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“Por que você fez isso?”
A pergunta de Luana foi a primeira da sessão de bate-papo deles hoje à noite.
De acordo com o pedido de Rey esta manhã, lá estava Luana – bem ao lado do homem, na mesma cama.
Cumprindo o pedido do nobre para dormir juntos esta noite, Luana estava ansiosa para recusar. Mas os olhos esperançosos de Rey continuavam a assombrá-la, então ela decidiu se aproximar do marido exatamente às nove horas da noite.
Rey ainda estava segurando seu laptop nas coxas quando Luana chegou e, claro, ficou um pouco confuso quando viu a roupa que ela estava vestindo.
Optando por pijamas de manga comprida, Luana também usava calças compridas que ultrapassavam seus tornozelos. Não só isso, ela ainda usava um suéter que quase afogava seu corpo minúsculo ali.
Que... droga, Luana. Que merda você está fazendo?
Encontrando o olhar de Rey por alguns segundos, Luana abraçou forte o cobertor que havia trazido de seu quarto ao lado.
Sem dizer nada, a mulher se moveu lentamente para o lado vazio ao lado de Rey, então encostou seu corpo na cabeceira da cama.
Rey também ainda estava mantendo os lábios bem fechados, ainda tentando digerir que tipo de situação eles estavam enfrentando agora. Até que finalmente uma pequena risada escapou dos lábios do nobre, com um gosto de cócegas que o divertiu o suficiente.
Fechando seu laptop e colocando o aparelho eletrônico na mesa de cabeceira, Rey virou a cabeça para olhar Luana de perto.
Os dois estavam sentados lado a lado, com o cobertor agora cobrindo-os até a cintura.
Concordando em passar algum tempo conversando casualmente antes que o sono batesse, os dois trocaram olhares com sorrisos tímidos como os de crianças do jardim de infância.
“Fazendo o quê?” Rey tentou confirmar.
Tinham muitas coisas novas que ele havia feito por Luana hoje, e ela queria uma explicação para não entender mal.
Era sobre o beijo deles esta manhã? Ah, isso foi tão fofo.
“Comendo o dim sum”, Luana soltou. “Você sabe que tem alergias. Mas por que você não disse nada quando eu pedi para você comê-los? Por que você não me recusou?”
Luana tentou não tocar no assunto do dim sum novamente, mas de alguma forma ela estava curiosa demais sobre o motivo que Rey estava escondendo.
Ele esqueceu?
Ele fez de propósito?
Ou, na verdade, não havia nenhuma razão específica para isso?
“Eu também não sei o porquê.” Rey sorriu um pouco. “Tudo simplesmente aconteceu e, bem, eu pensei que estava imune a essa alergia. Mas, aparentemente, minha doença não mudou.”
Luana olhou mais de perto para o homem, como se estivesse procurando justificação através de olhos que pareciam muito macios.
Não havia mais sensação de frieza ali, e agora Luana podia até vislumbrar uma faísca de luz que ela ainda não conseguia interpretar.
Aquele olhar parecia 180 graus diferente, e Luana secretamente gostava daquele olhar para ele.
“Sério?” Luana não parecia acreditar totalmente. “Só por causa disso?”
Rey assentiu vagamente agora, certificando-se de que Luana aceitasse seu raciocínio. Mas os olhos da mulher ainda procuravam algo ali, então Rey piscou lentamente.
“Na verdade, há mais uma coisa”, disse o homem. E aquela frase conseguiu atrair a atenção de Luana, até que ela inconscientemente se inclinou para encarar o marido.
“É verdade. Acho que você deve ter outro motivo”, especulou Luana. Ela estava pensando em tantas coisas ultimamente que agora estava correndo como um trem.
“Você queria fazer uma pausa no trabalho de propósito? Ou você realmente gosta de caranguejo, mas suas alergias atrapalharam? Ou... Você está curioso sobre o sabor do caranguejo porque não come há muito tempo? Qual é?”
Rey ficou surpreso por um momento quando ouviu a série de perguntas, mas então sorriu muito amplamente.
Por alguma razão, foi bom ouvir sua voz, quando Rey sempre gostou de ficar sozinho.
Agora não parecia mais.
“Qual?” insistiu Luana, ainda curiosa. “Sua razão.”
Rey não piscou por alguns segundos, como se estivesse guardando o olhar no rosto de Luana em sua memória.
A expressão dela, seus globos oculares, seu nariz fofo e seus lábios rosados.
A Vovó disse que vocês não podem ficar sozinhos, porque a terceira pessoa é um demônio. E agora, aquele diabo está assumindo.
Rey se aproximou, diminuindo lentamente a distância entre ele e sua esposa.
“Por sua causa”, respondeu Rey em meio sussurro. Sua voz tinha um volume baixo, mas de alguma forma soava como uma tentação difícil de resistir.
Luana ficou chocada. Mas ela não se moveu de sua posição, mesmo sabendo que a distância entre seus rostos estava agora diminuindo.
Tão logo ele colocou a mão no topo da cabeça de Luana, Rey falou novamente.
“Você quer isso, Luana”, disse ele. “A luz em seus olhos é tão longa, e eu não quero te decepcionar.”
Luana ficou completamente sem palavras, sem esperar essa resposta. Os toques de Rey em seu cabelo pareciam calmantes e, novamente, droga, Luana gostou.
Ela gostou daquilo.
“Porque se eu dissesse que era alérgico, você não ia querer comer lá”, continuou o nobre. “Estou te conhecendo agora, e você definitivamente escolhe reprimir seus próprios desejos. Você pensa nos outros com mais frequência do que pensa em seus próprios desejos, Luana.”
Rey nunca tinha sido assim. Vivendo como um nobre com acesso total, o homem raramente pensava nas escolhas de outras pessoas. Mas de alguma forma naquele momento ele não conseguiu resistir, mesmo depois de saber que era assim que seu corpo seria agora.
Inchado, quente e ligeiramente irritante.
Um momento de silêncio caiu sobre a sala, assim que Luana finalmente piscou e saiu de seu devaneio.
Incapaz de evitar o fato de que suas bochechas estavam agora coradas, Luana congelou novamente quando as mãos de Rey envolveram suas bochechas de maneira brincalhona.
“Eu gosto de te ver corar”, disse o homem honestamente. “E seus olhos quando você está confusa, me dão vontade de te pegar pela mão e te levar para um lugar mais brilhante.”
Luana não sabia onde Rey havia aprendido aquelas palavras, mas elas conseguiram atingi-la bem no fundo de seu coração.
Rasgando lentamente, mas desta vez em uma conotação positiva. E Luana teve que admitir que ela realmente gostou.
Gostou da voz de Rey, gostou das palavras do homem e, talvez... gostou do marido em um contexto diferente.
“Você está flertando comigo agora, Sr. Rey?”
Uma pergunta estúpida que acabou de sair dos lábios de Luana, fazendo-a acabar se xingando.
Mas, claro, Rey recebeu-a com alegria, sinalizada pelo sorriso que de repente apareceu em seu rosto bonito.
“Eu posso te provocar?”