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Comparado com o hotel que o Jovi escolheu, o Pagoda Bay Hotel é tipo uma versão miniatura dele. Menor e mais simples. Se a suíte presidencial que a Luana ficou antes era grandiosa e espaçosa, então o quarto que ela ficou dessa vez era bem menor, mas super aconchegante.
Assim que os pneus do carro do Jovi cantaram pra frear, o Rey já tirou o cinto e saiu sem falar nada. A viagem inteira o cara ficou repetindo as mesmas palavras, o que fez o Jovi nem ousar interromper.
"Por favor, Luana. Por favor."
Medindo os passos quase correndo enquanto entrava no hotel, o Rey parou bem na recepção. Um atendente o cumprimentou com um sorriso.
"Boa noite, senhor."
"Pode me dizer qual é o quarto da minha esposa?" o Rey disparou impaciente. "Ela acabou de fazer uma reserva aqui."
A atendente ficou confusa, dando uma dupla olhada.
"Me diz!" exclamou o Rey como se estivesse com pressa. "Preciso ter certeza que ela está bem, agora. Por favor."
"Me desculpe, senhor. Mas nós não podemos..."
A atendente ainda nem teve chance de reagir, quando o Rey já tinha enfiado o celular em cima da mesa. "Por favor. Preciso ver ela."
O Jovi também entrou quase correndo, antes de assumir pra explicar a situação. Depois de garantir que estava tudo seguro, o cara finalmente guardou o número do quarto pela ordem usada com o cartão do Rey.
"Quarto 203, Senhor."
Não demorou pro Rey sair correndo em direção ao quarto que tinha acabado de ser mencionado. Balançando os passos com o peito palpitando, o cara tava quase sem fôlego.
Até parar bem na frente de um quarto com exatamente o mesmo número: 203. Apertando a campainha nem uma vez, o Rey tentou respirar o máximo de ar possível. Ele tava quase anestesiado.
"Por favor, Luana. Por favor."
O cara ainda tava murmurando quando a porta branca brilhante abriu lentamente, com alguém botando a cabeça pra fora na entrada.
\ Foi tipo um oásis no deserto pro Rey.
Lá estava ela, a Luana. Sua esposa. Sua.
A Luana arregalou os olhos de descrença, com a testa franzida. E ainda por cima, o Rey tava uma bagunça, com a camisa toda amassada e suor na testa e no pescoço.
O que tava acontecendo, afinal?
"R-Rey?"
O cara quase desabou antes disso, mas então a linda cara da sua esposa pareceu recarregar a energia dele até a borda. Tão cheio.
"Luana."
Arrombando a porta semiaberta, o Rey empurrou a Luana contra a parede e fechou a porta com força. A respiração dele tava irregular, irregular.
A Luana ficou paralisada, sem conseguir fazer nada quando o Rey a encurralou sem nem ter uma distância significativa. O cheiro do corpo do cara invadiu os sentidos olfativos da Luana, fazendo o peito dela subir e descer com o nervosismo que tava ali presente.
Os globos oculares da Luana olharam pro Rey com olhos profundos, notando como o cara parecia desesperado e aliviado ao mesmo tempo.
"O que foi?" a Luana sussurrou baixinho. Inocente. "Por que você tá suando assim?"
A voz da sua esposa fluiu melodiosamente nos ouvidos do nobre, matando a sede que tinha entupido a garganta dele. Ele não podia ser mais grato do que isso.
"Eu achei que você tinha me deixado," o Rey abandonou suavemente todo o seu orgulho de homem. Ele não precisava de nada, realmente, ele só precisava dessa mulher. "Não vai, Luana. Em momento nenhum, não me deixa sozinho. Eu não sei o que seria de mim sem você."
A Luana piscou enquanto aquelas palavras lindas fluíam em seus ouvidos, mas ela realmente não entendia o que tava acontecendo. Por que o Rey tava assim, tão emotivo?
"B-bem," a Luana respondeu suavemente. "Eu vou te deixar?"
O Rey balançou a cabeça, respirando fundo.
"Promete que não vai," ele implorou suavemente. "Garante que não vai sair do meu lado. Promete pra mim agora."
O Rey nunca tinha sentido tanto medo na vida. Ele nasceu em uma família proeminente, com toda a fartura que o universo tinha destinado pra ele. Ele podia ter tudo o que queria, tinha muitas coisas que podia comprar com dinheiro.
Nunca o Rey tinha estado tão desesperado pra ter algo. Parecia que ele ia ficar completamente louco, se algo acontecesse com a Luana. Sua Luana. Alguém que conseguiu deixá-lo desesperado, até as profundezas mais profundas.
Porque a sensação de desespero dessa vez tava diferente, porque por mais dinheiro que o Rey tivesse, ele não podia garantir isso. Ele realmente precisava pedir, implorar se fosse necessário com toda a força que lhe restava.
A Luana suspirou suavemente.
"Ei," ela disse, com as mãos se movendo agora pra segurar o rosto do seu marido. "Olha, eu prometo."
O Rey olhou pra Luana de perto, muito de perto. "Repete mais uma vez."
Uma risada pairou nos lábios finos da Luana enquanto ela assentia. Sem objeção nenhuma.
"Eu prometo," ela repetiu. "Eu não vou sair de perto de você, não vou te deixar sozinho. Eu prometo."
Veio um suspiro de alívio que escapou dos lábios do Rey, quando os ombros dele quase desabaram. A ideia da Luana fugindo dele já tava deixando o cara incapaz de pensar direito, até ele podia parecer patético agora.
Mas tava tudo bem, contanto que a Luana ainda escolhesse estar ao seu lado.
Era só isso.
"Luana, você sabe de uma coisa?" o Rey ainda tava trancando a mulher em seu confinamento, sem nem dar espaço pra Luana escapar.
"Hm? Saber o quê?"
O Rey puxou os cantos dos lábios pra curvar um sorriso.
"Eu te amo."
Fez-se um silêncio enquanto o casal se olhava, até que a Luana disse as palavras que ela vinha guardando. Os seus sentimentos mais profundos.
"Eu também... te amo."
Parecia que cada centímetro do corpo do nobre queria se separar do corpo, devido ao prazer que não podia mais ser contido. A confissão da Luana foi o suficiente pra mantê-los indo em frente, pra continuar se agarrando um ao outro.
Só os dois.
Agora movendo seus lábios mais perto da bochecha do seu marido, a Luana roubou um beijo na pele meio molhada do Rey. Depois subindo um pouco e parando bem na orelha do cara, a Luana revelou algo que ela vinha guardando pra si mesma nos últimos dias.
"Não sou só eu que te amo, Rey," a Luana murmurou baixinho. "Mas também... o nosso filho."