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Já fazia dois dias que o Jovi tinha voado pra Sidney, Austrália, pra fazer a missão que o Rey tinha dado pra ele.
O nobre já tava totalmente recuperado, e as alergias dele de ontem já tinham sumido. Claro, foi por causa da mistureba de remédios e pomadas que ele tava usando, mais a noite especial que ele tinha passado com a Luana.
A Luana já tava na cozinha cedo naquela manhã, enquanto o Rey ainda tava no quarto se arrumando. O cheiro de torrada tinha invadido a cozinha da mansão do Rey Lueic, com a Luana mandando ver.
"Põe um pouco daquela geleia, Mare", a Luana apontou pra fileira de geleias bonitinhas, escolhendo a de uva pra ela naquela manhã.
"Sim, senhora!"
Por alguma razão, o apetite da Luana tinha aumentado horrores ultimamente, e ela tinha pedido umas paradas 'diferentes' várias vezes.
"Me dá aquela geleia também, Mare." A Luana apontou pra outro pote de geleia de chocolate, que de repente tava com uma cara boa. "Põe mais!"
A Mare sorriu feliz enquanto espalhava a geleia que a Luana pediu, e depois jogou as duas pilhas de torrada pra dona delas logo em seguida.
"Obrigada, Mare!"
Ela quase babou, com os olhos grudados no pão que a Mare tinha oferecido pra ela. Bem na hora que ela ia se virar pra ir pra sala, a Luana tomou um susto com alguém gritando lá em cima.
A galera que tava trabalhando lá embaixo também parou o que tava fazendo na hora, e olhou pra cima por uns segundos. Porque o berro foi bem alto, e deixou a Luana com uma interrogação na cabeça.
"O que tá pegando?" ela murmurou baixinho.
A Mare já chegou perto e ficou do lado da Luana, quando ouviu outro grito que parecia um berro de novo.
"Sai daqui!" A voz ecoou. "Me arruma uma igualzinha, ou eu te demito na hora!"
A Luana arregalou os olhos, e o coração deu uma disparada.
Espera, essa era... a voz do Rey!
Um mordomo chamado Markus tava descendo as escadas correndo, com uma cara séria. As duas mãos estavam grudadas na frente do corpo, com os ombros quase caindo.
"Markus!"
O homem parou de andar e virou a cabeça na direção da voz da Luana, que ecoou na sala deles.
"O que foi?" a Luana perguntou curiosa. "Por que o Rey tá gritando tanto?"
O Markus fez uma cara de confuso, mas aí ele deu um passo na direção da patroa dele. Com a esperança de que a moça ia ter uma solução pra o que ele tava enfrentando naquela manhã.
Parando bem na frente da Luana que ainda tava com o prato de torrada, o Markus pigarreou meio sem jeito.
"Desculpa, senhora!" o homem de olhos castanhos falou, quase tremendo.
A Luana fez uma pausa pra balançar a cabeça meio que concordando. "Tá tudo bem. O que aconteceu, Markus? Por que o patrão tá gritando tão cedo?"
O Markus pareceu respirar fundo, levantando a cabeça pra olhar direto pra Luana. Os olhos dele encontraram os da Luana, que sempre passavam uma segurança todo dia.
"O Sr. Rey tá muito bravo, senhora" o Markus gaguejou. "Uma empregada que tá trabalhando faz poucos dias desabotoou a camisa, sendo que o Sr. Rey ia usar ela na conferência essa tarde."
A Luana tentou prestar atenção na informação que o Markus tava dando pra ela, mesmo com o medo que tava no ar, e balançou a cabeça devagar.
"E daí?"
O Markus levantou as duas mãos pra mostrar pra Luana a camisa em questão.
"Essa camisa é edição limitada da McCave" o Markus explicou de novo. "O Jovi me falou o tanto que essa camisa é importante, mas ah... Por que fui tão descuidado?!"
O Markus tava se culpando, mesmo que o erro pudesse ser de outro garçom.
Soltando o ar, a Luana deu de ombros. "E, qual o problema? Se o botão soltou, é só costurar de volta?"
A voz da mulher ecoou pela sala, chamando a atenção das pessoas que estavam ali de novo. Tipo a reação aos gritos de antes, os empregados agora olharam todos pra sua grande patroa.
