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Luana olhou para o relógio dela um pouco mais desta vez.
A luz do sol lá em cima começou a desvanecer à medida que as horas passavam, tal como o ponteiro pequeno no relógio redondo da Luana apontava para as quatro. Rey estava a planear um piquenique como ele disse esta manhã, mas não um piquenique a sério, mas apenas passar tempo num parque sombrio da cidade.
Comprando fast food e as bebidas favoritas, os dois concordaram em aproveitar a brisa do parque, que estava bastante cheio de visitantes naquele dia. Até agora, eles estavam no carro conduzido por Rey, Luana tinha olhado para o marido dela.
"Rey."
Tirando os olhos da estrada que estava à frente, Rey ainda segurava o volante com força.
"Hmm?"
Luana fez uma pausa por alguns segundos, mesmo antes da mulher abrir os lábios lentamente.
"Isso... na verdade, hoje Pedro voltou para Heidelberg."
A bela voz melodiosa preencheu todo o carro, quando Rey agora tomou a decisão de abrandar. Virando a cabeça em direção a Luana, ele olhou para ela atentamente.
"Ele voltou?" ele perguntou, tranquilizador. "Ele não vai ficar em Munique?"
Luana balançou a cabeça fracamente, com os dedos entrelaçados no colo dela. Foi a meio do coração dizer isto a Rey, porque Luana sabia que a relação entre Rey e Pedro nunca pareceu ser boa.
A começar pelo encontro em Heidelberg naquela altura, até aos dois se reunirem no magnífico edifício de Der Beste, os dois não pareciam aceitar a presença um do outro. A partida de Luana com Pedro e Valerie ontem à tarde finalmente fez Luana perceber os planos de Pedro de voltar para a bela cidade de Heidelberg.
"Ele disse isso quando saímos ontem à tarde," Luana começou a explicar. "Não sei o que motivou essa decisão, mas parece que ele está mesmo a ir para casa desta vez."
"Ir para casa?"
Luana suspirou suavemente. "Quero dizer, ele não vai voltar para Munique tão cedo, tendo decidido instalar-se em Heidelberg."
De repente, Rey lembrou-se de como Jovi tinha explicado sobre Pedro há algum tempo, que a família Viscout era de facto uma das famílias nobres mais proeminentes em Heidelberg. Independentemente da forma como Pedro se comportava, ele ainda era um dos sucessores do império comercial altamente considerado dos Viscout.
"Ah, é assim?" Rey optou por encostar o carro, com o ritmo a começar a parar completamente. "Então, queres vê-lo?"
O carro estava estacionado no lado da estrada, com ambos os pares de olhos trancados.
"Podemos?" Luana mordeu o lábio em hesitação. "Queres ver Pedro no aeroporto? Acho que Valerie é a única a levá-lo desta vez."
Rey não precisou de pensar mais, porque o brilho implorante nos olhos de Luana já tinha penetrado no coração dele. Por amor a ele, ele não podia ignorar isso, não importava que a relação dele e de Pedro nunca tivesse corrido bem.
Deixando o silêncio pairar por alguns segundos, Rey finalmente acenou com um brilho no olho.
"Claro que podemos," ela respondeu rapidamente. "A que horas é o voo?"
Luana desenvolveu inconscientemente um sorriso em ambos os cantos dos lábios, depois respondeu não menos rapidamente. "Pouco depois das cinco horas. Talvez possamos encontrá-lo se formos para o aeroporto agora?"
Dando-lhe o mesmo sorriso, Rey levantou a mão para esfregar suavemente a bochecha da esposa dele.
"Tudo bem," ele disse então. "Tenta ligar para ele, pergunta-lhe em que porta ele vai estar."
Acenando em concordância, Luana tinha tirado o telefone dela assim que Rey voltou a pisar no acelerador lá em baixo. O som do motor do carro podia ser ouvido novamente depois de ter parado mais cedo, com Rey agora a acelerar o carro mais rápido do que a velocidade média.
Pelo menos ele ia levar Luana para ver aquele homem --Pedro Viscout, antes que os dois nunca mais se voltassem a ver.
***
"Promete voltar para Heidelberg, Val." Pedro mexeu-se suavemente na chávena de café expresso na mesa, com Valerie sentada mesmo no banco da frente. "Já consideraste o que eu disse naquela altura?"
Valerie apanhou o cabelo dela para amarrar o nó, completando a trança dela de uma só vez.
"Não quero fazer nenhuma promessa," ela disse levemente. Os olhos dela olharam brevemente para a bebida dela meio vazia, mas ela não a aproximou. "Queres mesmo casar comigo?"
Pedro sabia que Valerie sempre dizia o que pensava, especialmente para ele. É por isso que até a conversa sobre o casamento nunca pareceu sagrada ou séria entre eles.
"A pequena Valerie Genneth não planeava casar com um Pedro Viscout?" Pedro retorquiu. "Foste tu que me pediste para casar contigo quando estávamos na sexta série, lembras-te?"
A gargalhada de Valerie encheu o ar, deixando um som melodioso que flutuou suavemente pela cafetaria no corredor do aeroporto. A frota que o lutador levaria para a cidade dela estava programada para sair em cerca de uma hora, e era lá que eles estavam quando decidiram esperar.
"Não me lembro," Valerie meio que mentiu. "Devo ter estado inconsciente quando te disse isso."
Desta vez foi a gargalhada de Pedro que pairou, deixando os bons olhares que já não podiam ser separados do homem. A t-shirt preta como o carvão enrolada no corpo robusto dele parecia encaixar perfeitamente, com o casaco de ganga que o homem ainda estava a cobrir a base da cadeira.
"Tens muito tempo para te lembrares, Val," Pedro disse finalmente. Levantando o copo para beber o café expresso, o lutador sorriu ligeiramente. "Falei a sério quando disse que preferia casar contigo do que com outra mulher. Pelo menos, bem, viver com a tua melhor amiga pode ser mais fácil do que com uma estranha."
Valerie olhou para o homem atentamente, deixando as íris dela observarem como a escultura facial de Pedro parecia realmente perfeita. O pequeno Pedro não era assim tão bonito, mas olha como um dos sucessores dos Viscout se transformou num homem crescido que também era... sedutor.
"Tudo bem," Valerie disse finalmente. "Vou considerar isso mais uma vez."
Puxando o copo e escorregando o conta-gotas entre os lábios, Valerie quase fez o líquido no copo chegar ao fundo. Assim que ela levantou a cabeça novamente, os olhos dela apanharam uma silhueta que a fez franzir os olhos.
"Luana?" ela sussurrou a meio. Destacando a chegada de duas pessoas de mãos dadas atrás das costas de Pedro, Valerie franziu os olhos ainda mais. "Pedro, olha. Aquela é a Luana, certo?"
Ouvindo o nome de Luana no ar, Pedro virou o corpo dele reflexivamente para verificar o que Valerie estava a olhar para trás. E, naquele momento, as contas das quatro personagens principais neste romance chocaram-se entre si, seguidas por Luana a sorrir e a acenar.
"Pedro!"