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Rey e Ryan escolheram fofocar na sala de estar do andar térreo, aí tinham duas mulheres lindas de idades diferentes que escolheram sentar uma de frente para a outra bem na beira da cama.
Luana não sabia por que a mãe de Rey tinha pedido para elas saírem, porque por um lado era um pedido que a deixou sem palavras.
A atmosfera que tinha sido sentida do primeiro andar foi suficiente para deixar Luana constrangida, fazendo-a baixar a cabeça mais como se não conseguisse olhar nos lindos olhos de Patrícia.
"Levanta a cabeça, Luana."
A voz de Patrícia foi a primeira nota ouvida, depois de tanto tempo desde o som da porta fechando, que foi o último som na sala grande.
Apertando os dedos com um sentimento que era principalmente dominado pela ansiedade, Luana fechou os olhos por alguns segundos como se estivesse implorando ao universo por força.
Isso é mais difícil do que ela pensou.
"Luana."
Levantando a cabeça com quase nenhuma energia sobrando, Luana realmente carregava a vergonha e a culpa que pesavam cada vez mais em seus ombros.
Ela sabia que algo assim ia acontecer, mesmo que quem estivesse lá embaixo não tivesse falado sobre isso.
Era que, Luana era esperta o suficiente para adivinhar em que direção a conversa entre Rey e seu pai estava indo.
Deve ter algo a ver com o paradeiro de Beatriz, que pode ter revelado tudo para a família Lueic. Luana sabia que a mulher podia fazer qualquer coisa.
E agora, a única coisa em que Luana conseguia pensar era no fato de que ela estava quase na linha de chegada.
Com um movimento muito lento, Luana direcionou sua linda conta para retribuir o olhar de Patrícia, que havia sido direcionado a ela primeiro.
A respiração de ambas as mulheres era claramente audível, enquanto o silêncio tomava conta repetidamente assim que seus lábios se fechavam.
"Me desculpa, Mãe…"
A voz da jovem tremia, especialmente quando percebeu que não conseguia conter as contas de cristal que simplesmente se acumulavam nos cantos dos olhos.
Com apenas uma piscada, suas bochechas já estariam molhadas.
Patrícia começou a puxar os cantos dos lábios em um sorriso, e isso fez Luana perceber que a expressão que sua sogra estava usando havia mudado quase 180 graus.
Uma tonalidade avermelhada começou a aparecer nos cantos das bochechas da mulher de meia-idade, com os lábios puxados para cima. Se antes Patrícia não tivesse olhado para Luana, então agora o olhar em seus olhos parecia realmente calmo e tranquilizador.
E isso fez o coração de Luana quase sair do peito.
"Não é sua culpa, Luana."
Patrícia aproveitou a oportunidade para tentar iniciar a conversa, porque esse era o plano que ela havia feito com o marido. Ryan seria o responsável por falar com Rey, então ela mesma tentaria chegar ao fundo de como Luana se sentia em relação ao filho.
"Não é sua culpa", repetiu Patrícia como para enfatizar seu ponto. "O amor vem e escolhe onde deve morar, Luana. Você ainda se lembra do que conversamos em Leipzig?"
Demorou alguns segundos antes que Luana finalmente assentisse fracamente, quando a bola de cristal clara que estava molhando suas bochechas caiu. Enxugando apressadamente os rastros de lágrimas com as costas da mão, Luana respirou fundo.
"Claro que ainda me lembro, Mãe." A voz de Luana ainda tremia com a menção da palavra 'mãe', mas fez Patrícia sorrir ainda mais.
"Fico feliz em ouvir isso", respondeu Patrícia. "Espero que você não se esqueça do que eu pedi, sobre não resistir quando o amor mais tarde vier entre vocês."
A respiração de Patrícia parecia mais fácil agora.
"Uma mulher chamada Beatriz veio e me contou tudo", começou Patrícia longamente. "Ela revelou sua identidade. Ela também tentou consertar as coisas à sua maneira, mas parece que será difícil porque as coisas não são mais as mesmas."
Luana optou por pressionar os lábios, tentando ouvir o melhor que podia as palavras de Patrícia.
"Eu sei que você pode estar com medo." Desta vez, Patrícia se moveu um pouco para frente, para alcançar as costas de Luana para acariciá-la. "Mas acredite em mim, não há nada impossível neste mundo, se duas pessoas já se amam."
O olhar de Patrícia parecia um oásis no deserto, com um carinho suave que parecia fechar as feridas de Luana sem que a jovem percebesse.
Era difícil explicar os sentimentos que Luana estava sentindo, porque ela ainda estava tentando adivinhar para que lado essa conversa terminaria.
"Você quer se separar de Rey?" A pergunta de Patrícia soou muito clara, o que reflexivamente fez Luana arregalar sua conta rapidamente.
"Não!" ela respondeu quase em um grito sufocado. "Eu... não quero."
