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O jantar foi bem mais tranquilo do que a Luana tinha imaginado.
Os boatos que circulavam sobre como a família nobre do Rey era respeitada e bondosa, se mostraram verdadeiros.
Além de receber uma calorosa recepção da mãe do Rey, o pai do cara também fez quase a mesma coisa. Ryan cumprimentou a Luana com um sorriso caloroso, embora o grandão não mostrasse muita proximidade.
A diferença da Patrícia, que deu um abraço caloroso e não ficou estranha, Ryan ainda manteve a distância da sua nora. Mesmo assim, a Luana teve um lugar bem bom na família do Rey.
Quase duas horas se passaram, a maioria preenchida com as apresentações entre a Luana e a família nobre.
Palavras de bajulação e parabéns estavam repetidamente no ar, e a Luana foi verdadeiramente o centro das atenções no jantar.
As frases que os membros da família disseram para a Luana soaram quase idênticas.
'Você está muito bonita, Sra. Lueic. Que o seu casamento dure até que a morte os separe.' -Hera, a prima mais velha do Rey.
'Não esperava que o Rey fosse tão esperto em escolher uma esposa.' -Louis, tio do Rey.
'Parabéns pelo seu casamento Luana, que você seja sempre feliz. Venha visitar Dortmund se tiver tempo depois.' -Alana, tia do Rey.
'Eu sou o colega de brincadeiras do Rey desde criança, e não consigo acreditar que ele finalmente tem uma esposa. Parabéns para vocês!' -Doven, cunhado do Rey.
'O Rey é frio por fora, mas na verdade é uma pessoa calorosa. Meus melhores votos para a sua família, Luana.' -Gaby, tia do Rey.
E muitos outros parabéns que a Luana recebeu, de pessoas de quem ela nem se lembrava dos nomes. Estar no meio da extensa família do Rey, ela pensou que seria estranho, mas, felizmente, o Rey cumpriu sua promessa de estar ao seu lado.
Ajudando a Luana a socializar e respondendo prontamente às perguntas que ela poderia achar difíceis de responder. Até que os dois acabaram sentados em uma das mesas redondas, fazendo uma pausa da multidão de pessoas no salão de jantar.
"Você foi muito bem", o Rey elogiou, olhando orgulhoso para a Luana, que não tinha feito absolutamente nada de errado.
A Luana levantou a cabeça, retribuindo o olhar penetrante do Rey.
"Ainda bem, então", disse a mulher. "Eu sempre estava preocupada em cometer um erro, mas parece que as coisas correram muito bem, certo?"
Desta vez foi o Rey que balançou a cabeça, exibindo um leve sorriso no rosto.
"É isso mesmo. Você se saiu muito bem, e eu vou fazer o que tenho que fazer agora."
A Luana encarou o Rey em silêncio por alguns segundos, como se estivesse tentando descobrir o que o nobre tinha acabado de dizer.
"Quero dizer, vou tentar nos levar de volta para a mansão o mais rápido possível", o Rey continuou explicando. O cara realmente não queria que a Luana entendesse mal. "Meu trabalho está me esperando de qualquer maneira."
"Entendi", disse a Luana brevemente. "Tudo bem. Depende de você."
O Rey ainda tinha um sorriso no rosto quando o cara se mexeu para pegar sua bebida. Enfiando o copo na frente da Luana, o Rey esperou até que a Luana fizesse o mesmo.
O som de dois copos chocando-se pairou entre eles, até que ambos deram um gole da bebida.
Sentindo a atmosfera que novamente parecia estranha, porque esta foi a primeira vez que se sentaram e conversaram como amigos. Não houve discussão, nem notas agudas.
Como um casal casado, o Rey e a Luana fizeram o seu melhor para mostrar que se amavam na frente da grande família.
Como uma peça de teatro, os dois estavam imersos na pretensão que tomava conta.
***
O jantar finalmente terminou quando eram quase dez horas da noite.
Alguns dos membros da família que vieram de fora da cidade optaram por ficar na mansão, pois a residência principal tinha dezenas de quartos que não eram regularmente ocupados.
Outros que vieram da mesma cidade decidiram voltar para casa naquela noite. O aceno de mãos acompanhou a partida de alguns dos membros da família, seguido pelo rugido dos carros que faziam fila para sair do portão.
A Luana finalmente subiu para o segundo andar, lado a lado com o Rey que estava ao lado dela agora.
"Isso deve ser exaustivo para você, Luana", disse a Patrícia logo antes do Rey e da Luana subirem as escadas. "Descanse um pouco, e desejo-lhe doces sonhos. Estarei no parque amanhã de manhã, junte-se a mim se não se importar, ok?"
A Luana, é claro, balançou a cabeça, retribuindo o abraço da Patrícia que era muito caloroso. Até agora, seus passos estavam chegando mais perto do quarto, a Luana deixou o Rey empurrar a porta lentamente.
