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A Luana real não sabia como reagir.
O Rey tinha sumido atrás da porta do banheiro, deixando ela agora jogada na beira da cama. O peito dela subia e descia, com o coração batendo forte dentro.
Como ele podia falar aquilo com uma voz tão fria? Ele quis dizer que a gente ia ficar no mesmo quarto enquanto eles estavam na cidade? Sinceramente, pelo amor de Deus!
Enquanto isso, o Rey ainda tinha um sorriso triunfante apesar do corpo dele ter sumido da presença da Luana. Feliz da vida, o cara deu uma risada assim que a porta do banheiro bateu.
Bem-vinda ao mundo do casamento, noiva fake.
***
"Cê tá dormindo?"
O Rey saiu do banheiro doze minutos depois, já usando uma camiseta branca maneira com bermuda bege.
Indo sem hesitar até onde a Luana tava, que agora tava toda encolhida debaixo das cobertas, a voz do Rey ecoou pelo quarto.
A Luana não respondeu. Ela virou o rosto pra encarar o Rey, tentando fechar os olhos, mas nunca conseguindo.
A cabeça dela tava ocupada com um monte de coisa voando pra todo lado, o que espantou a sonolência que pesava nos olhos dela. Juntando as mãos nas bochechas, a Luana cerrou os dentes.
"Não conseguiu dormir?"
De novo, o Rey acertou, e a voz do cara soava mais perto e mais perto no fundo. A Luana abriu os olhos devagar, pensando se devia virar.
Ela devia fingir que tava com os olhos fechados ou responder a pergunta do nobre agora?
"Se você dormir, eu vou embora então."
O Rey falou de novo mesmo que as duas perguntas que tinham sido feitas antes não tivessem recebido resposta. Parado na frente do guarda-roupa grandão, o Rey pegou um perfume e borrifou nos pulsos e no pescoço.
Na hora, o perfume masculino do Rey tomou conta do cheiro do quarto, fazendo a Luana fechar os olhos um pouco. Agora tava furando o nariz dela sem ela perceber.
Esse perfume… parece tão quente. Era inversamente proporcional à personalidade do dono.
A Luana continuou na dela, sem nenhuma intenção de virar. Deixa ela fingir que tá dormindo, em vez de ter que lidar com o Rey que parecia só tá tentando deixar ela desconfortável.
Sem saber que o Rey tava olhando pra ela ali atrás, vendo o corpinho da Luana que ainda tava coberto pelo cobertor até o pescoço. A Luana escolheu não responder nada, pedindo silenciosamente pro cara sair logo dali.
O Rey andou depois de garantir que tava bom o suficiente, indo em direção à janela grande que ainda mostrava um retrato da cidade lá fora. Encostando na beira da janela, o cara pigarreou baixinho.
"Parece que essa cidade tá ficando mais bonita mesmo." A voz do cara foi de novo o único som ouvido, e a Luana ainda tava se esforçando pra fechar os olhos.
Vai embora logo!
"Talvez andar por aí e explorar a cidade seria um exercício bom o suficiente essa tarde", o Rey continuou.
A Luana engasgou. O coração dela bateu mais rápido, com a realização tomando conta. Devo abrir os olhos agora? A Luana pensou alto pra si mesma.
O cara olhou pra cama grande deles com o canto do olho, observando se tinha algum movimento da pessoa toda encolhida ali. Concluindo um sorriso fraco no canto dos lábios, o Rey abriu a voz devagar.
"Já que o Jovi tá cuidando de outras coisas, eu vou sozinho", o cara falou de propósito. "Ou devo só pedir o serviço de guia turístico do hotel?"
O coração da Luana tremeu ainda mais. Ela queria desesperadamente sair dali. Ela queria desesperadamente respirar o cheiro da brisa da cidade que ela tava sentindo falta por tanto tempo. Agora mesmo, ela tava pensando se ia ter a chance de andar pela cidade mais tarde, e agora parece que a oportunidade tava na frente dos olhos dela.
Devo abrir os olhos agora?
O Rey pareceu ter falado de propósito antes, mesmo que nenhuma das palavras do cara fosse respondida por ninguém. A Luana sabia que o nobre provavelmente tava com a intenção de irritá-la ainda mais.
O Rey esperou uns segundos, mas a Luana não se moveu da posição dela. Ele mentalmente xingou como a Luana era teimosa, mesmo que ele soubesse que ela não tinha dormido desde antes.
"Vou indo então", o Rey falou de novo. "Se você não tiver afim de vir."
A Luana real não sabia como reagir.
Virando, o Rey deu um passo em direção à porta. Enfiando as duas mãos nos bolsos da calça, o cara não olhou pra trás de jeito nenhum. A Luana pensou com força, pensando que atitude ela devia tomar agora.
Ela queria ir! Ela queria ir embora, e talvez essa fosse a única chance dela.
Foda-se!
Empurrando a coberta grossa pra um lado, a Luana se levantou sem cerimônia e sentou na cama. O Rey ainda tava andando, a mão dele quase alcançando a maçaneta da porta quando ele diminuiu o passo.
"E-espera!"
A voz da Luana quebrou o silêncio, fazendo o Rey parar de se mover justo quando a maçaneta da porta do quarto tava na mão dele. Ainda de costas pra Luana, o Rey sorriu fraco de novo.
Pego!
A Luana desceu da cama grande num pulo só, sacudindo o vestido que ia até o joelho pra ter certeza que ainda tava bom.
Colocando os pés nos sapatos baixos no pé da cama, a Luana ficou em pé com a respiração presa.
"Você não conhece essa cidade, né?" A Luana perguntou com um suspiro pesado, e as palavras dela saíram gaguejando.
O Rey ainda não virou a cabeça, com a mão dele ainda segurando a maçaneta. Não dando resposta, o Rey respondeu ao tratamento da Luana, que tava ignorando cada frase dele.
Assim que o cara ia ignorar a Luana de novo, a voz da mulher foi ouvida de novo.
"Eu posso te ajudar a mostrar o caminho!" A Luana exclamou de novo. O grito dela conseguiu parar os passos do Rey, e agora o cara virou o corpo pra olhar pra Luana.
A mulher tava pronta pra ir, até usando uma bolsa a tiracolo pendurada no ombro. Ela tava pronta pra ir de verdade!
"Onde você vai?" o Rey perguntou numa boa.
A Luana mordeu o lábio inferior, juntando coragem.
"Eu quero ir", ela falou meio sem jeito. "Eu vou te acompanhar, em vez de você gastar dinheiro pra contratar o serviço de guia turístico do hotel. Eu ainda me lembro do caminho, muito bem."
O Rey levantou as sobrancelhas com um olhar imprevisível no rosto, puxando a maçaneta da porta agora. A mulher era teimosa mesmo, mesmo que ela claramente quisesse ir junto.
Saindo do quarto, o Rey não diminuiu o passo. Olhando pra trás pra Luana, que ainda tava parada com as duas mãos agarrando a alça da bolsa a tiracolo.
"Anda logo!" o Rey exclamou. "Você tá desperdiçando meu tempo!"
A Luana sorriu feliz sem perceber, enquanto os passos dela balançavam pra alcançar o Rey na frente.
Tão feliz que ela ia andar de volta pela cidade, tão feliz que ela ia estar cumprimentando Heidelberg de novo tão cedo.
Tudo bem.
Mesmo com o Rey, tava tudo bem. Tudo o que importava era que a cidade a recebesse de volta.