O sorriso estampado no rosto de Patrícia pareceu se alargar ainda mais, e parecia que ia ser fácil porque Luana era muito previsível.
A maneira como ela balançou a cabeça com um gesto de surpresa foi suficiente para Patrícia chegar a uma conclusão; que seu filho estava vivendo com a pessoa certa.
Que amava Rey, que olhava para Rey como ele olhava para a esposa.
"Você encontrou a resposta para o meu pedido?" Patrícia perguntou novamente. "Você escolheu ficar ou deixar esse amor ir?"
Luana piscou algumas vezes, antes de deixar seus lábios se separarem lentamente.
"Eu... escolho ficar", disse ela com convicção. Olhando para baixo por alguns segundos, Luana endireitou a cabeça novamente. "Mas eu não quero ser um obstáculo para Rey, Mãe."
Exatamente a mesma coisa.
Claramente, foi assim também que Patrícia se sentiu décadas atrás.
A ansiedade, a sensação de indignidade, a vergonha e todas as emoções negativas que giravam apenas por causa da diferença de casta. Como alguém que havia experimentado isso primeiro, Patrícia certamente foi capaz de entender o que Luana estava sentindo.
A mesma turbulência interna.
Pegando a mão de Luana que estava caindo em seu colo, Patrícia deu-lhe um tapinha gentil.
"Você sabe, Luana." Patrícia fez uma pausa. "Olhando para você agora, isso me faz lembrar o que eu passei com Ryan. Também viemos de castas diferentes, e assim como o que o pai dele fez antes mesmo de ele nascer, eu sei que Rey teria escolhido ficar com você. Porque ele se sente amado, porque ele te amou sem nem perceber."
O coração de Luana disparou quando seu cérebro processou o que acabara de ouvir, com um olhar de descrença.
Patrícia riu.
"Eu sou como você, Luana", disse a mulher de meia-idade novamente. "Ryan e eu somos de castas diferentes, e eu quase desisti naquela época. Achei que nunca haveria um caminho para nós, mas veja como o amor levou à luz mais linda."
Luana tentou esconder sua surpresa o melhor que pôde, mas parecia que a expressão em seu rosto ainda estava claramente exibida.
Quem diria que uma grande madame de uma família respeitada como a família Lueic teria passado por momentos difíceis apenas para manter um relacionamento.
"Mas olhe para mim agora, estou feliz", disse Patrícia com um sorriso brilhante. "Muito feliz, na verdade, e sei que você e Rey experimentarão uma felicidade ainda maior."
Luana não sabia por que o cristalino havia retornado. Era que agora ela sentia um zumbido muito forte em seu peito, seguido por uma sensação de alívio que a dominou.
"Mãe, eu…"
"Você não tem nada com que se preocupar", interrompeu Patrícia. Seu sorriso ainda era largo, com um tapinha caloroso nas costas da mão de sua nora. "Rey não apenas o protegerá, mas nós também. Toda a família Lueic fará o possível para garantir que você viva confortavelmente."
Novamente o fluxo de lágrimas se intensificou, o que agora fez Luana soluçar lentamente. Seu peito parecia apertado, mas não era mais porque ela sentia que a linha de chegada estava quase aqui, mas sim que a linha estava desaparecendo constantemente.
"Obrigada, Mamãe."
Explodindo nos braços de Patrícia, Luana deixou seus soluços dominarem por alguns momentos.
O abraço de Patrícia foi tão caloroso, e Luana realmente não precisava se preocupar com nada. Porque agora não só Rey estava do seu lado, mas também havia Patrícia e Ryan que ela havia chegado a considerar como seus próprios pais.
"Você merece ser feliz, Luana", sussurrou Patrícia em um tom de voz baixo. "Seja qual for o nosso status nesta terra, temos o mesmo direito de sermos felizes. Amar e ser amado."
As palavras soaram reconfortantes, assim como Luana sussurrou de volta nos braços de sua sogra.
"Tem uma coisa que eu quero te contar."
A mão de Patrícia ainda estava esfregando suavemente as costas de Luana.
"Hmm? O que é?"
Luana teve tempo de sorrir, antes de entregar a notícia que ela estava morrendo para contar.
"Estou grávida."
Patrícia reflexivamente quebrou o abraço e olhou para Luana com olhos brilhantes.
"O quê, Luana? Eu não te ouvi errado?"
A expressão no rosto de Patrícia fez Luana rir, antes de assentir novamente.
"Estou grávida, Mãe", ela repetiu. "Estou grávida, a criança do amor entre mim e Rey."
Patrícia não pôde deixar de abraçar sua nora de volta, com uma risadinha que ela não pôde esconder.
"Oh meu Deus! Eu vou ser avó! Vovó! Yiha!"
A voz e a exclamação de Patrícia realmente conseguiram reviver a atmosfera, como para corroer a atmosfera estranha que havia ocorrido no andar térreo antes.
Com certeza, não é isso que o Sr. e a Sra. Lueic esperavam?