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Luana não sabia por quanto tempo ainda ficaria presa nessa conversa com Patrícia.
Quanto mais a conversa avançava, mais confusa ficava – porque Luana estava totalmente despreparada para as coisas que Patrícia havia previsto.
Não havia necessidade de falar sobre amor de verdade, porque isso era simplesmente impossível para Luana. Nascida e destinada a ser uma serva como era, ela nunca pensou que conheceria o amor.
Porque para essa mulher, o amor só existe para pessoas que vêm de círculos diferentes. Luana realmente nunca esperou ter a chance de sentir essas vibrações mais tarde.
A mão de Patrícia na mão de Luana ainda parecia muito macia, enquanto a mulher de meia-idade sorria novamente agora. Irradiando sinceridade, assim como as flores desabrochando no jardim.
"Considere isso", disse Patrícia suavemente. "Eu sei que pode não ser fácil para você, mas nada é impossível neste mundo, Luana."
Luana permaneceu em silêncio, enquanto virava a cabeça para Patrícia. Os olhos de sua sogra pareciam sombreados, e Luana apenas pensou que seria bom se Patrícia realmente fosse sua mãe.
"Tudo bem, Mãe", gaguejou Luana de volta. "Não posso prometer nada, porque tudo está nas mãos de Rey. Mas espero que Rey consiga encontrar Beatriz e colocar as coisas de volta ao normal."
Patrícia não percebeu que havia um sentimento pesado que agora penetrava no coração de Luana. Essa não é a natureza de uma mulher? Acostumada a uma coisa na boca e outra no coração.
Luana não sabia por que estava ficando difícil, especialmente depois que a palavra 'amor' escorregou em sua conversa.
Patrícia deu mais um sorriso, antes de se virar para os pratos servidos por seus dois servos mais cedo.
Convidando Luana para tomar o chá que não estava mais quente, Patrícia foi distraída por outra voz que soava não muito longe de onde estavam.
"Mãe!"
De repente, levantando a cabeça juntas, as duas mulheres de idades diferentes olharam na mesma direção agora. Encontrando Rey que estava na frente delas, parecia estar caminhando na direção do gazebo em que estavam sentadas.
Luana respirou fundo, por alguma razão houve uma sensação repentina de aperto que a dominou.
Seus olhos não se afastaram do nobre, que naquela manhã parecia estar usando uma camisa branca brilhante. Um padrão de pequenas manchas azuladas se tornou um adoçante, envolvendo com sucesso o corpo firme e robusto de Rey que estava escondido ao contrário.
As pernas longas do homem estavam firmemente cobertas por um par de calças cinza claro, o que de alguma forma fez Rey parecer ainda mais bonito.
"Você está aqui, Luana", o homem cumprimentou alguns segundos depois que se aproximou do gazebo.
"Ah, sim. Estou aqui com a mãe há algum tempo", respondeu Luana calmamente, com uma mão segurando a xícara à sua frente.
Luana não sabia de onde Rey tinha vindo. Porque quando ela abriu os olhos há algum tempo, ele não estava mais ao lado dela.
"Sente-se, Rey." Patrícia apontou para uma cadeira vazia, pedindo que seu filho se juntasse a elas. "De onde você é?"
Luana ficou grata por Patrícia ter feito essa pergunta a Rey, porque ela também estava curiosa sobre para onde Rey havia desaparecido naquela manhã.
"Acabei de voltar, Mãe", disse Rey educadamente. "Dominic me levou para ver um dos campos, e parece ser bastante fértil."
Leipzig era de fato conhecida por suas terras férteis e facilmente cultiváveis, embora a maioria das pessoas de lá não vivesse da agricultura.
"Sério?" Patrícia tomou um gole de chá lentamente. "É por isso que eu disse que você deveria vir para casa com mais frequência, Rey. Munique é uma cidade grande e desenvolvida, mas você não deveria esquecer sua cidade natal."
Rey fez uma careta suavemente, ajustando reflexivamente o cabelo em um movimento repetitivo. Sua mãe sempre foi assim, sempre pedindo que ele voltasse para casa com mais frequência.
"Tudo bem", respondeu Rey rapidamente. "Já que você parece gostar da minha esposa, vamos voltar para casa com mais frequência. Que tal?"
Rey abriu um sorriso, exibindo suas fileiras de dentes dispostos em branco puro. Luana engasgou quando as palavras do nobre atingiram o ar, seguidas pelo olhar de Patrícia diretamente para ela.
Os dois pares de olhos se encontraram novamente, seguidos pelo sorriso que se espalhou no rosto de Patrícia agora. Rey deve ter pensado que sua encenação era convincente, porque ele não fazia ideia do que havia acontecido entre Patrícia e Luana alguns minutos atrás.