O som da porta fechando fez a Luana prender a respiração, porque novamente ela tinha que estar em um quarto fechado com o Rey sozinho.
A atmosfera estranha voltou, quando agora o Rey até parecia confuso sobre o que fazer.
"Você pode descansar", disse o cara. "Durma na minha cama, e eu durmo no sofá."
Não foi sem razão que o Rey disse isso. Mas a forma como a Luana tinha se assustado com seu toque fez com que ele se perguntasse se os eventos na ilha naquela noite tinham deixado uma má impressão nela.
A Luana se virou, encontrando o Rey ainda de pé não muito longe da porta.
"Não precisa", disse ela de repente.
Os globos oculares do Rey giraram perfeitamente, olhando para a Luana com um olhar que era uma mistura de perplexidade e escrutínio.
Esfregando as mãos, a Luana abriu a voz novamente.
"Este é o seu quarto, Sr. Rey", disse a mulher. "Não é a primeira noite que temos que passar juntos de qualquer maneira, então podemos passar pelo que passamos em Heidelberg naquela época."
A memória do Rey o puxa de volta para aquele momento, quando ele e a Luana dormiram na mesma cama pela primeira vez. Nada tinha acontecido entre eles, e parecia que continuaria assim.
"Você não se importa?" perguntou o Rey hesitante.
A Luana suspirou novamente, e o Rey não conseguiu adivinhar que brilho estava nos olhos da esposa.
"Sem problemas", ela disse novamente. "Estaremos em casa em breve de qualquer maneira, não estaremos?"
Levou um momento para o Rey, antes de ele balançar a cabeça. "Tudo bem. Quer se limpar primeiro?"
A Luana balançou a cabeça, seguida por seu corpo se virando para caminhar em direção ao banheiro. O próprio Rey optou por entrar na varanda, tirando um cigarro e um isqueiro do bolso da calça mais tarde.
Abrindo deliberadamente a janela, o Rey deixou a brisa da noite entrar para esfriar seu corpo. Não só o corpo dela, mas esperava que o vento a ajudasse a pensar com clareza.
Depois de alguns doze minutos depois, a Luana finalmente saiu com o rosto que já parecia mais fresco. Sua maquiagem minimalista foi completamente apagada, deixando um rosto simples sem maquiagem.
Parecia que ela tinha acabado de sair do banho, com o cabelo ainda meio molhado.
"Terminei, Sr. Rey", a Luana chamou de dentro, fazendo o Rey se virar com as mãos ainda unidas em volta da cintura.
"Ok."
Passando pela Luana, o Rey olhou brevemente para a mulher. Mas a Luana parecia estar tentando evitar o olhar, até que finalmente o Rey entrou no banheiro.
Deixando a água cair sobre seu corpo, o Rey teve uma conversa consigo mesmo. Monologando para si mesmo, esperando que eles fossem capazes de superar essa situação no futuro.
Quase vinte minutos depois, foi finalmente a vez do Rey sair do banheiro. Segurando uma toalha de tamanho médio na cabeça, o nobre enxugou o cabelo que também ainda estava meio molhado.
Mas seus globos oculares encontraram a Luana que agora estava sentada na varanda, com a cabeça virada para cima.
"O que você está fazendo, Luana?" perguntou o Rey se aproximando.
A Luana virou a cabeça, sorrindo brevemente ao encontrar o Rey já de pé atrás dela.
"Ah, você já acabou?" ela disse suavemente. "Não estou fazendo nada, só olhando as estrelas."
O Rey reflexivamente olhou para cima, deixando seus globos oculares encontrarem as muitas estrelas lá em cima. O céu escurecendo foi agora acompanhado por luzes cintilantes, que a Luana estava observando agora.
"Posso sentar aqui?" o Rey gaguejou um pouco, aparentemente terminado com a toalha que estava passando pelo cabelo.
A Luana não respondeu audivelmente, mas então ela balançou a cabeça. Ela estava abraçando os joelhos, com a cabeça agora levantada lentamente.
Não demorou muito para o Rey assumir uma posição ao lado da Luana, agora sentando lado a lado com a mulher que era sua esposa.
O vento que soprava foi o único som, enquanto o Rey roubava um olhar para a Luana hesitante. Enquanto isso, a que estava sendo observada não parecia estar prestando atenção, porque estava ocupada olhando para cima.
O Rey pigarreou silenciosamente para tentar quebrar o gelo, antes de abrir a voz.
"Posso te fazer uma pergunta?"
A Luana moveu a cabeça lentamente, retribuindo o olhar que foi direcionado diretamente a ela.
"Hmm? O que é?"
O Rey inspirou, soltando um pequeno suspiro enquanto o cara continuava. Fazendo uma pergunta que a Luana nunca esperou, fazendo-a se assustar involuntariamente.
"Quanto você sabe sobre Beatrice Collins -- minha ex-noiva?"