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“E aí, como foi o teu primeiro encontro, Luana?”
Luana virou a cabeça para ver quem tinha falado com ela de um jeito tão gentil uns segundos atrás.
Ela ainda segurava firme uma xícara pequena de chá quente nas mãos, já que agora estava no jardim, não muito longe do prédio principal do Der Beste.
Era o dia do primeiro encontro dela, que também era o fim de semana.
“Ah, Sr. Pedro,” Luana o cumprimentou gentilmente. “Que bom da sua parte. Eu me adaptei rapidinho, e a Valerie ajudou muito. Você acabou de chegar?”
Luana ainda estava olhando para cima quando deixou seus olhos lindos encontrarem os olhos escuros do Pedro, que estava todo charmoso naquela tarde com uma camisa marrom clara com uns detalhes abstratos.
O lutador deu uma balançada de cabeça.
“Que bom, fico feliz que você esteja gostando do clube.” Pedro sentou do lado da Luana sem cerimônia, colocando a lata de cerveja aberta entre eles.
Luana não mudou a posição nem um pouco. Estar perto do Pedro e conversar com ele era muito bom.
Afinal, a primeira parte da reunião tinha sido toda sobre ele. Ele precisava de um pouco de ar fresco agora, e conversar com um amigo provavelmente ia completar o dia dele.
“Tive que resolver umas coisas,” o Pedro disse de novo. “Então cheguei tarde. Mas a reunião foi boa mesmo sem mim, né?”
“Claro.” Luana tomou um gole de chá no canto dos lábios. “Esses são os nobres mais finos da cidade, e eu me sinto muito honrada por estar entre vocês.”
Tinha um tom amargo que Luana tentou esconder, mas que era bem audível para os ouvidos do Pedro. Olhando para ela, o Pedro girou a lata de cerveja, com os lábios apertados.
Os olhos dele estavam observando, como se estivesse pensando em silêncio.
“Você não tá com o Rey? Não vi ele lá dentro.”
Luana desviou o olhar por um instante antes de sorrir fraco em seguida. “Ah, sim. Ele disse que tinha algo urgente depois da conferência hoje à tarde, então só me deixou aqui e provavelmente vai me buscar daqui a pouco.”
O Pedro pareceu concordar com a cabeça, antes de levantar a mão para tomar outro gole da cerveja gelada na tarde com vento.
Deixando o ar fresco cumprimentar os dois, enquanto eles admiravam as flores e as árvores que enfeitavam a rua à frente.
“Tenho seu número, Luana,” o Pedro disse, quebrando o silêncio. Chamando a atenção da Luana para se virar, ele olhou para ela de um jeito diferente.
Os olhos da Luana rolaram lentamente. “Hmm?”
“Eu te falei, tenho seu número,” o Pedro explicou de novo. O homem ajeitou a posição do corpo para sentar mais reto agora.
Respirando devagar, o Pedro parecia meio sonhador.
“Qualquer hora se precisar de ajuda, pode ligar para o meu número.” Pedro juntou os cantos dos lábios para fazer um sorriso, com um olhar que não mudava nada.
Tinha um olhar diferente nos olhos do homem naquela tarde, um que Luana tinha certeza que continha compaixão e empatia.
Mas empatia por quê, a Luana realmente não entendia.
“Mas eu…,” Luana tentou acompanhar a conversa deles naquela tarde. “Eu não tenho o seu número.”
O Pedro riu e enfiou a mão no bolso da calça para tirar um objeto plano e escuro de dentro.
Deslizando na tela para ativar, o homem ainda segurou a risada.
“Eu também não tenho o seu número,” o Pedro disse com os dedos em movimento. “Mas como estamos no mesmo clube, consegui rastrear seu número no nosso grupo do chat.”
A Luana piscou duas vezes antes de perceber como o Pedro tinha conseguido o número dela.
Ah, o grupo dos nobres!
Ela se lembrou que a Valerie tinha adicionado o número dela no grupo de chat dos membros da realeza, com quase quarenta membros, e claro, o Pedro e a Valerie estavam lá também.
