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A voz melódica fluiu suave na mesma frequência.
Percebendo que estavam em um espaço aberto, mesmo que fossem só os dois na cozinha, Luana tentou o seu melhor para abafar o som que saía de seus lábios.
O toque de Rey era absolutamente letal, como se o homem tivesse sido criado para levá-la voando pelas nuvens.
A reunião e o atrito entre a pele faziam o senso comum evaporar rapidamente, substituído por um desejo que estava cada vez mais crescendo ali dentro.
Algo que forçava os dois a se aproximarem, sem que a distância mais restasse.
"R-rey."
Luana gemeu, arqueando seu corpo em reação a cada beijo que Rey depositava em seus ombros e pescoço branco-porcelana.
Ela não sabia por que seu desejo era tão intenso, como se não quisesse que Rey parasse cada movimento que estava fazendo.
Levantando a cabeça para olhar as íris macias de sua esposa, Rey suspirou com uma respiração um pouco apressada.
Deixando seu olhar cair no rosto totalmente corado de Luana, com seu pijama desabotoado quase até o estômago.
"Eu estou aqui, baby," o sussurro de Rey continuou a dominar. "Eu estou aqui com você."
Em meio ao caos que havia exaurido sua mente na noite passada, ele sentiu que havia encontrado o melhor lugar nos braços de Luana.
O cheiro distinto da mulher era capaz de fazê-lo se sentir calmo, e milagrosamente Rey parecia esquecer o que estava preso em seu coração.
Luana era o melhor remédio, Luana era a melhor resposta.
"Para." Entre as respirações que também estavam ofegantes e subindo e descendo, Luana afastou o rosto do homem lentamente. "Não há necessidade de continuarmos, apenas pare aqui."
Um pedido que fez Rey franzir a testa por um momento, porque ele não esperava que Luana dissesse algo assim.
"Luana."
"Vamos apenas parar," Luana repetiu. Agora ela estava começando a ser capaz de se controlar, lutando contra a sensação de desejo que havia derrotado a lógica no outro dia.
Desta vez, Luana não queria mais.
"Eu não quero," Rey disse rapidamente. Seus olhos rolaram lentamente, mas o homem não concedeu imediatamente o desejo de sua esposa.
Luana olhou para cima, deixando suas íris encontrarem as azuis de seu marido.
O homem que ela adorava em silêncio, o homem que (talvez) havia roubado seu coração em silêncio. Ao mesmo tempo, o homem que ela não podia ter, não importa o que.
"Por que temos que parar?" Rey murmurou uma pergunta. Luana ainda estava sentada na mesa da cozinha, com Rey em pé firmemente na frente dela. "Você gostou disso. Você gostou de todos os meus toques. Por que você está me pedindo para parar?"
Quanto mais palavras saíam dos lábios de Rey, mais seu peito batia por dentro. Se alguns dias atrás Luana estava felizmente retribuindo e se entregando ao homem, mas parecia que agora Luana estava começando a se limitar.
E isso, conseguiu inflamar um fogo que o próprio Rey não conseguiu controlar.
Mordendo os lábios com uma língua lentamente estendida, Luana ainda tentou manter a cabeça erguida.
"Porque isso não está certo," ela sussurrou suavemente. Deixando o silêncio durar alguns segundos, antes que Luana dissesse o que vinha sentindo o tempo todo.
"Me escute, Rey," a mulher disse. "Isso tudo não é verdade. Você e eu--"
"Para mim, cada um de vocês é a verdade, Luana!" Rey interrompeu rapidamente, antes que Luana pudesse até mesmo terminar sua frase. "Você é a verdade!"
Luana soltou um pequeno suspiro quando percebeu que a conversa deles agora estava começando a causar algum barulho nas primeiras horas da manhã, seguido por uma leve sacudida de sua cabeça e um dedo indicador em frente a seus lábios em um gesto para que Rey abaixasse a voz.
"Abaixe a voz," Luana implorou, batendo reflexivamente no ombro forte de Rey. "Você quer que todos nos peguem aqui?"
Luana abaixou a voz, embora inconscientemente tenha arregalado sua conta para avisá-lo corretamente.
Rey franziu a testa indiferente.
"É, deixa pra lá," ele disse para não ficar para trás. "Estou com minha esposa de qualquer maneira. Aposto que eles não vão ousar se aproximar, muito menos saber que estamos em uma posição como essa."
Uma posição como essa? Como o quê?!
Como se estivesse sendo despertada de um devaneio, Luana percebeu que ela e Rey estavam em uma posição que realmente poderia causar mal-entendidos.
Íntimos, e pareciam se querer.
"Então fique longe," Luana implorou mais uma vez, seguida por um empurrão de sua mão contra o peito largo do homem. "Se alguém ver, eles vão entender errado, você sabe!"
