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O Rey parecia ter se animado, depois de saber que ele não foi o primeiro amor da Luana.
A expressão no rosto do homem mudou lentamente, o que antes destacava uma profunda inveja agora voltou à sua aparência original.
Embora ele tivesse deixado faíscas explodirem em seu coração, mas agora o Rey realmente não precisava se preocupar, porque aquele ao lado da Luana era ele mesmo.
De acordo com o que a Luana disse antes que o homem abrisse a boca.
"Deixa pra lá, não precisa pensar nisso, Rey." A Luana se moveu para ficar mais perto do homem. "De qualquer forma, é só uma história de amor do passado, porque eu e o Mário moramos no mesmo bairro."
Quanto mais a Luana explicava, mais curioso o Rey ficava.
"Me conta um pouco mais sobre vocês", ele pediu. "Quão próximos vocês eram daquele cara?"
A Luana riu espontaneamente, ainda ciente dos resquícios de ciúmes no tom de voz do marido.
Estava ficando tarde, mas parecia que essa conversa ia durar um pouco mais.
"O quê, hein?" A Luana piscou suavemente. "Eu e o Mário temos só alguns anos de diferença. De todos os amigos que eu tenho, o Mário é o único que nunca me zoou por ter ou não ter pais."
O Rey ouviu com atenção, tentando deixar de lado a sensação estranha de ouvir histórias sobre sua esposa e outro homem.
"O Mário é um bom cara, Rey", a Luana não hesitou em elogiar seu amigo. "Quando as pessoas riam e zombavam de nós por sermos órfãos, ele seguiu um caminho diferente, sendo meu amigo. Talvez, porque nossas condições familiares também não são muito diferentes, essa sensação de compatibilidade está presente."
A Luana ficou sonhadora de novo, mas desta vez foi seguida por um sorriso que pairava nos cantos dos lábios.
"Pelo menos eu tive bons momentos quando criança porque tive o Mário para ser meu amigo", ela continuou. "Talvez por isso, eu decidi que o Mário foi o primeiro homem que eu amei."
Ao ouvir a frase que sua esposa havia amado outro homem, o Rey se arrependeu espontaneamente de ter pedido à Luana para contar mais.
Porque acabou sendo doloroso só de ouvir.
O Rey não pôde evitar cerrar os dentes, porque de novo o deus da inveja ainda parecia estar girando na cabeça do homem.
"Já chega. Chega, meu amor", interrompeu o nobre em tom sibilante. "Eu não quero ouvir sobre sua história de amor com outro homem, Luana. Mesmo que seja no passado, eu simplesmente não quero."
"Você me perguntou antes", a Luana protestou. "Certo?"
O Rey sorriu.
"Sim, eu perguntei", ele disse meio arrependido. "Mas eu achei que você não ia dizer que já o amou."
Ai, meu Deus, Rey!
Vendo a expressão no rosto do marido que ficou triste de novo, a Luana sabia que esse era o momento certo para persuadi-lo.
O Rey ainda parecia chateado, apesar de seus esforços para esconder isso, mas a Luana sabia que a reação espontânea do Rey era simplesmente porque ele não queria se dividir com nenhum homem.
Não importava se era antigo ou moderno, o ponto era que o Rey não estava disposto. Ponto final.
E assim, saiu o movimento final dos lábios da Madame Lueic.
"Agora eu só amo você, Rey", ela sussurrou de perto. Meio brincando, meio esperando que o estado emocional do Rey melhorasse novamente. "Eu estou aqui com você, é tudo que importa, certo?"
Como chá gelado com um cubo de gelo, foi tão bom. O Rey então sorriu furtivamente quando a Luana o abraçou forte, sentindo o abraço crescente de sua mulher.
Respirando fundo, o Rey inalou o cheiro de shampoo que emanava da linda cabeleira de sua esposa.
"É isso mesmo, é isso mesmo", disse o Rey, esfregando as costas da Luana. "É tudo o que importa, não é? Você é minha agora, minha mulher, minha esposa, a mãe dos meus filhos. Eu sou o homem mais sortudo do mundo, Luana."
É claro que a Luana teve que concordar. Porque se ela balançasse a cabeça, seria uma longa história.
"Claro, querido", a Luana respondeu rapidamente, seu tom de voz o mais casual possível. "Claro, o passado está aí para nos ajudar a seguir em frente, não para ficar preso nele. Vê, eu estou com você agora porque eu passei por tudo isso."
Quanto mais doces eram as palavras da Luana, mais forte era o abraço do Rey para sua esposa. Naquele momento, o homem se lembrou de algo.
"Querida!" ele exclamou em voz baixa. Abaixando a cabeça para olhar para a Luana, o Rey então desfez o abraço deles.
"Hmm?"
"Espera, eu me lembrei de uma coisa."