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A noite estava quase escura quando Luana ficou bem na beira da varanda.
Jovi ficou por algumas dezenas de minutos, durante os quais eles conversaram como amigos. Luana estava grata por ainda poder falar com ele, mesmo que Mare tivesse que ficar na mansão e não pudesse estar com ela por alguns dias.
Às vezes, a solidão ensina muitas coisas.
Para pensar claramente, fazer escolhas e amar a si mesmo.
As palavras de Jovi ainda ecoavam claramente nos ouvidos de Luana, enquanto ela se abraçava com as duas mãos. A brisa que soprava era suficiente para causar uma sensação fria, mas não para perfurar os ossos.
Olhando para o céu acima, Luana estava perdida em pensamentos.
Eu tenho que sobreviver?
É verdade que se machucar juntos é melhor do que se machucar sozinho?
Se eu ficar aqui, podemos enfrentar todo o desprezo e injustiça que nos espera?
Eu mereço ser a razão para Rey deixar tudo para trás?
Nosso amor não revelado um pelo outro seria tão grande a ponto de superar tudo?
E várias outras coisas que passaram pela mente de Luana, o que a fez ainda presa como uma linha emaranhada.
Respirando fundo, levou muito tempo para Luana fazer uma escolha. Além disso, agora ela não está sozinha. Havia algo pelo qual ela poderia ter que lutar.
Eles vão nos separar depois?
Eu posso deixar 'aquilo' algo vir de mim?
Eu tenho que desistir dela e nem mesmo poder ver seus olhos novamente no futuro?
Para Luana, esta foi a decisão mais difícil que ela já havia considerado. Nos vinte anos que passou como empregada, Luana nunca precisou pensar tanto. A vida estava boa, ela tinha o suficiente para comer e guardava um pouco do salário para quando se casasse com uma garçonete também.
Mas quem diria que ela estaria envolvida na vida de nobres de alto nível como esta? Uma vida que é valorizada por quão alto é o status social de alguém?
No meio da brisa, Luana já havia tomado uma decisão.
Balançando a cabeça com um movimento da mão no braço, a jovem se tranquilizou. Não importa o que acontecesse, ela tomaria essa decisão.
Uma decisão que, esperançosamente, ela não se arrependeria mais tarde.
Enterrando na sala grande e grandiosa, Luana alcançou e pegou seu celular que estava na cama.
Passando o dedo na tela uma vez, ela selecionou um número listado lá. Fazendo uma pausa e se tranquilizando, Luana finalmente teve coragem de pressionar o botão de chamada. Ela esperou até que o tom de espera soasse, antes que a voz de um homem a cumprimentasse do outro lado.
"Luana?"
***
[Orchard Cafe, Munique]
Valerie tomou alguns goles de sua bebida.
"Você tem certeza de que vai voltar para Heidelberg?" Seu olhar estava fixo no homem sentado diretamente na frente dela, com as mãos ocupadas mexendo em um prato de salgadinhos.
Pedro Visconde assentiu.
"Eu considerei tudo", respondeu o homem tatuado. Uma mão estava apoiada na mesa, enquanto a outra estava ocupada se alimentando. "Além disso, o que você disse no outro dia era verdade, Val. Nada nunca funciona com amor unilateral."
Valerie pareceu rir. Ela realmente não perguntou quem era a paixão de Pedro, porque Valerie presumiu que tudo era na privacidade do homem. O homem que deveria ser seu marido desde o ano passado.
"Você parece um homem agora, Ped."
"Ei, eu não tenho sido o tempo todo?"
Valerie riu ainda mais. "Quero dizer, um cavalheiro maduro."
Pedro retribuiu a risada, mas não tinha terminado sua comida.
"Você vai voltar para a empresa?" Valerie perguntou agora.
Pedro encolheu os ombros, mas então deu um leve aceno.
"Eu acho que sim", ele disse. "Eu tive um ano para brincar de ser a outra pessoa, e agora parece que é hora de começar a contribuir para minha família. Sabe, Val, eu não sou do tipo que se importa com o julgamento dos outros. Mas agora, eu vou tentar sentir que nasci neste tipo de família e situação."
Valerie assentiu, ainda sorrindo nos cantos dos lábios.
"Fico feliz que você pense assim", ela cumprimentou positivamente. "É claro, Pedro. Não podemos pedir para nascer nas circunstâncias e situações que queremos, podemos? É assim que o amor às vezes não toma partido."
Houve uma pausa de dois segundos enquanto os dois se encaravam.
"Você ainda ama Gosse?" disparou Pedro de repente. Sem vento, sem chuva.
Valerie pareceu meio surpresa, mas agora só conseguiu rir.
"Sim, não!" ela negou rapidamente. Como se estivesse rindo de si mesma. "Como eu poderia amar meu próprio cunhado, você está louco?"
"Sim, você sabe." Pedro pegou um copo de americano e tomou um gole do líquido enegrecido para saciar sua sede. "Você realmente precisa ver outro homem, Val. Acredite em mim, você deve ser amada pela pessoa certa."
Valerie girou o conta-gotas em seu copo, olhando para sua bebida. Ela só conseguiu suspirar suavemente, antes de voltar aos olhos de Pedro.
"E você?" Ela perguntou de volta. "Você está pronto para começar uma nova vida?"
Desta vez, foi Pedro quem se recostou em uma posição mais relaxada e cruzou os braços sobre o peito. "Eu não estou desistindo", disse ele honestamente. "Mas não parece que eu tenha uma chance. Ela não está mais sozinha, Val."
Havia um tom diferente de voz no ar, agora que Valerie foi dar um tapinha no braço tatuado de Pedro. "Aguente firme, campeão!"
"Que tal nos casarmos, Val?" sugeriu Pedro, o que automaticamente fez com que Valerie não conseguisse evitar, mas rir. Balançando a cabeça rapidamente, ela riu.
"Você está falando sério sobre passar o resto de sua vida comigo?" ela perguntou significativamente. "Eu ainda estou pensando sobre isso."
Pedro riu junto, deixando sua voz distinta preencher a atmosfera entre eles. É claro, esta não foi a primeira vez que eles discutiram o assunto de casamentos arranjados entre as duas famílias extensas.
No entanto, como Pedro e Valerie se conhecem há muito tempo, esse tipo de discussão não parece difícil. Era como se eles estivessem discutindo o que comer no café da manhã amanhã.
"Pense nisso", disse Pedro novamente. "Em vez de eu ter que encontrar outra mulher, talvez devesse ser você." Ele se adiantou para tomar outro gole de seu americano, deliberadamente desviando os olhos de Valerie, que o encarava fixamente.
"Bem, eu vou considerar isso", disse Valerie finalmente.
"Talvez possamos deixar as duas famílias extensas felizes com isso, porque-"
O toque de um celular interrompeu a frase do lutador, quando ele enfiou a mão no bolso da calça para verificar a identidade do chamador.
Seus globos oculares se arregalaram por um momento, pois Valerie também pareceu notar. Sem esperar muito, Pedro rapidamente passou o dedo na tela antes de atender a chamada.
"Luana?"