O Markus arregalou os olhos, com uma cara de descrente.
"E-esse...", o Markus ainda tava tentando falar. "Não tem mais da mesma edição na loja hoje, então vai ter que esperar mais dois dias. O Sr. Rey..."
As lombrigas da Luana já tavam pedindo torrada com geleia de uva e chocolate, mas parece que a conversa delas ainda ia demorar um pouco.
"Ele podia ter usado outra coisa" a Luana murmurou, meio desligada. "Por que ele tá gritando, Markus?"
A Mare resolveu explicar dessa vez, e esfregou o braço da Luana de leve. Chegando mais perto, a empregada sussurrou no ouvido da patroa.
"O patrão sempre usa as roupas que tão prontas pra conferência, Madame" a Mare sussurrou. "Ele não costuma ser gente boa de trocar de roupa fácil, nem usa roupa com costura manual."
Franziu a testa ainda mais, a Luana agora balançou a cabeça sem acreditar.
"Quê? Por que tanta arrogância, hein?" resmungou a Luana, começando a se irritar, com um tom de voz que subiu sem ela perceber.
A voz da Luana ecoou de novo, e agora os empregados que estavam lá escolheram sair de fininho da parada. Parecia que ia dar ruim depois dessa.
O Markus ainda tava segurando a camisa com todo cuidado, quando os olhos da Luana agora foram na mesma direção.
"Você tá com o botão solto, Markus?"
O Markus concordou. "Tô aqui, senhora."
"Me dá." A Luana pegou a camisa da mão do Markus e deu uma olhada.
Virando pra Mare, ela deu uma ordem clara. "Pega meu kit de costura, Mare."
A Mare concordou, e virou rápido pra pegar o que a Luana pediu.
O Markus ainda tava esperando, botando todas as esperanças na Luana agora. A raiva do Rey não vinha sempre, mas quando vinha... ele não perdoava.
A Mare chegou uns minutos depois e colocou o kit de costura da Luana na mesa.
A Sra. Lueic sentou direto no sofá, botando a camisa do marido no colo. Escolhendo linha e agulha rápido, a Luana se mexeu com jeito, costurando o botão na base da manga solta.
"Tomara que ele não fique bravo de novo" a Luana murmurou, com os movimentos das mãos bem pensados, parecendo que já tava acostumada.
Passando uns minutos pra botar o botão de volta, a Luana terminou as costuras bem direitinho.
"Espero que esteja bom" ela falou, com esperança. Cortando a linha que ainda tava grudada, a Luana sorriu, satisfeita.
Levantando a camisa com as duas mãos, a Luana agora tava sorrindo. Levantando da cadeira, a Luana deu uma balançada de cabeça rápida pro Markus.
"Fica tranquilo, Markus. Eu vou resolver isso" a Luana falou, sincera.
O Markus pareceu concordar, agradecido, torcendo pra que o patrão não gritasse de novo depois disso.
"Obrigado, senhora! A senhora me salvou!"
A Luana ainda tava sorrindo. "Agora volta lá. Não demite a empregada nova, mas você tem que ensinar ela direito. Eu vou subir agora."
A Mare deu uma olhada rápida pra Luana, concordando pra dar apoio. Deixando a torrada sem tocar na mesa, a Luana subiu as escadas uma por uma.
O peito dela subia e descia enquanto ela pegava na maçaneta da porta, torcendo pra que isso diminuísse a raiva do Rey, mesmo que fosse só por hoje.
"Se não achar nada parecido, volta aqui, Markus!" A voz do Rey tinha sido ouvida primeiro, mesmo que o homem não soubesse quem tava na sala agora.
O nobre tava de costas pra porta, com as mãos na cintura, olhando pra fora da janela.
Sem nada na parte de cima do corpo, o Rey não percebeu que tava mostrando as costas pra alguém.
A Luana chegou perto, com a voz baixa.
"Eu não quero mais aquela empregada aqui, então manda ela embora na hora. Tá entendendo?"
Bem na hora que o Rey virou com um movimento rápido, a Luana abriu o sorriso mais doce.
Os olhares se encontraram, e o Rey pareceu surpreso agora.
"Luana?"