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Ainda fazendo careta de leve por causa da beliscada na mão mais cedo, Rey deu uma olhada rápida na marca avermelhada que tava bem visível na pele dele. Se a Luana conseguia diminuir a distância entre eles, então ele também conseguia, saca?
Dando dois passos pra frente, o Rey diminuiu ainda mais o espaço que separava os dois.
"Qual é a razão de você querer ir pra lá?" Foi o Rey que perguntou dessa vez, com os olhos fixos na cara da esposa dele. "É por causa da Valerie que tá lá, ou porque o Pedro tá lá?"
A Luana franziu a testa de novo, sem entender por que o Rey tinha jogado o Pedro na conversa. Quem era aquele cara, afinal?
"Por que você tá perguntando isso?" A Luana fez uma cara feia. "E daí se o Pedro tá lá? Ele não é um dos seus parceiros de negócios também?"
O Rey deu uma risadinha quando o nome do Pedro saiu dos lábios macios da Luana, como se ele não conseguisse aceitar que aqueles lábios dissessem o nome de outro homem que não fosse ele.
Apertando os punhos com força, o Rey ainda não entendia por que tava reagindo demais daquele jeito.
"Você não tá afim dele?" O Rey foi direto ao ponto. "Não tava querendo entrar no clube por causa dele?"
A Luana piscou os olhos algumas vezes, olhando pro Rey de um jeito estranho, com um monte de interrogações na cabeça.
O que tava rolando entre o Rey e o Pedro, afinal? Por que o Rey tava tão sensível por causa da presença do Pedro naquela tarde?
Mas quanto mais a Luana ficava curiosa, mais curiosa ela ficava.
"E daí?!" ela respondeu, pra não ficar por baixo. "Ele é gente boa, e a gente já se conheceu antes. Ser do mesmo clube pode ser legal, já que eu já tenho amigas. E eu gosto disso."
A terceira descarga elétrica tinha acabado de chegar, quando o Rey arregalou os olhos de descrença.
"O que você disse?!" O Rey bufou de raiva. "Você gosta dele?"
A Luana suspirou de novo. "Gostar de quem?"
"Você falou que gosta dele", retrucou o Rey com a voz alterada. "Você não quis dizer que gosta do Pedro? Daquele cara? Fala aí!"
Mas o diabo tá sempre no meio de dois humanos mesmo, porque o Rey encostou a Luana cada vez mais na parede do carro.
Com a distância diminuindo, a Luana conseguia ouvir direitinho o barulho da respiração pesada do nobre.
Estar tão perto do Rey deixava a Luana com uma sensação estranha e estabanada, principalmente porque as memórias da noite na ilha ontem ainda tavam frescas.
Recuando o corpo mesmo que não tivesse mais espaço ali atrás, a Luana formou uma defesa com as duas mãos que foram parar, simultaneamente, no peito largo do Rey.
Reprimindo o homem, reprimindo tudo que poderia acontecer nos próximos instantes.
"Não chega mais perto", a Luana falou num meio-sussurro dessa vez, porque as batidas do coração dela lá dentro tavam saindo do controle. Principalmente agora que ela conseguia sentir o perfume marcante que o Rey sempre usava.
Masculino, e talvez... Dominador.
"Por que eu não posso chegar mais perto?" O Rey perguntou sem perder tempo. "Eu não sou seu marido?"
A Luana engoliu seco, entendendo que aquela situação não seria favorável pra ela. Os braços dela ainda tentavam colocar um pouco de distância entre ela e o homem, mesmo sabendo que a força dela nunca seria igual a do nobre.
"Mas não é assim que funciona", a Luana falou ainda baixinho. "Você tá me sufocando, e eu não consigo respirar. Sai de perto agora, tá?"
A Luana teve que fechar os olhos com força, porque o rosto do Rey tava muito perto dela. Os olhos com as íris azuladas pareciam irreais, e a Luana não tava gostando nada daquela situação.
Ela não queria ter esperanças, não queria que nada inapropriado acontecesse entre ela e o homem.
Vendo a Luana que parecia mesmo atrapalhada, o Rey finalmente deu dois passos pra trás, mesmo que meio a contragosto.
Agora há pouco a mulher tinha exclamado e quase gritado na frente dela, mas veja dessa vez como a Luana parecia frágil e sem resistência.
Cada toque que rolava entre eles deixava a Luana fraca, porque tinha memórias ruins que tiveram a má sorte de serem as primeiras a serem riscadas.
Exalando pesadamente, a Luana agradeceu por o Rey estar disposto a dar um espaço pra ela.
