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As pernas da Dona Luana começaram a formigar.
Ficar na mesma posição por várias dezenas de minutos, na real, fez as pernas da Luana começarem a ficar dormentes, mas devagar.
Tentando ficar sentada sem se mexer para não incomodar o Rey que estava dormindo, a Luana mordia o lábio repetidamente para se livrar da sensação de formigamento.
Até que um segundo depois ela não conseguiu resistir, então tentou mexer as pernas devagar. O movimento que acabou acordando o Rey do sono profundo, seguido por uma carranca perfeitamente aberta.
Por que a Luana está no meu colo?
Essa foi a primeira pergunta que veio na cabeça do nobre, mas ele parecia não ter intenção de deixar a Luana descer dali.
Erguendo a cabeça aos poucos, os olhos do Rey encontraram a carranca da Luana então.
"Você... Você tá acordada?" Luana perguntou hesitante. Era óbvio que ela estava escondendo algo, indicado pela carranca que estava claramente estampada na testa dela.
"Você tá bem?"
Puxando o canto dos lábios, Luana fez uma careta suave. "Minhas pernas estão com cãibras... As duas."
Ouvindo o relato da jovem, o Rey de novo pareceu surpreso. Piscando enquanto tentava ajudar a Luana a se mexer, o Rey estava pensando na melhor forma de evitar que a Luana sentisse dor.
"Só espera aí," Rey sussurrou.
Com um movimento rápido, o homem baixou o corpo, enfiando o braço forte entre as pernas duras da Luana.
O toque do Rey ali embaixo fez a Luana fazer careta de novo, sentindo o formigamento subindo pelas coxas dela agora. Com outro sentimento estranho invadindo o peito dela agora.
"Dói?" Rey virou a cabeça. "Só aguenta mais um pouquinho."
A Luana mordeu o lábio de novo, assim que o Rey se moveu rapidamente para levantar o corpo pequeno da garçonete em seus braços. Levando a Luana para se sentar no sofá, o Rey ajudou a esposa dele a esticar as pernas.
"Ainda dormente?" Dessa vez foi o Rey que se ajoelhou no chão, com o corpo posicionado perfeitamente de frente pra Luana.
A Luana massageou as pernas suavemente, lutando contra o formigamento com todas as forças. Doía um pouco, mas ela estava bem.
"Vou chamar o garçom." O Rey estava quase se levantando, mas dessa vez o braço da Luana segurou o braço do homem reflexivamente.
Balançando a cabeça, a Luana deu uma recusa bem sutil.
"Eu tô bem," ela disse tranquilizando. "Tá dormente, mas não dói nada."
O Rey exalou antes de se ajoelhar de volta no chão. Olhando culpado para a Luana, o nobre pigarreou suavemente.
"Me desculpa por ter dormido," o homem disse, soando sincero. "Se eu não tivesse dormido, você não estaria sentindo essa dormência. Tem certeza que você tá bem?"
A Luana assentiu rapidamente, entre as mãos dela que ainda estavam massageando as pernas suavemente.
"Você parece muito cansado, Sr. Rey," ela respondeu. Os olhares deles se encontraram, enquanto a Luana falou de novo.
"Você devia cuidar da sua saúde," a Luana continuou. "Trabalhar te dá um monte de grana, mas, confia em mim, uma boa noite de sono não se compra com nenhuma quantia de dinheiro."
O Rey ficou em silêncio enquanto ouvia a Luana dizer isso, concordando silenciosamente com o que a esposa dele tinha acabado de dizer. Ele é, de fato, alguém que é viciado em trabalho, até tende a ser perfeccionista.
Não era incomum o Rey se afogar em uma pilha de trabalho até esquecer do tempo, até mesmo esquecer de fornecer a melhor ingestão para o corpo dele que era forçado a trabalhar duro.
E ele certamente já tinha ouvido um monte de conselhos parecidos com esse antes, mas de alguma forma as palavras da Luana dessa vez soaram diferentes. Não soou como um conselho, mas mais como um pedido.
"Você quer que eu trabalhe menos?" o homem perguntou com o olhar ainda fixo. "Se você pedir, então eu vou."
A Luana assentiu rapidamente, embora a pergunta do Rey tenha soado com duplo sentido.
"Claro," Luana disse sem piscar. "Você já é rico mesmo, não precisa sacrificar sua saúde pra acumular cofres."
A dormência tinha sumido completamente quando a Luana abaixou os pés devagar no chão. Ela já estava se sentindo bem melhor, e estava agradecida por não ter causado um escândalo só por causa dos pés dormentes dela.
A Luana achou que a conversa tinha acabado, mas o Rey não pareceu concordar. Porque agora o homem foi ouvido falando.
"Eu tenho que trabalhar duro pra te deixar confortável," Rey disse dessa vez. A frase chamou a atenção da Luana, forçando-a a olhar de volta pro Rey que ainda estava ajoelhado no chão.
Prestando bastante atenção no Rey, a Luana escolheu ficar em silêncio por alguns segundos.
"Como Sra. Lueic, eu não quero que falte nada pra você," Rey continuou. A mão do homem pousou na coxa dela, enquanto a Luana, involuntariamente, arregalava os olhos e piscava.
