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Os olhos de Beatriz piscaram perfeitamente.
"Impossível!" ela exclamou num tom abafado, seguida por um coração a mil.
Era como se seus órgãos fossem explodir, mas a única resposta que ela pôde dar dessa vez foi uma risadinha da piada da sua mãe.
Uma piada bem... sem graça.
"Não brinca, Mãe!" ela retrucou num tom de voz que começou a tremer. "Como ele pôde casar? Eu acabei de voltar para Munique."
Quanto maior a negação de Beatriz dos fatos que ela tinha acabado de revelar, maior o remorso que agora estava presente nos recessos do coração da Madame Collins.
Depois de quase dois meses pensando que sua decisão era a certa, ela agora estava sentindo as consequências de sua ação apressada.
A decisão dela de pedir para Luana tomar o lugar de Beatriz foi unicamente para que o casamento ainda pudesse acontecer e a reputação de ambas as famílias fosse salva.
Sério, era só isso.
Agora os olhos de Beatriz olharam incrédulos para a sua mãe, com todas as acusações apontadas diretamente para ela. Buscando a verdade, mesmo que esperasse em seu coração que sua mãe estivesse, de fato, contando uma mentira.
Houve um suspiro pesado da Madame Collins, enquanto a mulher de meia-idade se reposicionava para sentar mais reta.
A discussão que ela estava prestes a ter com sua única filha parecia ser longa, e ela realmente precisava explicar tudo sem perder o ritmo.
"Olha, Beatriz, não é tudo mentira", disse Madame Collins com seus olhos piscando algumas vezes. Ela queria guardar tudo para si, mas é claro que não podia.
"Mamãe!"
"Ele realmente está casado", explicou Madame Collins novamente.
Deixando seus olhos solitários encontrarem os globos agora diferentemente brilhantes de Beatriz, a nobre tentou explicar.
"Você não estava presente naquele dia", ela começou. "Rey estava furioso, e a reputação de ambas as famílias estava em jogo na frente dos convidados que tinham lotado o seu salão de casamento."
Beatriz prendeu a respiração, incapaz de ouvir mais. Seus ombros caíram, mas isso nem era metade da história que sua própria mãe estava prestes a contar.
"Rey trouxe sua família extensa do Canadá, e não havia como o casamento ser cancelado", Madame Collins interveio novamente. "Você não faz ideia de como a Mamãe entrou em pânico quando você estava ausente e inatingível. Os oficiais já estavam urgentes porque o compromisso do casamento tinha se estendido por algum tempo, e Rey não podia mais esperar."
\ como se alguém o tivesse esfaqueado no coração, Beatriz nunca esperou que sua noiva fosse em frente com o casamento mesmo se ela não estivesse lá.
A única coisa em que ela conseguia pensar era que Rey devia estar esperando por ela. O homem seria capaz de desfazer tudo, para que eles finalmente se unissem no futuro.
Mas acabou que o que aconteceu foi algo em que Beatriz nunca tinha pensado antes, e é por isso que suas belas contas estão agora começando a parecer lacrimejantes.
"De jeito nenhum, Mãe", disse a mulher com a respiração embargada. "Rey não pode casar com outra mulher além de mim!"
A Madame Collins reprimiu um tremor em seu corpo, pois a dor de Beatriz agora estava começando a permear a sala. Encheu, substituindo a atmosfera anterior.
"Se você pensa assim, Beatriz, então você não deveria estar brincando com alguém como Rey Lueic." Madame Collins fechou os olhos por alguns segundos, antes de continuar sua frase. "Um homem como ele deve ter o bom nome de sua família no coração, não importa o quê."
Beatriz permaneceu em silêncio, com a cabeça agora inclinada lentamente. Seus dedos se entrelaçaram para desembaraçar a ansiedade e o desespero que agora estavam começando a tomar conta.
"Por que você não me contou?" perguntou Beatriz em tom de voz elevado. "Você deveria ter proibido, Mamãe! Você não deveria ter deixado Rey casar com outra mulher!"
"Você está fora de contato, Beatriz!" Para não ser superada, Madame Collins também inconscientemente levantou o tom de voz. Ela também queria fazer Beatriz perceber que as coisas não eram mais as mesmas agora.
