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Os passos de Madame Collins pararam de repente.
A mulher de meia-idade pareceu arregalar os olhos, encarando incrédula a pessoa que tinha cruzado as pernas e estava sentada casualmente em sua sala de estar.
Seu corpo reagiu cerrando os punhos, imaginando se a pessoa que ela viu esta tarde era realmente a pessoa que ela esperou por tanto tempo.
Até que, alguns segundos depois, Madame Collins e a estranha cruzaram os olhares acidentalmente.
"Mamãe! Cheguei!" Beatriz exclamou alegremente, com um sorriso nos cantos dos lábios.
Ela se levantou da cadeira em que estava sentada e abriu os braços para fazer um gesto de abraço.
Madame Collins congelou por alguns momentos, antes de descer as escadas apressadamente.
Por amor de tudo! Beatriz tinha realmente voltado! Era realmente sua filha!
"Mamãe! Senti sua falta!" exclamou Beatriz quando Madame Collins se aproximou, esperando que ela recebesse um abraço caloroso da mãe que a carregou e a deu à luz.
Mas não teve sorte, porque o que Beatriz recebeu foi uma série de tapinhas nas costas.
"Sua louca!" Madame Collins simplesmente xingou, nem mesmo respondendo à saudação de Beatriz. "Como ousa voltar depois de causar tanta confusão, Beatriz! Eu realmente deveria te dar uma surra!"
Tocando nas costas de Beatriz com força considerável, Madame Collins pareceu satisfeita quando ouviu sua única filha fazer uma careta de dor.
"Mamãe! Ai, mamãe!" A loira choramingou. "Misericórdia, mamãe! Misericórdia, minhas costas!"
Mas pareceu que os tapas não iam parar. Rosnando com irritação crescente, Madame Collins nem percebeu sua respiração subir e descer com o vigor de uma quatro-cinco.
Talvez o ressentimento e a raiva estivessem fermentando dentro de seu peito por muito tempo, especialmente porque ela não tinha notícias da filha.
Ela foi abandonada, humilhada e até preocupada por se perguntar se ela estava bem lá fora.
Beatriz estava vivendo bem? Ela estava comendo regularmente? E os outros pensamentos que inundavam a mente de Madame Collins durante o desaparecimento de Beatriz.
Embora ela se arrependesse das ações de Beatriz, Madame Collins não podia negar que, como mãe, também abrigava um profundo sentimento de preocupação.
Tendo se cansado de desabafar sua frustração reprimida, a mulher de meia-idade finalmente encerrou lentamente sua surra tatuada nas costas de Beatriz.
Enrolando-se apressadamente e esfregando suas costas quentes, Beatriz só pôde resmungar com aborrecimento com uma testa franzida. Infelizmente, ela estava usando uma roupa de uma alça bem reveladora, que por sua vez fez com que o tapa de sua mãe deixasse uma marca avermelhada ali.
"Sinta isso, sua pirralha!" exclamou Madame Collins ainda levantando a voz. Respirando fundo para neutralizar sua frequência cardíaca acelerada, ela agora olhou para Beatriz atentamente.
Interiormente grata por sua filha ter voltado sem perder nada. Ela ainda parecia saudável e parecia ainda mais bonita.
"Mamãe! Sério, de qualquer forma," Beatriz ainda estava resmungando. Seu rabo acompanhava os movimentos de Madame Collins, que agora se aproximou para tomar uma posição em um dos sofás individuais, em frente a Beatriz.
"Quando você vai voltar?" O tom de Madame Collins soou áspero, mas Beatriz sabia que sua mãe sentia sua falta. "Você está bem?"
A sensação de queimação nas costas desapareceu gradualmente, quando Beatriz agora tomou uma posição para se sentar no sofá também.
"Como você pode ver, Mamãe. Estou bem. Você também parece bem na minha ausência."
Madame Collins bufou, ainda irritada no canto do coração. Mas agora Beatriz estava de volta, pelo menos ela era grata por isso.
"Cheguei ontem à noite", disse Beatriz enquanto se encostava na cadeira, firmando-se. Ela sabia que tinha que explicar tudo, e estava pronta para isso. "Você estava dormindo, e eu não queria te incomodar. Graças a Deus você está bem, Mamãe."
Madame Collins cruzou os braços sobre o peito.
