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“Luana.”
“Hm?”
Rey ficou quieto por um tempinho. “Ela voltou.”
Luana não precisou fazer mais perguntas sobre as três palavras que acabaram de entrar nos seus ouvidos.
O corpo dela deu uma reação natural de rigidez por uns segundos, antes que um suspiro longo pudesse ser ouvido, enchendo o espaço vazio entre eles. A pegada na mão ainda estava forte, enquanto Luana tentava soltar a mão da de Rey, devagar.
Escapando com sucesso do olhar de Rey que tinha sido direcionado a ela, Luana virou quando quis se mover dali. Ela não queria estar mais nos braços do cara, especialmente quando seu cérebro processou a frase de Rey rápido.
Então, é aqui que tudo acaba.
Dando uma resposta que Luana nunca esperou, Rey, em vez disso, se moveu rápido para puxar Luana de volta para seus braços. Confinando a mulher em seus braços, Rey encostou a cabeça no ombro aberto de Luana.
Se os dois estivessem um de frente para o outro antes, agora Rey abraçava as lindas costas de Luana com as duas mãos juntas na frente do peito da mulher. Derrotada rápido, Luana caiu de volta na pegada do nobre. Não adiantava resistir, porque Rey já tinha dominado o corpo dela.
Quanto mais forte o abraço que ele apertava com os braços, mais o corpo do cara parecia estar tremendo devagar. Era como se ele estivesse curtindo o barulho ali, que bloqueava completamente a passagem da respiração.
Era sufocante e agonizante.
“Você achou ela?” Luana falou baixo, de vez em quando ainda tentando se soltar da pegada do marido. A respiração dela estava tão difícil quanto a de Rey, e ela estava grata por ainda ter alguma defesa própria. “Ela está bem?”
Rey rangeu os dentes impaciente.
O fato de Beatrice ter voltado estava atrapalhando a vida dele e fazendo ele perder o rumo do que deveria fazer. Ele estava muito preocupado com como Luana estava depois disso, mas olha como ela perguntou sobre Beatrice.
Sério!
“Você não precisa se preocupar com ela, Luana,” Rey sussurrou perto. O hálito do cara bateu na pele macia de Luana, o que de novo fez o cabelo dela arrepiar. Rey sempre conseguiu fazer ela se sentir sedutora, com a aura de intimidação e domínio que o cara exalava.
O suspiro de Luana foi ouvido. Os dois ainda estavam se abraçando, quando Luana decidiu não tentar sair de Rey, mais. Pelo menos, por agora.
“Fico feliz que você a encontrou,” Luana disse, tentando não deixar a voz dela soar trêmula. “Não é isso que você estava esperando?”
Rey deixou suas pálpebras fecharem quando respirou fundo. O silêncio nas primeiras horas da manhã estava tão quieto e parado, que parecia levar os dois mais fundo nessa conversa.
“Luana, por favor,” Rey murmurou pela metade. “E nós?”
Luana ficou quieta por dois segundos, antes de piscar algumas vezes. Puxando os cantos dos lábios em um sorriso amargo, Luana falou.
“E nós?” ela perguntou. “Você não prometeu me deixar ir quando ela voltar?”
Luana sabia que era rude da parte dela chamar Beatrice de ‘ela’, pois ela era essencialmente a filha do seu patrão. Seu patrão, alguém a quem ela tinha que servir. Mas, por alguma razão, Luana sentiu um nó na língua, pois mais da metade do seu coração não queria que o nome de Beatrice escapasse de seus lábios finos.
Ela não queria dizer o nome daquela mulher.
Rey mordeu o lábio entre a escuridão e a penumbra das luzes, agora inspirando o cheiro do corpo de Luana que ainda estava claro na ponta de seus sentidos olfativos. “Você ainda quer ir?” ele perguntou em um sussurro baixo. “Você ainda quer que eu te deixe ir?”
Demorou dois segundos antes que Luana balançasse a cabeça em resposta. “Você prometeu.”
Rey estava começando a se sentir frustrado, quando agora aproximou os lábios para beijar o ombro inocente de Luana. Isso fez Luana estremecer com um giro para trás da cabeça, não esperando que ele fizesse isso.
“Não faça isso de novo,” Luana implorou em voz baixa. “Tudo isso acabou, Rey. Acabamos de brincar de casinha, agora é hora de você me deixar ir como prometeu lá atrás.”
Luana se fortaleceu enquanto juntava as palavras, mantendo as feridas e arranhões em seu coração. Como serva, ela tinha se acostumado a reprimir seus sentimentos, até mesmo tendo que continuar sorrindo, embora seu coração estivesse despedaçado.
