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Mário parou no fim do corredor. Encostou na parede, tentando escutar o que Luana, a amiga de infância dele, e Rey Lueic, o nobre, estavam falando.
Sem conseguir ignorar a curiosidade que já tava pegando no coração dele, Mário finalmente tentou bisbilhotar a conversa dos hóspedes do hotel, mesmo sabendo que ia ser punido se os superiores dele descobrissem as ações dele.
Mas ele queria saber o que tava rolando com Luana e Rey. Os ouvidos dele pareceram bons o suficiente pra pegar a informação importante mais cedo, quando Rey chamou Luana de 'minha esposa'.
Um termo que era, claro, impossível, mesmo com o mundo todo tremendo. Luana Casavia e Rey Lueic? Sério!
Mas as tentativas do Mário de escutar escondido foram em vão, pois as vozes de Rey e Luana não podiam mais ser ouvidas fracamente. Mário enfiou a cabeça pra fora de trás da parede, tentando dar uma espiada no que tava rolando em frente à porta do quarto da Luana.
E voilá! As duas pessoas não estavam mais lá.
"Só curioso", Mário resmungou irritado, seguido por uma expiração pesada.
Depois de confirmar que não ia conseguir nenhuma informação ali, o jovem escolheu dar um passo pra trás.
Enquanto pensava direito em onde ele podia conseguir mais informações sobre o que rolou, ele sorriu quando uma ideia passou pela cabeça dele e imediatamente pegou um caminho pra esquerda.
Pra um lugar que talvez pudesse dar respostas concretas pra ele.
***
Luana ficou chocada.
O que Rey Lueic acabou de dizer? Dando as boas-vindas a ele pra entrar? Sério! Que tipo de boas-vindas ele tava querendo dizer?
Rey parou de andar. Assim que se virou pra checar onde Luana tava, o homem fez uma careta quando encontrou Luana, que também parou reflexivamente a uma distância considerável.
"Está aqui", Rey disse num tom de deboche. "Eu achei que você tinha ido embora."
Luana revirou os olhos com preguiça. Só a presença do Mário aparecendo na frente do quarto dela tinha feito a hora de descanso dela, e agora ela tinha que lidar com um nobre que não tinha ideia de quais eram os motivos dele sentado na beira da cama da Luana.
"Essa é minha cama", Luana disse de repente. Sem perceber por que ela tinha falado isso, Luana viu Rey levantando os cantos dos lábios pra formar um sorriso fraco.
"Essa é sua cama?" o homem perguntou, fingindo não saber. "Ah, certo. Essa é sua cama."
Em vez de levantar dali, Rey esfregou as palmas das mãos no cobertor supermacio. Luana piscou reflexivamente, sem acreditar no que tava vendo.
"Se essa é sua cama, isso não significa que também é minha, né?" A voz de Rey ecoou de volta no quarto, fazendo a atmosfera entre eles de repente parecer estranha.
Luana sentiu azia começando na base do estômago dela, sem saber se era porque ela não tinha comido o suficiente no almoço mais cedo ou tinha ouvido as palavras de Rey agora. Ela não queria discutir; ela sabia que Rey tava tirando sarro dela brincando.
Escolhendo manter os lábios selados por um tempo, Luana virou a cabeça na outra direção. Rey ainda tava sentado na beira da cama grande, apoiando as duas mãos atrás dela. A garota tava pensando em que palavras dizer pra que Rey pelo menos fosse embora.
"Tem alguma coisa que você quer dizer?" Luana perguntou finalmente. Um pouco gaguejada, mas a frase de questionamento escapou com sucesso dos lábios rosados dela.
Rey olhou furioso. Olhando pra Luana, que agora tava olhando de volta pra ele, o homem notou o cansaço no rosto da Luana.
Claro. Aquela mulher até foi sequestrada ou, mais precisamente, pediu essa manhã pra se tornar uma noiva de improviso sem nenhuma preparação.
Então ela teve que ir com o homem, agora o marido dela, pra uma mansão luxuosa pra fazer as malas dela. Não demorou muito pra que ela estivesse num avião particular, e agora ela também tava em outra cidade.
A energia da Luana devia ter sido sugada, sem mencionar como ela se sentia. Não deve ter sido fácil, e Rey ficou um pouco surpreso que Luana não tivesse reclamado de nada até agora. Aquela garota era tão submissa.
Rey pigarreou baixinho. Corrigindo a posição dele pra ficar mais reto agora, o homem juntou as mãos no colo.
"Por que eu tenho que ter alguma coisa pra dizer?" Rey disse de novo.
Dessa vez, o homem se levantou, foi com cuidado em direção a uma janela comprida com cortinas que se estendiam até o chão, e abriu as cortinas com um puxão firme.