Pensando que ela estava realmente desatualizada por alguns segundos, a atenção da Luana foi distraída pelo toque do celular que agora soava entre eles.
Percebendo que vinha do próprio aparelho dela, a Luana enfiou a mão na bolsa onde o telefone estava.
“Esse é meu número.” O Pedro pegou e balançou o celular algumas vezes. “Guarda, você pode precisar da minha ajuda algum dia.”
A Luana balançou a cabeça quando viu a chamada perdida na tela, e salvou o número como o Pedro instruiu.
Embora ela não soubesse quando poderia precisar de ajuda, guardou de qualquer jeito. No mínimo, amigos deviam guardar os números de telefone uns dos outros, certo?
“Tá bom,” a Luana disse feliz. “Eu salvei seu número, Sr. Pedro.”
“Pedro, por favor.” O homem sorriu brevemente. “Me chama de Pedro, igual você chama a Valerie e os outros. Combinado?”
A Luana não conseguiu evitar sorrir de volta para o Pedro, porque ele realmente parecia tão amigável e gentil.
Era como fazer um amigo novo, principalmente agora que eles tinham trocado números. O do Pedro foi o terceiro contato da Luana, depois da Valerie e do Rey, que tinham sido salvos primeiro.
“Tudo bem, Pedro,” Luana o cumprimentou meio sem jeito. “Que bom da sua parte, mesmo eu te deixando pra morrer no nosso primeiro encontro.”
As palavras da Luana levaram os dois de volta para Heidelberg, o lugar onde eles se conheceram pela primeira vez, quando a Luana tinha acabado de se tornar esposa do Rey Lueic.
E essa não foi a última vez que se encontraram, porque é onde eles estão agora. Embora não mais em Heidelberg, de fato, o universo até juntou os dois na mesma associação.
“Que bom te conhecer, Luana,” o Pedro disse sinceramente. O homem virou a cabeça brevemente, olhando para o rosto lindo da Luana, que brilhava mesmo sem muita maquiagem.
“Você me chamou a atenção desde o começo,” ele continuou. “Se você tivesse me conhecido primeiro, acha que as coisas teriam sido diferentes?”
A Luana ficou em silêncio, confusa.
Que tipo de pergunta era essa?
A Sra. Lueic ainda estava tentando formular uma resposta, mas uma exclamação no fundo quebrou a tranquilidade deles.
“Luana!”
Era a voz do Rey.
De repente, a Luana olhou para trás e viu o marido balançando a cintura bem do lado do carro do homem.
“O Rey chegou,” Luana disse gaguejando. Levantando da cadeira, ela pegou a bolsa que ia segurar mais tarde. “Tenho que ir, Tu-Pedro.”
O Pedro endureceu a mandíbula, seguido por um suspiro audível, e também se levantou para ficar de pé agora.
O Rey olhou para eles de longe, com uma expressão apertada, sem o mínimo sorriso no rosto. A expressão dela era claramente de desgosto, enquanto ela murmurava para si mesma. “Por que aquele Visconde ainda está em Munique? Ele não devia estar voltando para Heidelberg?”
“Tudo bem,” o Pedro respondeu rapidamente. “Volte em segurança, e não se esqueça de me ligar se precisar de alguma coisa. Afinal, somos amigos agora?”
A Luana balançou a cabeça rapidamente, conseguindo um sorriso antes de ir até o marido.
Acenando brevemente, ela agora tinha ido embora completamente da presença do lutador.
Os olhos do Pedro ainda estavam fixos profundamente, mesmo quando a Luana entrou no carro e saiu do estacionamento do prédio do Der Beste, não muito tempo depois.
As rodas tinham levado o Rey e a Luana para mais longe, deixando o Pedro de volta na cadeira com uma cerveja na mão.
O olhar do homem era direto, com a mente vagando por algum lugar.
“Se ela voltar mesmo, como você vai lidar com ela, Rey?” o homem murmurou distraidamente. “Como você vai tratar ela, e o que você vai fazer com o castelo dela então?”