E desta vez, Luana foi grata por ter boas habilidades de camuflagem.
A palavra ‘fim’ que saiu dos lábios de Luana parecia perfurar o coração de Rey, bem no seu ponto mais profundo. Se ele tinha esperado que Jovi encontrasse Beatrice o mais rápido possível, agora ele realmente não queria que ela voltasse.
“Eu não quero que você vá,” Rey disse com sinceridade.
Luana balançou a cabeça. “Um nobre não quebra promessas, Rey.”
Rey suspirou suavemente. “Eu não posso ficar sem você, Luana.”
O silêncio caiu quando Rey revelou seus sentimentos mais profundos, algo que ele nunca tinha feito antes. Fechando os olhos para esconder as gotas de água que se juntaram nos cantos da sua conta, Luana mordeu o lábio para acalmar a emoção de tristeza que acabava de chegar.
Não, Luana. Não chore. Você não pode ser gananciosa.
“Mas eu posso,” Luana disse, revelando uma mentira. “Você sabia desde o começo que eu era apenas uma substituta para você. Este não é meu lugar, e agora eu devo ir.”
Luana tinha se perguntado repetidamente se sentiria triste quando Beatrice voltasse. E agora ela sabia a resposta, que ela não só ficaria triste, mas quase morreria.
“Luana, por favor,” Rey gemeu no ar. “Posso quebrar minha promessa só uma vez? Só uma vez, Luana. Eu quero quebrar, eu não quero te deixar ir assim.”
Quanto mais essa conversa continuava, Luana sabia que seria mais difícil sair do lado do cara. O fato de que o tempo e as circunstâncias mudaram tudo foi algo que Luana nunca esperou.
Sem saber que ela teria sentimentos diferentes pelo seu próprio patrão, Luana deveria ter se preparado para ser punida por amar Rey arrogantemente. O homem que pertencia ao filho do seu próprio patrão.
O fato de que Beatrice mesma tinha saído e fugido no dia do seu casamento não era realmente problema nenhum de Luana. Porque mesmo que a mulher não voltasse, Luana não poderia estar ao lado de Rey.
Havia algo maior do que apenas ser uma substituta, e ela sabia que era ela quem se machucaria se tudo viesse à tona.
“Volte para ela, Rey,” Luana sussurrou com a mão que se moveu para acariciar gentilmente a superfície da mão de Rey.
Só desta vez, eu quero te manter na minha memória, Rey.
“Não.”
“Ela deve ter tido uma razão para ter saído naquela época,” Luana falou de novo.
“Não, Luana. Por favor -”
“Assim como você me pediu naquela época,” Luana interrompeu. “Você não está curioso para saber por que ela saiu? Você não queria ouvir a explicação dela? Então agora ouça-a e dê uma segunda chance a ela.”
As palavras de Luana soaram muito gentis, mesmo que fossem entregues com grande tristeza.
Rey balançou a cabeça fracamente, colocando de novo os lábios no ombro de Luana.
“Eu quero você,” ele sussurrou. “Que se dane as razões, eu não me importo mais. Agora eu só quero você. Só você, Luana.”
Assim como Rey tinha balançado a cabeça antes, Luana também balançou a cabeça de volta. Seus olhos arregalados olharam para frente, quebrando a escuridão da noite enquanto outros ainda estavam dormindo profundamente.
Nos braços do cara, Luana tentou desenhar um fio condutor comum entre eles. Algo que ela nunca tinha revelado a ninguém, porque Madame Collins tinha pedido a ela. Mas era improvável que ela pudesse voltar para a residência Collins uma vez que isso terminasse.
“Há algo que você deve saber sobre mim, Rey,” Luana disse quieta. Seu coração estava disparado, como se as lesmas estivessem trabalhando duro batendo nos tambores lá dentro.
Talvez fosse hora, de revelar tudo. Talvez, dessa forma, eles pudessem desembaraçar as dobras, antes de seguir em frente com suas vidas. Rey, que tem que enfrentar sua ex-noiva, e Luana, que tem que acordar do jogo da amante que ela tem jogado.
Agora era hora de revelar tudo.
“Diga, eu vou ouvir.”
Demorou alguns momentos para Luana organizar seu coração despedaçado, antes que seus lábios se separassem um pouco para fazer um som.
“Você não pode ficar comigo,” ela disse suavemente, cheia de tristeza e pesar. “Porque eu não sou uma nobre, mas apenas uma pessoa de baixa casta que está pronta para morrer por ter sentimentos por você.”