10
O sol da tarde em Heidelberg ainda tava meio visível, com um céu azul cada vez mais lindo. De onde o Rey tava, ele conseguia ver como a cidade era organizada, e as pessoas pareciam interagir numa boa.
Ele curtia essa cidade. Heidelberg.
A Luana ainda tava em pé, mexendo as pernas, já tava começando a doer e pensando por dentro quando o Rey ia vazar desse quarto pra ela pelo menos deitar um pouco antes da Mare aparecer de novo às cinco, como a empregada tinha falado mais cedo.
O Rey virou. Jogando o olhar na Luana, que tava cada vez mais sem graça, o cara soltou um risinho.
"Senta aí", ele falou. Botando a mão no bolso da calça, o Rey ficou parado na frente da janela transparente.
A Luana respirou fundo. As pernas dela tavam doendo, e ela foi em direção à cama. No lugar do Rey, a Luana se segurou na beirada da cama com um monte de sentimentos misturados.
Isso não tava certo. E ela não tava curtindo ficar no mesmo quarto assim com o nobre.
"Uhm, é que..." a Luana começou a falar de novo, tentando de tudo pra tirar o Rey de lá o mais rápido possível.
"Me conta", o Rey respondeu, tipo, na lata.
"A Mare falou que ia vir às cinco pra me ajudar a me arrumar pro jantar", a Luana falou baixinho. O Rey parecia estar prestando atenção, e o cara tentou ouvir.
"E daí?"
A Luana agora tava torcendo os dedos.
"Eu só tava pensando em dar uma descansada antes do Mário vir", a Luana falou de novo. "Mas atrasou porque a gente tava conversando sem perceber, e..."
"E dando a mão?" cortou o Rey rapidão.
A Luana arregalou o olho, sem esperar que o Rey a cortasse tão rápido. Enquanto isso, o nobre parecia estar sorrindo com sarcasmo, sei lá o que ele tava pensando.
"Não é isso!" a Luana negou na hora. "Eu nem percebi e só..."
"Eu não tô nem aí pra isso", o Rey cortou de novo. "É problema seu quem você quer ficar. Mas se eu puder dar uma sugestão, pelo menos fique com homens da mesma classe que você. Por que você ia escolher um cara qualquer como ele?"
O coração da Luana na hora disparou, sem ela perceber, apertando os dedos com força agora.
Os olhos do Rey pareciam estar olhando pra ela com tanta clareza, com um sorriso sarcástico ainda bem estampado na cara do cara.
Que droga. Que nobre arrogante!
A Luana queria xingar, mas sabia que ia morrer se fizesse isso. O Rey não podia saber quem ela realmente era, e ela tinha que ficar quieta com a raiva dela.
Por outro lado, o Rey tava se sentindo cada vez mais feliz por alguma razão quando viu que a expressão da Luana agora tinha virado irritação. Os olhos da mulher tavam perfeitamente redondos, com um tom de raiva saindo das pupilas dela.
Que droga, o Rey tava começando a curtir aquela cara.
"Você pode sair agora", a Luana falou com a respiração presa, tentando não levantar a voz quando falou a frase dela. Ela não queria adicionar mais cansaço pro corpo dela, e quanto mais rápido o Rey saísse, melhor.
Mas a Luana não ia conseguir o que ela queria fácil porque o Rey riu com mais deboche ainda.
"Sair pra onde?" o cara perguntou.
A Luana piscou impaciente. Pelo visto, o Rey Lueic era lerdo pra pensar.
"Volta pro seu quarto", a Luana implorou. "Por favor, eu preciso muito descansar antes da Mare vir mais tarde."
O Rey ignorou ela, claro. O cara não respondeu na hora, mas começou a andar em direção ao armário onde a Mare tinha colocado as roupas da Luana há uns minutos atrás.
A Luana seguiu os movimentos do corpo do Rey, torcendo por dentro pra que o cara finalmente fosse vazar da presença dela.
Mas a torcida parou porque o Rey também parou bem na frente da porta. A Luana franziu a testa, olhando pras costas do Rey, que agora tava indo puxar a porta do armário.
"Qual quarto é o meu?" o Rey falou, quebrando o silêncio. Isso fez a Luana franzir a testa ainda mais, e a respiração dela começou a falhar.
O cara abriu a porta do armário com tudo, virando pra dar um sorriso de deboche pra Luana.
A Luana quase desmaiou quando viu as roupas do cara no armário, com as roupas dela do outro lado.
Estar no mesmo armário, as roupas do Rey e da Luana tavam lado a lado, e pareciam se dar bem.
Ai meu Deus, o que tá rolando?
Os ombros da Luana quase caíram. Quem colocou as roupas do cara ali? E por que tavam no armário dela?
O Rey riu baixinho.
"Qual quarto, Luana?" ele perguntou de novo. "Pra você saber, esse é meu quarto. Muito antes de você vir pra cá, esse era meu quarto."
A Luana queria desmaiar.
"Ah, e aquela cama", o Rey apontou pra cama grande que a Luana ainda tava sentada nela, de boas. "Aquela cama que você diz ser a sua cama é a que eu durmo faz tempo. Eu dei essa informação por vontade própria, caso você não soubesse."
O mundo da Luana tava prestes a desabar.
Os lábios dela tavam apertados, e as mãos começaram a suar frio.
Ela tava no quarto do Rey, e todas as roupas dela tavam lá também. Não me diga que eles iam...
"Você pode descansar", o Rey falou de novo. A Luana saiu do transe, olhando de volta nos olhos do Rey.
"Eu vou mudar-"
"Eu vou tomar banho primeiro." De novo, o Rey tinha cortado a frase inacabada da Luana, fazendo a mulher morder o lábio sem querer.
O Rey pegou uma camiseta e uma calça no armário e foi andando numa boa pro banheiro. Mas depois de só uns passos, o cara já tinha virado.
Ele olhou fundo pra Luana, que ainda tava sentada dura na beira da cama grande deles.
"E mais uma coisa", o Rey falou firme. "Ninguém vai se mudar. Nem você, nem eu."