20
Luana piscou umas vezes.
Ela nunca tinha dormido numa cama tão grande e sorridente, e na noite passada, ela pareceu completamente perdida em sonhos.
Foi tão bom que Luana nem percebeu que era manhã. Ela estava acostumada a acordar antes mesmo do amanhecer todos os dias. Mas hoje, ela continuou a dormir mesmo quando o sol já tinha nascido e brilhava.
Esfregando os olhos inconscientemente, Luana deitou-se com os olhos abrindo lentamente. Quando ela se lembrou de que não estava sozinha naquela cama, Luana virou a cabeça para o lado rapidamente.
Com a intenção de verificar onde Rey estava, mas o lado esquerdo da cama já parecia vazio.
Levantando-se lentamente para sentar na cama grande, Luana percebeu que estava sozinha novamente. Rey não estava mais à vista, provavelmente tinha ido embora ou talvez estivesse cuidando de seus outros assuntos de negócios.
Esticando os músculos, levantando as duas mãos no ar, Luana bocejou, sentindo-se muito bem naquela manhã.
"Você está acordada?"
Mas a atividade foi interrompida apressadamente; neste momento, os ouvidos de Luana captaram uma voz familiar.
Sem perceber, Rey tinha aparecido do nada, agora de pé na beira do sofá e olhando diretamente para ela. O cabelo do homem ainda parecia molhado, e parecia que ele tinha acabado de sair do banho.
Um par de calções até o joelho tinha sido usado por Rey naquela manhã, combinados com uma camiseta verde macia com padrões abstratos. A mão do homem segurava uma toalha de tamanho médio, que estava jogada sobre seus ombros robustos.
A mão de Rey moveu-se para enxugar o cabelo, fazendo Luana parecer uma tola novamente.
O homem caminhou até o sofá e sentou-se nele.
"Prepare-se", disse Rey. Sua voz ecoou por toda a sala quando ele jogou a toalha para o lado. Pegando o aparelho que ele tinha colocado na mesa de vidro, Rey estava focado em rolar pela tela agora.
"Você vai trabalhar?" Luana perguntou hesitantemente. Ela não tinha ideia do que eles estariam fazendo lá e por quanto tempo ficariam na cidade de Heidelberg.
Rey ainda não tinha olhado para cima de seu celular.
"Meu trabalho está feito", ele respondeu sem se virar. "Hoje e nos próximos dias serão apenas de relaxamento até chegarmos em casa."
Luana não sabia o que significava a palavra relaxar, que Rey acabara de dizer. Ela simplesmente não estava acostumada a estar perto daquele homem, embora repetidamente se lembrasse de que não era mais uma serva na família Collins.
Ela era Luana Lueic, a esposa legal do belo nobre que estava atualmente roubando sua atenção.
"Nós vamos sair?" Luana falou novamente, movendo-se lentamente para sair da cama.
Sem responder com palavras, Rey apenas deu um aceno silencioso e ensurdecedor depois. O homem parecia ter estado muito focado no que estava observando na tela, não prestando mais atenção em Luana, que agora estava começando a caminhar em direção ao banheiro.
A mulher não queria perder tempo e não queria que Rey gritasse de volta, pensando que ela era lenta como um caracol.
Fechando a porta do banheiro, Luana entrou para se limpar rapidamente. Ela não sabia o que eles fariam, mas esperava ter tempo suficiente para aproveitar a cidade.
***
Luana se preparou alguns momentos depois. Ela já estava usando um vestido macio branco até o joelho com flores espalhadas pelos ombros e cintura.
Rey ainda estava em sua posição anterior, assim que ela saiu do banheiro.
Aproximando-se de Rey, ainda focado em seu celular, os olhos de Luana captaram a toalha molhada que Rey tinha usado antes, ainda ao lado do homem.
Sem hesitar, Luana pegou a toalha sem dizer nada. Depois de se virar, Luana acabou caminhando direto de volta para o banheiro.
Surpreso com a ação de Luana, Rey virou a cabeça rapidamente, observando como ela tinha desaparecido atrás da porta do banheiro.