"Senhor, eu não--"
"Eu sei," Rey disse rapidamente.
Jogando o olhar pela sala, o Rey estava checando e garantindo que não havia mais ninguém além deles ali.
"Eu sei que isso é só temporário," o nobre disse de novo. "Mas eu te devo muito, e espero que você use todas as facilidades que eu vou fornecer."
A Luana ainda não tinha entendido onde o Rey queria chegar com isso. O homem na frente dela tinha acabado de acordar do sono, mas por que ele soava tão sério?
"Aceite tudo que eu te der," o homem repetiu. "Aproveite seu tempo como Sra. Lueic, mesmo se você escolher... ir embora. Ir embora."
Havia uma nota de indecisão na voz do Rey agora mesmo, embora o homem não soubesse se a Luana conseguia detectar ou não.
Houve silêncio entre os dois enquanto eles lutavam com seus próprios pensamentos, até que a Luana falou primeiro dessa vez.
"Uhm, tudo bem," ela respondeu hesitante. "O que eu devo aceitar de você?"
O Rey respirou aliviado, enquanto ele se moveu pra se levantar e sentar bem perto da Luana.
Puxando algo do bolso da calça, o Rey ergueu um cartão preto com tinta dourada escrita nele. Entregando o cartão pra Luana, o Rey de uma vez fez a dele.
"Esse é o seu cartão, então pode usar ele como quiser," o homem disse. "Use pra fazer compras, se divertir, ou fazer o que for. Esse cartão ainda tem um limite de uns 500 mil euros, então gasta."
A Luana ficou chocada quando ouviu a quantia mencionada pelo Rey, porque ela nunca tinha imaginado tanto dinheiro. Sem falar em quinhentos mil euros, o salário dela de cinco anos nem chegava a cinquenta mil euros.
Embora hesitante, a Luana finalmente balançou a cabeça. Ela não sabia pra que usar o cartão, mas tanto fazia aceitar pra acabar com essa conversa.
"Tudo bem," a Luana finalmente disse. "Eu vou aceitar isso, obrigada."
O Rey tinha sorrido levemente, esperando que a Luana realmente aproveitasse todas as coisas como outros nobres. Ele não sabia se a Luana já tinha tanta riqueza que ela nem pedia, ou se era porque ela não queria se envolver demais com ele.
Mas o Rey em vez disso queria envolvê-los o máximo possível, embora os motivos dele pra fazer isso ainda fossem vagos.
"Eu fico feliz que você finalmente entendeu," Rey cumprimentou feliz. "Ah, sim, e mais uma coisa...."
A Luana ainda estava olhando pro cartão preto, então virou a cabeça pro Rey. "Sim?"
O Rey pigarreou suavemente. "Eu ouvi dizer que você tem o cartão de visita da amiga da Rouletta. Você quer entrar pro clube?"
A Luana tinha quase esquecido da sociedade, mas ela lembrou que ainda tinha o cartão de visita que a Rouletta tinha dado pra ela em Leipzig em uma gaveta.
"Ah, sobre isso--"
"Você quer tentar?" Rey perguntou com os olhos brilhando. "Ter uma associação vai te deixar conhecida e respeitada, e você vai ter amigos pra passar o cartão com você."
A Luana suspirou de novo. Os olhos dela reviraram, seguido por um aceno forçado. Mas essa era a vida dos nobres de alto nível, mesmo que a Luana nunca tivesse pensado em se tornar uma deles.
"Tudo bem," a Luana finalmente disse. A mulher teve um sorriso fraco.
"Você pode contatar ela," Rey disse. "Eu vou te levar pra ela amanhã à tarde, se ela puder te encontrar amanhã. Eu vou estar em casa cedo."
E de novo a Luana só pôde acenar fracamente. "Ok."
O Rey pareceu ainda mais animado, sinalizado por um sorriso aberto.
"Então, vou subir primeiro," disse a Luana. O cartão ainda estava na mão dela, ela segurava ele com todo o corpo e alma e medo.
O Rey também se levantou do sofá. "Ok."
A Luana andou primeiro, planejando procurar o cartão de visita que a Rouletta tinha dado pra ela outro dia. Ela provavelmente ligaria depois disso.
Assim que os pés da Sra. Luiec tocaram o primeiro degrau, a voz do Rey tocou de novo no fundo.
"Luana!"
Virando o corpo reflexivamente, a Luana olhou pro Rey que agora estava de pé. O casaco do homem estava aberto, revelando a camisa um pouco enrugada dele.
"O pino é a data do nosso casamento," Rey disse em um tom meio silencioso. A voz dele ecoou na sala grande, enquanto a Luana franziu a testa sem entender.
"Hã?"
O Rey deu alguns passos pra frente, chegando mais perto da esposa dele que de alguma forma ficou bonita mesmo nas circunstâncias.
"O pino," o homem repetiu. Como a distância tinha diminuído, a Luana conseguiu ouvir o Rey claramente.
"O pino são os seis dígitos da data do nosso casamento," o nobre repetiu. "Pra você lembrar disso facilmente."