"Você sabe o que fez, Beatriz?" ela perguntou direto ao ponto. Não havia tempo a perder, ela tinha que contar tudo o que aconteceu na ausência de Beatriz. "Você sabe que bagunça você fez, hein?!"
Beatriz engoliu. Ela sabia, e queria consertar as coisas. Embora estivesse (bastante) atrasada, ela pelo menos queria pedir desculpas profusamente a Rey.
Aquele de quem ela sentiu falta o tempo todo em que esteve fora. Agora que ela pensou cuidadosamente, ela decidiu concordar com tudo o que o homem pedir.
Ela não vai mais se esquivar, ela vai dar tudo para seu noivo.
"Eu sei, Mamãe", respondeu Beatriz com um sorriso no canto dos lábios. "Sinto muito por ter estragado tudo, sinto muito por envergonhar você e nossa família. Mas acredite em mim, eu realmente precisava de um tempo para pensar na época."
Madame Collins manteve uma expressão impassível no rosto, com seus ouvidos de radar atentos para ouvir a narração de sua filha.
"Eu não posso te dizer o motivo pelo qual eu fui embora naquela hora", explicou Beatriz. Seus olhos brilhantes pareciam envidraçados, mas ela continuou de qualquer maneira. "Rey pediu algo que eu não podia dar. Mas agora eu considerei cuidadosamente, e estou pronta para me redimir com ele. Ele deve ter me esperado por muito tempo."
Algo havia escapado à atenção de Beatriz, pensou Madame Collins rapidamente. Mas seus lábios permaneceram em silêncio, porque Beatriz ainda parecia querer falar.
"Eu preciso ver Rey imediatamente", murmurou Beatriz em um tom de voz mais baixo desta vez. "Vou implorar a ele, vou pedir que ele entenda minha decisão na época. Tenho certeza que ele vai entender, e estar disposto a começar tudo de novo comigo."
Madame Collins respirou lentamente.
"Eu não vou pedir um grande casamento, eu só vou pedir uma celebração simples", Beatriz fez um sorriso nos cantos dos lábios. "Eu estraguei tudo, então é assim que vou compensar desta vez. Ele vai entender."
O sorriso ainda estava nos lábios de Beatriz, quando de repente Madame Collins sentiu uma crescente pressão em seu peito.
Beatriz realmente não tinha ideia do que havia acontecido durante sua fuga de Munique, e agora Madame Collins começou a se perguntar como explicar a sua filha.
Para a filha que ainda parecia esperar mais uma chance de Rey, mesmo que ela o tenha deixado tola sem dizer uma palavra.
"Beatriz." A voz de Madame Collins ecoou na sala de estar da mansão.
Beatriz levantou a cabeça, e então gradualmente melhorou sua posição corporal para se sentar mais reta.
"Não se preocupe, Mamãe." Como se pudesse ler a hesitação nos olhos de sua mãe, Beatriz já havia dado sua voz. "Deixe-me cuidar disso, deixe-me pedir desculpas diretamente à família Lueic."
Não, não era o caso.
"Não é assim", interrompeu Madame Collins. A mulher de meia-idade apertou os dedos para aliviar sua indecisão, mas ela realmente teve que revelar tudo. "Rey, ele não é mais quem você pensa que ele é."
Beatriz balançou a cabeça fracamente. "Eu o conheço, Mamãe. Ele pode estar com raiva, mas ele ainda é Rey, meu noivo."
Deus, estava ficando complicado.
"Não, não assim", murmurou Madame Collins novamente. Ela realmente não esperava que fosse tão difícil dizer, especialmente quando Beatriz ainda parecia esperar que Rey voltasse para ela.
"Parece que você fez um movimento errado, Beatriz", disse Madame Collins novamente. "Depois que você saiu, as coisas não foram as mesmas. As coisas mudaram rapidamente, e você nem pôde ser encontrada. Mamãe tentou manter as coisas juntas, mas parece que Rey realmente mudou."
Beatriz franziu os olhos, começando a se perguntar onde sua mãe levaria esta conversa.
Respirando fundo, Madame Collins reuniu suas forças para revelar os fatos.
"Eu quero dizer, Rey...," Mas ainda gaguejando.
"Hm mh? O que há de errado com Rey, mamãe?"
"Ele... ele está casado."