"Você desapareceu, nem sequer procurou notícias de Rey! Você deixou seu noivo por morto, sem pensar que virar as costas é a coisa mais fácil que um homem pode fazer. Você presumiu que ele te amava?"
Beatriz hesitou, seus lábios tremendo ainda mais. Não, esta não era a situação em que ela deveria estar. Isso não era o que ela queria, depois de ter lutado consigo mesma para decidir que estava disposta a conceber agora.
Ela tinha planejado ser uma boa mãe e esposa, e esperava que seu casamento fosse o presente mais bonito para Rey.
Mas eis que o que estava esperando por ela para voltar para casa era uma bagunça que ela nem conseguia controlar.
"Rey não tem outra mulher senão eu, Mamãe", Beatriz murmurou pela metade. "Que outra mulher ele poderia se casar além de mim?"
Ainda havia um tom de descrença na voz da bela mulher, seguido por uma sacudida silenciosa da cabeça. "De jeito nenhum ele poderia ter encontrado outra mulher tão rapidamente."
Os suspiros da Madame Collins tornaram-se cada vez mais audíveis, quando ela agora abriu sua voz suavemente. Arriscando tudo, porque a culpa era dela.
Ela causou tudo isso.
"Ele se casou com Luana", disse Madame Collins em voz baixa. "Mamãe pediu para ela tomar o seu lugar, Beatriz."
Como ser atingida por mil agulhas simultaneamente, Beatriz congelou com seus olhos mais uma vez perfeitamente arregalados.
"Mamãe!" ela gritou em descrença. "Você disse Luana? Luana? Que conhecemos Luana?"
A única pessoa com o nome Luana que Beatriz conhecia era sua empregada, que era jovem e bonita o suficiente para ser uma escrava.
"Sério, Mamãe!" Beatriz se levantou, com os braços em volta da cintura. "Como você pôde deixar Rey se casar com uma empregada!"
A mulher de meia-idade deve ter visto isso chegando.
"Eu não tive escolha", disse ela a título de explicação. "Ela foi a única que mereceu estar com Rey, embora eu tenha contado a mentira de que Luana era nossa parente distante."
Beatriz balançou a cabeça em descrença, mais uma vez não esperando o fato que a cumprimentaria de uma forma tão complicada.
A empregada delas estava se casando com seu noivo, sob um status presumido. E acabou que a mente por trás de tudo era sua própria mãe.
Que droga!
Mas estava tudo bem, embora Beatriz realmente não pudesse aceitar que sua substituta fosse uma serva de baixa casta como Luana.
Forçando seu cérebro a pensar muito, Beatriz de repente sentiu que essa situação seria favorável para ela. Luana não era uma oponente digna, e ela tinha certeza de que Rey a trataria de acordo com sua casta.
Sorrindo fracamente, Beatriz se virou para sua mãe.
"Espere, mãe. Luana ainda está com Rey agora?"
A Madame Collins assentiu em resposta. "Claro que está. Onde mais ela estaria?"
Fazendo uma pausa, Beatriz pareceu estar pensando.
"Eu achei que as ações da Mamãe foram precipitadas." Beatriz sentou-se novamente com movimentos lentos. "Mas agora que eu penso sobre isso, seria mais fácil recuperar minha posição, uma vez que essa mulher é Luana."
Claro, tudo o que Beatriz precisava fazer era pedir à mulher que se mudasse, e ela poderia facilmente voltar aos braços de Rey.
Uma serva como Luana possivelmente não poderia acompanhar um homem de honra como seu noivo, e agora Beatriz estava secretamente grata por ser Luana.
Tudo parecia tão fácil para ela agora.
Se Beatriz estava sorrindo na mansão palaciana da família Collins, então Luana, por outro lado, estava caída com um objeto na mão.
Trancada no banheiro de sua suíte palaciana e do nobre, a jovem saboreava as vibrações em suas pontas dos dedos.
Seus olhos arregalados olharam diretamente para o objeto branco que Mare lhe entregou há alguns minutos, que ela estava agora segurando firmemente.
Seu peito rugiu, com um leve tremor e cristais claros se reunindo em seus olhos.
"De jeito nenhum", Luana sussurrou quase inaudivelmente. "Isso não pode estar acontecendo."