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O cara na frente da Luana parecia familiar.
Com um corte de cabelo curto que ainda não tinha mudado, e covinhas que pareciam curvar o rosto toda vez que ele sorria. A altura dele provavelmente tinha aumentado alguns centímetros, e agora o corpo dele parecia mais forte, com ombros largos e um peito largo.
Os olhos da Luana arregalaram. Sem esperar encontrá-lo na porta dela, ela quase gritou.
"Mário?!" ela exclamou incrédula.
Como o Mário podia estar ali?
O cara chamado Mário transformou o sorriso dele em um sorriso, puxando sem cerimônia a mão da Luana que estava pendurada ao lado dela.
"É você mesmo, Lue!" ele exclamou não menos incrédulo.
A Luana riu.
"Como você sabia que eu estava aqui?" ela perguntou de novo. Sem perceber que estava deixando a mão dela na mão do Mário, a mulher só estava focada em falar com o convidado dela agora.
"Eu trabalho aqui, Lue", disse o Mário.
A Luana sorriu com a saudação 'Lue' que o Mário só tinha dado a ela, e fazia muito tempo que ela não ouvia aquele nome.
"Acho que eu errei a pessoa", disse o Mário de novo. "Eu te vi andando pela frente, e eu sabia que era você. Mas eu não ousei dizer olá porque você estava com outras pessoas, então eu escolhi ganhar um tempo."
A Luana parecia estar ouvindo atentamente as palavras do Mário, seu melhor amigo. Parecia que fazia muito tempo, e quem diria que ela encontraria o Mário no primeiro dia em Heidelberg?
"Ah, entendi", disse a Luana.
"Onde você esteve? Como você está?" perguntou o Mário rapidamente. Ele sentia falta do melhor amigo dele, e desde que a Luana tinha deixado a cidade deles há alguns anos, a comunicação deles tinha ficado para trás.
A Luana sorriu.
"Eu estou bem", ela disse. "Como você pode ver, eu estou bem. E como está a tia Anne?"
O Mário sorriu de volta. A Luana ainda não tinha se esquecido dele, e isso foi um grande alívio para ele. Além disso, a mulher também se lembrava da Anne -- a mãe biológica do Mário, que conhecia muito bem a Luana.
"Minha mãe está bem", respondeu o Mário. "Ela vai ficar feliz se souber que você está aqui, Lue. Quando você tem tempo? Podemos visitar a minha casa depois do trabalho. Que tal?"
A Luana balançou a cabeça vagamente. Ela não estava ali para férias, e ela nem sabia se tinha uma chance de passear pela cidade ou não. Ela não sabia onde o Rey Lueic estava agora, e se eles ficariam lá por muito tempo.
"Eu não sei se posso, Mário", disse a Luana honestamente. Olhando para baixo, havia uma pontada de tristeza no rosto dela.
O Mário apertou os dedos da Luana, liberando os sentimentos de saudade que tinham se acumulado por dentro.
"Mas você está aqui para trabalhar?" ele perguntou. "Seu patrão está lá dentro?"
O Mário sabia que a Luana Casavia não podia alugar o quarto super luxuoso para ela mesma. Eles estavam acostumados a viver nas classes mais baixas, e estar em um hotel de estrela como esse era apenas um sonho.
Então o Mário simplesmente assumiu que a Luana devia ter vindo trabalhar e que o patrão dela provavelmente já estava esperando lá dentro. Mas notando as roupas que a Luana estava usando agora, o Mário franziu a testa lentamente.
"O que você faz, Lue?" ele perguntou investigativamente. "Suas roupas parecem diferentes e provavelmente são bem caras. Não me diga que..." o cara fez uma pausa em sua frase, adivinhando com olhos que olhavam profundamente para a Luana.
A Luana fez uma careta. Era uma longa história se ela tivesse que explicar para o Mário agora, enquanto o corpo dela já estava se sentindo cansado e ela estava ansiosa para descansar.
"Uhm, é..." a Luana gaguejou, tentando encontrar as palavras certas para explicar a situação dela.
O Mário ainda estava esperando, desta vez com um olhar mais investigativo.
"Lue, não me diga que você veio com..."
A Luana sabia que ela não tinha muito tempo. Explicar tudo para o Mário levaria tempo, e essa não era a hora certa para ter uma reunião com o amigo dela. Embora a Luana estivesse feliz em ver o Mário de novo, o destino da vida dela ainda estava em questão.
Apenas quando ela estava prestes a abrir a boca para responder, um estrondo alto vindo do corredor foi ouvido.
Reflexivamente, tanto a Luana quanto o Mário viraram a cabeça para a fonte do som e encontraram um cara com uma camisa cujas mangas tinham sido enroladas até os cotovelos, bagunçando a cintura não muito longe dali.
A Luana engoliu seco.