"Eu não falei que gosto do cara", a Luana disse depois de alguns instantes de silêncio entre eles. "Eu falei que ia ser legal ter uma amiga, e eu gosto disso."
De novo o Rey olhou pra ela com firmeza, com as duas mãos entrelaçadas na cintura dessa vez.
"Gostar do quê?"
A Luana não conseguia entender por que o Rey tava perguntando isso direto. Ela não achava que tinha falado nada de errado, mas por que o Rey parecia chateado?
Respirando cansada, a Luana abriu a voz de novo.
"Gostar do fato de já ter amigas", ela corrigiu. A Luana secretamente se arrependeu de como um empresário jovem, supostamente bem-sucedido como o Rey, tinha problemas de comunicação. "Não porque eu gosto dele, mas porque eu fico feliz em ter uma amiga. Você entendeu?"
Não sabemos de onde o diabo veio de novo, mas o que tá claro é que dessa vez o Rey abriu um sorriso o mais largo que conseguiu.
"Ah, entendi", ele murmurou quase inaudível. "Então não é porque você gosta do Pedro, né?"
A Luana teve vontade de beliscar a cabeça do homem na frente dela, porque pareceu que uma beliscada não era o suficiente pro Rey. Mas lembrando que o Rey podia revidar como tinha dado um soco nela mais cedo, a Luana desistiu.
"Como? Tá claro, né?" A Luana perguntou. "A culpa é toda sua, de qualquer jeito, porque você me perturbou fazendo crochê de lenço. Se a gente não tivesse vindo aqui, o meu lenço já estaria pronto amanhã de manhã."
Teve mesmo um tom de reclamação na frase da Luana, mas o Rey não ligou pra isso. Porque o mais importante, ele tinha pelo menos confirmado a única coisa que ele queria ter certeza.
Que a Luana não tava lá pelo Pedro, que a Luana não tava lá pra ficar com ele.
"Tudo bem então", o Rey falou então. Depois da discussão inútil acima, o nobre finalmente assentiu de forma vaga. "Você pode entrar, mas com a condição de que eu tenha que ser o que te acompanha toda vez que você for em alguma reunião. Você entendeu?"
A Luana pareceu pensar por um instante, mas então ela logo assentiu com a cabeça. Ela não tava nem aí pra quem a levasse pra lá, se era o Jovi, outro motorista particular, ou até mesmo o Rey. Contanto que não mandassem ela ir andando, então tudo ia ficar bem.
"Tudo bem. Então temos um acordo?"
O Rey balançou a cabeça de novo. Afinal, tinha acabado de vir à cabeça dele que a Valerie Genneth era amiga da Rouletta, e pareceu que a mulher parecia ser gente boa.
Pelo menos o Rey podia monitorar o que a associação da Luana tava fazendo, e a Valerie parecia confiável. E por outro lado, parecia que ela tinha um relacionamento bem próximo com o Pedro.
"Ok", o Rey disse animado. "Lembre-se do nosso acordo."
A Luana suspirou de leve, antes de balançar a cabeça meio a contragosto. "Tudo bem, tudo bem. Vamos nos inscrever agora."
O Rey pareceu concordar com isso, pois ele já tinha se virado pra dar passagem pra Luana.
A meia hora que eles tinham passado discutindo tinha sido bem exaustiva, principalmente porque a beliscada da Luana ainda tinha deixado uma leve marca no braço do homem.
Pisando forte com o pé impacientemente, a Luana já tinha ido andando e deixado o Rey que ainda tava preso ali atrás.
Resmungando em silêncio, a Luana ficou feliz por conseguir soltar uma exclamação bem na cara do nobre naquela tarde.
Mesmo que tenha terminado de novo com um acordo antigo, a Luana não ligou. Porque o sorriso caloroso da Valerie mais cedo já tinha atraído a atenção dela, e ela realmente queria experimentar ser amiga daquela mulher.
Mantendo o ritmo, a Luana nem sequer olhou pra trás. A mão delicada dela já tinha agarrado a maçaneta da porta e a empurrado pra abrir, pra entrar no prédio grande da Der Beste.
"Que homem estranho", a Luana sussurrou pra si mesma. "Por que ele tá associando o Pedro comigo, se eu não tenho nenhum interesse nele, sério!"
A Madame Luana parecia pronta pra nova reunião, embora uma coisa tenha escapado da atenção dela dessa vez.
A Luana podia ter esquecido que a atração pode vir de um monte de tempo passado junto.
Com o Pedro cheio de sorrisos amigáveis na reunião deles, a Luana realmente não ia nem dar uma olhada pra ele depois?