Quando Luana voltou, Rey estava em pé com o telefone enfiado no bolso da calça.
"O que você está fazendo?" o homem perguntou, confuso, olhando diretamente para Luana, que tinha parado de passear.
Luana engasgou. Ela também não sabia por que estava fazendo aquilo, era só que Luana parecia estar acostumada a arrumar tudo o que estava espalhado.
Incluindo toalhas molhadas como antes, que não deveriam estar lá.
"O que você quer dizer?" Luana perguntou de volta. "Eu não fiz nada."
Percebendo que suas ações poderiam despertar suspeitas, Luana tentou evitar o olhar de Rey que ainda estava direcionado a ela. O homem seguiu para onde Luana se moveu, até mesmo virando seu corpo para seguir os movimentos de Luana, que agora estavam indo em direção à penteadeira.
Rey realmente não esperava que Luana fizesse aquilo, porque tudo o que ele sabia era que os empregados deveriam fazer o trabalho.
"Você não deveria ter feito isso", disse Rey novamente, ainda sem tirar os olhos do mesmo objeto de antes.
Luana não retribuiu o olhar do homem, escolhendo em vez disso observar seu reflexo no espelho.
"Eu não fiz nada", disse Luana baixinho. "É só que estou acostumada a arrumar as coisas. Não me parece certo quando algo está fora do lugar."
Rey ficou em silêncio por alguns segundos. O canto do olho dele notou como os movimentos de Luana eram fluidos quando a mulher aplicava creme no rosto, sem exagerar na maquiagem.
"Haverá alguém para fazer isso por você", disse Rey novamente. "Você não precisa se preocupar com pequenas coisas como essa."
Luana virou a cabeça.
O homem sempre parecia criticar cada coisa que ela fazia, mas naquela manhã a crítica de Rey parecia estar além do limite. Luana só fez algo para garantir que a toalha molhada não acabasse no sofá, que era para secar no banheiro.
Ela não sabia por que Rey fez tanta coisa de suas ações.
"Sr. Rey, farei o que acho que posso", disse Luana. "Realmente não me cansa, então você não deveria me criticar por pequenas coisas como essa."
Rey endureceu a mandíbula.
O que Luana disse era verdade, porque certamente não exigia esforço extra para secar a toalha que havia sido usada.
O problema agora era que Rey não conseguia conter a turbulência que estava presente em seu coração. Ele até virou o rosto para longe do aparelho que exibia o gráfico de crescimento de seus negócios, apenas por causa de uma pequena ação que Luana fez sem perceber.
Era apenas uma cena de secagem de toalha, mas Rey sentiu como se um raio o atingisse ali mesmo, por alguma razão.
Luana ficou em silêncio por alguns segundos, mas pareceu que Rey ainda não ia responder. Então a mulher escolheu terminar sua maquiagem, agora levantando-se da cadeira estampada de flores enquanto sacudia seu vestido.
Luana apenas passou pó levemente no rosto, desta vez deixando o cabelo molhado solto. Ela se moveu para pegar a bolsa de mão na mesa, colocando algumas de suas necessidades nela.
Uma carteira que não continha muito dinheiro, alguns grampos de cabelo, um elástico de cabelo dourado e um gloss labial, caso o sol deixasse seus lábios rosados secos.
Ao virar-se para pegar seus sapatos baixos, a voz de Rey preencheu a sala novamente.
"Só não faça isso de novo", ele sussurrou, mas ainda podia ser claramente ouvido.
Luana retribuiu o olhar direto de Rey, juntando os lábios quando ele pareceu querer continuar.
"Não aja como minha esposa", disse o homem. "Você deve saber onde está, então não ultrapasse seus limites."
Rey já tinha se virado, dando um passo para se afastar de onde estava parado.
Sem dar a Luana espaço para responder à sua última frase, o homem nem sequer olhou para trás até quase chegar à maçaneta da porta.
Criando uma distância que se estendia entre Luana e ele, Rey ainda estava tentando se controlar.
"Porque se você agir como minha esposa, temo que eu aja fora de mim", Rey sussurrou para si mesmo em voz muito lenta.