que queria ser guia turística! Como é que um guia turístico anda atrás do cliente, hein?"
A Luana piscou pros comentários do cara gato. Uma sensação de raiva só a envolveu, porque o Rey tava ficando mais arbitrário. Desde a manhã do encontro deles, o cara não tinha demonstrado a mínima gentileza.
"Tá bom," disse a Luana. A mulher deu três passos pra frente, diminuindo a distância entre ela e o Rey.
"Anda, eu vou ficar logo aqui atrás," falou a Luana de novo. Ela nunca pensou – ou, em vez disso, nunca ousou acreditar – que andaria ao lado do Rey. Podia ter apanhado mil vezes. Que droga!
O Rey bufou de saco cheio. Parecia que a mulher não tinha entendido o que ele tava falando, e a ideia de ter que repetir de novo o fez ficar ainda mais chateado.
"Vem cá!"
O Rey deu três passos pra frente, chegando perto da Luana, que ainda tava tentando manter a distância. Por alguma razão, eles não deveriam estar andando lado a lado!
O Rey puxou a mão da Luana com força, colocando a garota do lado dele agora. Fazendo a Luana prender a respiração, seu olho ardendo de tanto arregalar.
"Ei, eu não posso-"
"Anda!" o Rey mandou firme. Sem tentar ignorar a recusa aparente da Luana, o cara ficou em silêncio até que a Luana fez um "sshh" baixinho.
"Eu não posso ficar do seu lado," ela sussurrou. A voz dela tava bem baixa, mas o Rey conseguiu ouvir as palavras com clareza por causa da proximidade.
"Você tá me fazendo perder tempo, Luana!" o Rey rebateu mais tarde. Sem responder de propósito a frase da Luana mais cedo, o cara mudou de assunto.
Vários pedestres pareciam ter percebido eles, talvez concluindo que o Rey e a Luana eram namorados tendo uma briga boba.
A Luana olhou em volta, mas não tinha muito tempo pra pensar agora.
"Tudo bem," ela falou mais tarde. Ela orou em silêncio pra não dar de cara com gente do passado dela, ou pelo menos orou pra que ninguém a reconhecesse ali.
Porque ele realmente não merecia estar ao lado de um nobre de alta casta como o Rey Lueic.
O Rey ainda tava esperando.
"Vamos," a mulher falou dessa vez. Deixa pra lá. Ela queria curtir essa cidade linda de qualquer jeito. "Você quer comprar alguma coisa?"
A Luana inclinou a cabeça, olhando pro Rey pelo seu olho bronzeado deslumbrante. O Rey instintivamente desviou o olhar da Luana, piscando duas vezes, seguido por um olhar severo.
Por que o rosto dessa mulher parecia... suave?
"O que você pode comprar aqui?" perguntou o Rey. "Onde você tá me levando?"
A Luana pintou um sorriso fraco nos lábios rosados. O cabelo dela tava se movendo no vento, e a mão dela ainda segurava a bolsa transversal no ombro. Ela não sabia o quão bem o Rey conhecia a cidade, mas fazia parte da vida dela.
"Qualquer coisa," respondeu a Luana levemente. "Qualquer coisa que você quiser, você acha aqui. Eu não sei se Kornmarkt vai te agradar, mas lá você consegue conhecer como essa cidade realmente é."
O Rey sorriu. A Luana tinha começado a cumprir o papel de uma esposa substituta e de guia turística. Sem querer parecer tão simpático, o Rey assentiu como resposta.
"Deixa eu ver se os seus gostos combinam com a casta a qual você pertence," a ironia do cara era óbvia.
A Luana segurou a raiva no coração, querendo socar o cara arrogante naquele momento. Mas ela sabia que não teria coragem pra fazer isso, então ela sorriu de novo.
"Venha, honrado Sr. Rey," a Luana falou num tom de voz que parecia forçado. "Me siga!"
***
Kornmarkt é um dos maiores mercados de Heidelberg, que geralmente é a escolha de turistas e moradores locais pra passar o tempo. Ande pelas ruas de Kornmarkt, famosa pelas barraquinhas de souvenirs, e pare no fim da rua pra curtir o pôr do sol com o rio calmo fluindo de fundo.
A Luana certamente conhecia bem a cidade. Seus passos não vacilaram nem um pouco, acompanhando o Rey enquanto ele continuava a se mover pelas barracas da pequena rua Kornmarkt. O sol da tarde acompanhou eles, se misturando com a humanidade agitada que lotava o mercado.
A Luana explicou algumas vezes, trocando olhares com o Rey, que fingia estar descontente. Ele usava uma expressão indiferente, mas o cara ouvia claramente cada palavra que a Luana falava.
"Olha isso!" a exclamação da Luana desviou o olhar do Rey, seguindo pra onde sua falsa esposa tava apontando.
A Luana arregalou o sorriso, sem conseguir conter a animação que permeava a tarde dela.
"As pessoas caçam imãs de geladeira como esse," explicou a Luana. "Não só de fora, mas também de fora da cidade, eles compram isso como lembranças."
Ela apontou pra um imã de geladeira de souvenir exposto na vitrine de uma das lojas.
O Rey lançou um olhar furioso.
"Não me diga que você mandou eu comprar isso," o Rey zombou. O cara cruzou os braços no peito, olhando direto pra Luana, que balançou a cabeça.
"Não," a Luana respondeu rápido. "Pra quê? Eu quero voltar às vezes, mas ter algo assim só vai me fazer sentir mais falta da cidade. Eu prefiro não ter, mesmo que eu quisesse."
O Rey deu um sorrisinho. Que diabos era isso que a mulher tava falando?
A Luana balançou os passos de novo, apontando alternadamente pra algumas das lembranças típicas que os turistas queriam comprar como lembranças. Parece incompleto se a gente não comprar lembranças sobre uma cidade quando a gente visita ela.
O Rey pensou em silêncio, observando a Luana que ainda tava olhando em volta.
"Espera aí!" chamou o Rey, parando a Luana.
A mulher se virou.
"Sim?" ela perguntou. "O que foi, você quer voltar?"
O Rey pigarreou. Respirando algumas vezes, o cara tava debatendo se devia ou não seguir com o plano dele.
"Eu vi uma cafeteria ali," disse o Rey, apontando pra uma cafeteria com um guarda-sol redondo. A Luana se virou, direcionando o olhar na direção que o Rey tava apontando.
"Uh-hum. Então, você quer um café?"
O Rey balançou a cabeça fracamente.
"Vai lá e me espera," o Rey ordenou. "Eu preciso ligar pra alguém."
O olho da Luana se apertou por um momento, mas aí ela assentiu com a cabeça.
"Tudo bem," ela concordou. "Eu vou estar lá."
O Rey levantou uma sobrancelha, esperando a Luana se virar e dar um passo pra sair, ainda paralisada no lugar. Depois de achar a Luana longe o suficiente de onde ele tava agora, o Rey se virou pra andar pelas lojas que ele tinha passado antes.
Os passos do cara pararam bem na loja que a Luana tinha apontado antes, olhando em volta na frente dela até que um homem de meia-idade o cumprimentou com um sotaque característico de Heidelberg.
"Bem-vindo, senhor. Precisa de alguma coisa?" o cara perguntou gentilmente, desenvolvendo um sorriso tão largo quanto seu rosto.
O Rey pigarreou baixinho. Seu dedo apontou pra um dos imãs de geladeira, seguido por uma risadinha. Como se ele tivesse com medo que alguém ouvisse o que ele tava dizendo.
"Eu quero esse," disse o Rey em um meio-sussurro. "Por favor, embale um pra mim."