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Heidelberg é uma cidade linda, tipo, que fica na beira do rio Neckar, na Alemanha. Famosa pelo castelo que ainda tá lá, tipo, majestoso, e pela ponte velha que fica bem em cima do rio Neckar, Heidelberg também tem um monte de universidades famosas.
Luana nunca imaginou que ia voltar pra essa cidade, depois daquele rolo de uns anos atrás que fez ela ter que vazar da cidade onde nasceu.
E quem diria que o aviãozinho maneiro do Rey ia trazer os dois de volta pra lá, sendo que o próprio Rey também não esperava que a Luana já tinha pisado nessa cidade antes?
“Peraí”, o Rey cortou. A voz do piloto tinha acabado de silenciar, e agora era a voz do Rey no ar.
Luana virou a cabeça. “Hã?”
O nobre deu uma piscada.
“Você falou que nasceu e cresceu aqui?”, o Rey perguntou, tipo, pra confirmar.
A Luana pareceu que sim, com a cabeça firme. Querendo ou não, essa foi a primeira vez que eles conversaram de verdade, mesmo que não parecesse que tavam falando numa boa. Pelo menos, tanto o Rey quanto a Luana respondiam as frases um do outro.
“É, tá certa”, a jovem respondeu rapidinho.
De repente, a Luana sentiu um aperto no coração porque o jeito que o Rey tava olhando pra ela parecia que queria dizer outra coisa. A Luana percebeu que não podia sair falando qualquer coisa e, sei lá, talvez fosse melhor ficar de boca fechada.
A Luana se xingou por dentro por ter falado algo sobre essa cidade linda antes e, sem querer, ter falado que era de lá. Ela não sabia se essa parada ia mudar alguma coisa, nem se ela ia conseguir falar a verdade como antes.
Ah, ele tava muito feliz de ter voltado.
Os olhos do Rey, tipo, de pito, franziram com uma curiosidade que tava crescendo. Pelo que ele sabia, nunca rolou uma família Collins morando em Heidelberg antes. Mas a mina tava falando, tipo, que sim, o que só atiçou a curiosidade.
O Rey decidiu não continuar com a pergunta. A própria Luana já tinha virado a cabeça pra outro lado, evitando de olhar direto pro nobre – torcendo pra que ele não fizesse mais perguntas.
Vendo que o Rey voltou pro silêncio, a Luana respirou aliviada. O avião pousou suavemente uns minutos depois, numa das pistas particulares que o Rey tinha na cidade linda.
A Luana respirou fundo enquanto se levantava da cadeira, olhando pra as costas largas do Rey que tavam bem na frente dela agora. Andando com passos firmes, o Rey tava até que maneiro, com uma camisa e calças que colavam no corpo dele perfeitamente.
Engolindo seco sem querer, a Luana piscou. Escolhendo jogar o olhar de novo pra outra direção, a Luana começou a se comportar mal.
O Rey era muito charmoso.
***
“Onde você tá sentada?”
A Mare levantou a cabeça pra encarar os olhos da patroa dela. Depois que o avião pousou uns vinte minutos atrás, o Rey e a galera dele entraram no carro que tava esperando por eles o tempo todo.
Levando a convidada de Munique pra um dos hotéis mais tops da cidade, o mensageiro parecia tá falando com o Rey, tipo, na intimidade. A Luana não fazia ideia do que os dois adultos tavam falando, mas ela era grata por a Mare tá no voo.
Olhando pra cidade durante o caminho, a Luana obedeceu quando a Mare guiou ela pra dentro do quarto super luxuoso que tinha sido preparado.
A Luana não fez perguntas quando o Rey escolheu ir pra longe do saguão do hotel, enquanto ela e a Mare continuaram direto pro elevador. Parecia que o Jovi também tinha se juntado aos homens, sumindo num dos corredores que a Luana não fazia ideia pra onde levavam.
“Na cabine de trás, Madame”, a Mare respondeu com um sorriso. “Madame acha que eu não vou vir?”
A Luana suspirou. O quarto de hotel que ela tinha acabado de entrar uns minutos atrás parecia tão grande que dava pra ser dez vezes maior que o quarto que ela tinha ficado na casa da Madame Collins.
Olhando pra cima, a Luana reparou nas esculturas de flores no teto.
Quanto será que vale esse quarto?, a Luana pensou consigo mesma.
Sentando na beira da cama king size, a Luana passou as mãos na coberta, que tava muito macia.
“Eu não sabia que você ia vir”, a Luana falou na moral. Jogando o corpinho dela na cama, ela ainda tava olhando pra o horizonte do quarto. “Eu achei que ia ficar sozinha, ou achei que ia ser exilada em algum lugar.”