Demorou dois segundos antes que Rey caísse na gargalhada, como se Luana tivesse acabado de soltar a piada mais sofisticada do mundo.
"Ei! Abaixa a voz, cara! Por que você está rindo assim, de qualquer maneira?!"
Rey ainda estava agarrado à sua risada, enquanto se movia para roubar um beijo rápido nos lábios de sua esposa.
"Ei!"
"Por sua causa," Rey disse feliz. "Quem vai entender errado, querida? Hmm? Eu estou com minha esposa, e estou fazendo o que eu gosto. E daí?"
A palavra 'minha esposa' que havia saído mais de uma vez dos lábios de Rey, havia conseguido fazer o coração de Luana farfalhar, sentindo o calor que se espalhava lentamente a partir daí.
Luana quase havia esquecido que ela era de fato a esposa legal de Rey Lueic. Ela era a amante desta mansão, ela era a rainha desta grande residência.
"Mas ainda é inapropriado, você sabe!" Luana resmungou novamente, então virou a cabeça para verificar os arredores.
A superfície da mesa da cozinha parecia fria sob seu assento, através do pijama fino que ela estava usando.
"Está tudo bem," Rey disse suavemente. "Eu gosto assim. É como um adolescente roubando tempo para sexo."
Uma tonalidade rosada preencheu o belo rosto de Luana quando sua cabeça abaixou lentamente.
Encontrar o olhar de Rey poderia fazer seu corpo relaxar, mesmo que ela tivesse tentado tanto se conter de todo o desejo.
"Volte para o seu quarto," Luana sugeriu casualmente. "Já é quase de manhã, e você tem que trabalhar de novo mais tarde, certo?"
Rey concluiu um sorriso de canto de lábio, então olhou para sua esposa com um olhar saudoso.
Luana, você vai ficar ao meu lado, não importa o que aconteça?
"Você quer que a gente vá para o quarto?" Virando a pergunta, Rey ainda estava sorrindo sedutoramente. "Vamos continuar por lá?"
Sem dar a Luana espaço e oportunidade para responder, Rey já estava se movendo rapidamente para pegar sua pequena esposa.
"Rey!"
"Aguenta firme, querida. Já estamos quase lá."
Nossa, ele realmente entendeu errado!
"Não, não é assim!" rosnou Luana, tentando sair dos braços do nobre. "Não foi isso que eu quis dizer!"
A reação exagerada de Luana só fez Rey acelerar ainda mais, mas desta vez, em vez de subir as escadas para chegar ao quarto deles, ele se virou para entrar em seu escritório pouco iluminado.
Luana fechou os olhos quando Rey a colocou em um sofá longo e largo. Não havia necessidade de ele comandá-la, ele parecia já saber onde ela precisava estar.
Removendo a camiseta cinza clara que estava usando, Rey se inclinou para sufocar os lábios de sua esposa. Fazendo Luana gemer suavemente novamente, porque algo estava começando a tremer dolorosamente ali embaixo.
Droga, Rey! Como posso resistir a você?!
Sem deixar Luana quebrar o abraço, Rey deixou sua lógica sair do caminho no início daquela manhã. Dando acesso ao desejo furioso agora tomando conta, o homem se moveu rapidamente para desabotoar o pijama de sua esposa.
As mãos do nobre já haviam viajado por cada curva do corpo de Luana, deixando a mulher mais uma vez indefesa quando sob tal confinamento dominante.
Não havia nada que Luana pudesse fazer a não ser se abrir para ele, mesmo que seu coração estivesse choramingando pelas feridas que estavam ficando cada vez mais profundas.
Se um dia ela voltar, você ainda vai olhar para mim, Rey?
Fechando os olhos mais uma vez, Luana se rendeu para cumprir seus deveres como esposa de Rey. Sendo um lugar para aquele homem despejar tudo, sendo um lugar para aquele homem antes que ele tenha que sair do caminho algum dia.
O silêncio da noite foi uma testemunha silenciosa da união de duas pessoas de castas diferentes, que estavam no limiar da consciência.
Rey acariciou suavemente o cabelo de Luana após sua primeira liberação, segurando sua esposa com muita força, pois Luana agora estava mole em seu peito.
Seus dedos estavam entrelaçados com o ritmo de sua respiração ainda subindo e descendo, assim como os olhos de Rey perfuravam a noite escura.
Só desta vez, Luana. Só desta vez, continue segurando minha mão com força.
A superfície de sua pele provocou uma sensação diferente, quando Luana olhou para cima desta vez para contemplar o rosto bonito de seu marido.
Rey soltou um sorriso que parecia forçado, embora ele tenha feito o seu melhor para escondê-lo.
"Luana."
"Hmm?"
Rey levou alguns segundos para pausar, antes que seus lábios se separassem novamente lentamente. "Ela voltou."