Aquele cara era o Rey Lueic.
Andando com um balanço amplo das pernas, o Rey cortou a distância entre ele e as duas pessoas que estavam de mãos dadas. Parando bem na frente do Mário que estava usando um uniforme de hotel, o Rey olhou para o cara profundamente.
"Quem é você?" ele perguntou secamente. "E por que você está segurando a mão da minha esposa?"
A Luana soltou um pequeno suspiro, com as orelhas em pé.
Minha esposa? Minha esposa, ele disse?
Algo pareceu evaporar ali mesmo, quando a Luana reflexivamente retirou a mão dela da do Mário, seguida pela remoção relâmpago da mão da mulher por parte do Mário.
Abaixando-se pela metade, o Mário fez um gesto respeitoso para o Rey que acabara de chegar. O Mário certamente sabia quem era o Rey Luiec.
Um nobre de alto escalão que já era um convidado VVIP em seu hotel, que também era um empresário de sucesso, era o alvo das mães de outros nobres.
Mas o Mário não esperava que o Rey viesse interromper a conversa com seu velho amigo, especialmente porque seus ouvidos tinham acabado de captar as palavras 'minha esposa' saindo dos lábios do nobre.
A esposa do Rey Lueic? Luana? Essa Lue?
"Sinto muito, senhor", disse o Mário rapidamente. "Eu não queria..."
"Vá embora", o Rey interrompeu rapidamente. Sem dar ao Mário a chance de explicar, o Rey já tinha voltado o olhar para outra pessoa congelada ali.
Quem mais, senão a Luana, que agora também estava curvando a cabeça, embora parecesse ocasionalmente roubar um olhar para verificar a situação?
O Mário assentiu com a cabeça, saudando mais uma vez antes de deixar rapidamente a porta do quarto da Luana. Deixando a Luana que agora estava mordendo o lábio inferior hesitantemente, preocupada com o que enfrentaria desta vez.
O Rey escolheu permanecer em silêncio. Da mesma forma, a Luana tinha se mantido segura evitando o olhar do Rey. Quanto mais ela olhava para baixo, mais sua conta destacava as pernas longas do Rey em pé bem na frente dela agora.
O Rey pigarreou, mas desta vez com uma voz mais suave.
"Você sabe o que você fez de errado?" o Rey perguntou não menos secamente.
A Luana respirou fundo.
"Sinto muito, senhor", ela disse.
Ela realmente não percebeu que estava de mãos dadas com o Mário, especialmente porque ela não sabia que o Rey apareceria como um fantasma no corredor do quarto dela.
Não foi a Mare que disse que ele estava cuidando dos negócios? Então, por que ele veio de repente aqui? O que ele quer?
O Rey bufou. Havia um tom de aborrecimento que o cara não podia esconder, e isso o irritou de repente.
"Eu não estou pedindo para você dizer sinto muito", disse o Rey de novo. "Eu estou perguntando o que você fez de errado?"
A Luana sentiu vontade de desaparecer agora. Ela secretamente rezou para que a terra tremesse e a afundasse no fundo para que ela nunca mais tivesse que lidar com esse cara.
"Uhm..." a Luana gaguejou. "Ele é meu melhor amigo. E assim, ele veio dizer olá", a Luana tentou se defender. Ela não percebeu, de verdade. "Eu também não sabia que ele trabalhava aqui."
O Rey respirou, seguido por dois passos que trouxeram o cara mais perto da Luana. O ar ao redor deles agora estava cheio do cheiro do perfume do Rey, e isso simplesmente tornou quase difícil para a Luana respirar.
"Eu não perguntei sobre isso", disse o Rey de novo. "Parece que você realmente não sabe o que você fez de errado, hein?"
A voz do cara estava baixa agora, mas a Luana podia ouvir claramente cada palavra que o Rey dizia a ele.
A Luana revirou os olhos, levantando a cabeça lentamente, o que trouxe o rosto dela para os olhos do Rey. O cara estava olhando para ela com um sorriso fino que estava cheio de desprezo, e a Luana não gostou.
"Diga-me", implorou a Luana. A cabeça dela estava ereta novamente, e ela parecia ter a coragem de responder às palavras do Rey. "O que eu fiz de errado?"
O Rey riu. A cabeça dele se contorceu ao ver a Luana que agora estava olhando diretamente para ele, fazendo com que a mão que segurava a cintura dele apertasse ainda mais. Os globos oculares da mulher esperaram, com um rosto que parecia um pouco cansado.
O Rey se aproximou. Invadindo o quarto da Luana, o cara deixou a Luana ainda em silêncio na porta.
Virando-se, a Luana observou as costas do Rey enquanto ele entrava no quarto dela, seguido pela voz do cara no ar depois.
"Porque você não deu as boas-vindas ao seu marido em casa."
O-o quê?!