"Claro!" respondeu Patrícia alegremente. Não parecia forçado, porque ela realmente gostava de Luana. "Você deveria voltar para casa com mais frequência. Quem mais vai tornar esta casa tão animada, se não você e seus filhos?"
Luana ficou realmente surpresa quando não conseguiu se conter e tossiu. Cobrindo os lábios com uma das mãos, Luana olhou alternadamente para Rey e Patrícia.
"Ah, desculpe." Luana se comportou mal, com um movimento no peito.
"Você está bem, Luana?" Rey agarrou rapidamente alguns lenços, que ele enfiou na frente de Luana agora.
Agarrando o lenço sem levantar a cabeça, Luana tentou recuperar o controle da situação. Deliberadamente sem olhar para Rey nos olhos, Luana optou por olhar para baixo.
"Se você terminou de conversar, então eu planejo levar minha esposa para um passeio por Leipzig, Mãe." A voz nítida de Rey dominou novamente, enquanto ele ainda estava de pé desde antes.
"Claro, terminamos."
Patrícia virou a cabeça para Luana, ainda sem soltar o sorriso que pairava em seus lábios.
Luana olhou para cima, encarando Rey. "Estamos indo?"
Rey acenou com a cabeça, com os braços cruzados em frente ao peito.
"Já que é sua primeira vez visitando Leipzig, então vou levá-la para visitar alguns lugares. Não se importa, não é, minha esposa?"
Os olhos da mulher se arregalaram novamente, seguidos por alguns engasgos. O rosto de Luana exibia uma expressão excessivamente confusa, mas parecia que Rey e Patrícia estavam gostando.
"Nossa, me sinto tão jovem de novo!" exclamou Patrícia alegremente, movendo-se para dar um tapinha no braço estendido de Rey. "Onde você arrumou uma atitude tão calorosa, Rey?"
O homem que foi acariciado apenas riu. A expressão de Luana era como um consolo para ele, quando ele agora estendia uma mão aberta para sua esposa falsa.
"Vamos sair agora, Madame Lueic?"
Uma pergunta que tirou o fôlego de Luana, enquanto ela sibilava sob sua respiração com os olhos aguçados.
Você está fazendo um show. Se ao menos você soubesse sobre o que acabei de falar com sua mãe, você seria uma causa perdida, Sr. Rey.
Em meio à atmosfera estranha que envolvia Luana e Rey, Patrícia se moveu lentamente para se levantar de sua cadeira. A grande senhora até bateu palmas duas vezes com prazer.
Patrícia rapidamente pegou a mão de Luana, que ela então colocou bem em cima da palma da mão de seu filho.
"Ah, vocês são tão fofos!" ela exclamou mais uma vez, com os olhos brilhando de felicidade. "Vão, aproveitem o tempo juntos. Leipzig também é um ótimo destino de lua de mel!"
Rey sorriu de volta, agora segurando firmemente a mão de Luana que já estava na dele. A palma da mão da mulher parecia lisa e macia, embora fosse inversamente proporcional ao olhar em seus olhos que olhavam para Rey meio com raiva.
Luana sacudiu as roupas, levantando-se lentamente para ficar diante de Patrícia e Rey. Balançando a cabeça, Luana pediu licença para deixar a presença de Patrícia.
"Vou primeiro, Mãe."
Patrícia acenou com a cabeça, sem realmente se opor a deixar Rey levar Luana de lá. Agora a mulher chegou mais perto, sussurrando suavemente bem ao lado de Luana. "Deixe o amor vir Luana, você não pode resistir nem um pouco. Ok?"
Rey fez o mesmo, despedindo-se de sua mãe enquanto seus passos começavam a se mover. Levando Luana para longe do gazebo, Rey olhou brevemente para suas mãos entrelaçadas abaixo.
A onda de Patrícia ainda estava no ar, assim que Rey e Luana viraram a esquina.
"Algo está estranho agora", disse Rey de repente.
O homem virou a cabeça para olhar para Luana, que agora estava bem ao seu lado.
"O que é estranho?"
Rey manteve um sorriso fraco, antes de sussurrar suavemente novamente.
"Suas mãos", disse o homem. "Cada vez mais, parece certo em minhas mãos."
Luana rosnou novamente, quase amaldiçoando porque Rey parecia ter ido longe demais.
"Ei--"
Mas Rey já havia desviado o olhar, puxando Luana de volta para caminhar rapidamente em direção ao seu carro que estava pronto na garagem.
Rey realmente não queria que Luana visse que ele estava sorrindo bastante.