99
Rey ajudou Ryan a arrastar uma mala média no lado esquerdo dele.
O aeroporto estava bem movimentado naquela tarde, enquanto o homem ajudava seu pai a carregar a mala, que continha as coisas dos pais durante a estadia deles em Munique.
Rey tinha pedido que os dois ficassem mais tempo para que pudessem fazer um piquenique ou apenas passar o tempo passeando, mas Patrícia teve que recusar porque, como uma senhora proeminente em Leipzig, ela tinha que comparecer a vários eventos importantes nos próximos dias.
Então, lá estavam os quatro naquela tarde. Ryan, sua esposa Patrícia, Rey e Luana, a nora grávida da sucessora do famoso clã Lueic. Misturando-se com os visitantes e passageiros prestes a embarcar no avião, Ryan e Patrícia decidiram voltar para Leipzig naquela tarde, depois de passar alguns dias na casa de seu único filho.
Felizmente, o negócio que havia provocado a chegada deles foi resolvido, pois parecia que nem Madame Collins nem Beatriz tinham qualquer intenção de prolongá-lo. Afinal, como todos sabemos, o início da história e os problemas que surgiram foram, de fato, causados pela escolha errada de Beatriz.
E agora, parecia que tudo havia sido resolvido na proporção certa.
Parando seus passos quase simultaneamente bem em frente à porta de embarque, Rey colocou a mala que ele estava segurando bem ao lado de seu pai. De frente um para o outro, as quatro pessoas de bom coração agora trocaram olhares.
"Certifique-se de comer bem, querida Luana." Patrícia abriu os braços ao se aproximar para abraçar sua nora com força. "Não se esqueça de ser feliz, porque o mais importante para um feto é ver e sentir a felicidade da mãe."
Luana retribuiu o abraço de Patrícia - a sogra que ela passou a considerar como sua própria mãe. O calor e o afeto que Patrícia derramou sobre ela eram algo que ela nunca havia imaginado antes, porque Luana nem sabia como amar seus pais. E Patrícia chegou no momento certo com todo o amor que ela podia reunir. Sem hesitação, sem amarras. Típico do amor de mãe.
"Ok, Mamãe", Luana sussurrou com o queixo apoiado no ombro da sogra. "Mamãe, certifique-se de ficar saudável por lá."
Patrícia afrouxou o abraço, mas manteve as mãos entrelaçadas com as de Luana. "Lembre-se do que eu te disse quando conversamos muito ontem, Luana", ela sussurrou com um brilho nos olhos. "Diga a Rey o que você precisar e envolva-o em tudo durante sua gravidez. Não seja tímida, ok?"
Luana agora sentia que Rey havia herdado sua postura gentil e gentil de Patrícia. A radiância da mulher de meia-idade não diminuiu em nada, como se ela sempre tivesse sido capaz de ser o abrigo mais seguro para seus filhos.
"Sim, Mãe." Luana sorriu de volta. "Vou me lembrar de tudo, sem exceção."
Se as duas mulheres de idades diferentes conversaram, Rey e Ryan escolheram sorrir um para o outro. Os homens não têm palavras, não é? Mas o olhar que Ryan dirigiu ao filho agora implicava outra coisa.
Dando dois passos, Rey se aproximou de seu pai.
"Obrigado, Pai", ele sussurrou com o corpo inclinado para o lado. "Obrigado, Pai."
Ryan sorriu com satisfação ao ouvir como seu filho adulto repetiu como ele o havia chamado quando criança. Pai.
"Você será um marido e pai maravilhoso, Rey", Ryan sussurrou de volta. "Confie sempre em sua esposa, seja alguém com quem ela possa contar. Então você verá Luana em alguns anos como sua mãe é agora. Charmosa e feliz."
Rey assentiu com a cabeça, concordando com o que seu pai acabava de dizer. Durante a visita deles em Munique, Rey passou bastante tempo com seu pai, enquanto Patrícia escolheu trocar histórias com Luana. E isso, fez com que os dois homens Lueic se abrissem bastante um com o outro.
Rey ouviu em detalhes como foi a jornada do pai com a mãe, que Ryan nunca havia contado antes. E depois de ouvir isso, Rey está agora ainda mais convencido de que pode fazer Luana feliz. Que o relacionamento entre sua casta e sua esposa não é a primeira coisa na grande família Lueic, e há evidências claras de que realmente não é um obstáculo para a felicidade.
Porque seus pais são a prova. Autênticos e reais.
"Vamos, querida. Temos que entrar." Ryan não quis interromper sua esposa e nora que ainda estavam conversando, mas o relógio em seu pulso indicava que o voo deles estava prestes a chegar.
"Tudo bem, então." Patrícia abraçou Luana mais uma vez. "Cuide-se, Luana. E se você quiser dar à luz em Leipzig, ficarei muito feliz em esperar você vir."
Luana assentiu, um sorriso ainda em seu belo rosto. A brisa da tarde fez a bainha de seu vestido na altura do joelho se mover suavemente, enquanto ela e Patrícia se abraçavam.
"Vou considerar, Mãe", Luana sussurrou novamente. "Até logo."
Agora, movendo-se para o lado do marido, Patrícia abraçou Rey por alguns momentos. Típico de uma sogra ideal que está muito preocupada com a primeira gravidez de sua nora, Patrícia repetiu várias mensagens para seu filho cuidar bem de Luana.
Como,
"Certifique-se de que ele coma, Rey. Certifique-se de que ela esteja feliz. Não a deixe triste. Volte para casa se ela pedir. Não trabalhe demais, e blá blá blá...." o que finalmente fez Rey apenas rir suavemente.
"Tudo bem, Mãe. Farei tudo", respondeu Rey positivamente. Ele sabia que sua mãe amava muito Luana. "Cuide-se e não se canse muito dos negócios da fraternidade."
Patrícia deu um tapinha no peito de seu filho brevemente, antes de balançar a cabeça. Virando-se para o marido que a esperava, ela agora estava lado a lado com Luana e Rey.
"Até logo." Ryan alargou o sorriso, pronto para assumir a mala.
"Aproveite a sua viagem", respondeu Luana, já nos braços do marido.
"Ligue para mim quando chegar lá, Pai", respondeu Rey também.
Até que finalmente os grandes Sr. e Sra. Lueic deram um passo para virar lentamente seus corpos, pouco antes de passar pela porta de embarque. Dois oficiais de chapéu cumprimentaram os dois, enquanto Ryan mostrava seu celular para ter certeza de que eles tinham passagens aéreas.
Acenando para seus pais que se afastavam, Rey agora se virou para Luana que ainda estava olhando fixamente para a frente. Deixar Patrícia ir acabou sendo tão difícil.
Só quando as silhuetas de Patrícia e Ryan desapareceram de vista, Luana se virou para olhar para o marido. "Estamos indo para casa?"
Rey balançou a cabeça fracamente. "Eu não te contei ainda, querida. Mas eu marquei uma consulta com um dos melhores ginecologistas de Munique. Vamos verificar sua gravidez depois disso, ok?"
Os olhos de Luana se iluminaram, porque ela novamente não esperava que Rey tivesse preparado isso para ela. Ela não tinha visto um médico, e eles iam fazer isso agora. Claro que ela queria, sem recusa.
"Eu não esperava que você preparasse tudo", disse Luana depois que ambos saíram de onde estavam parados antes, agora indo em direção ao estacionamento na ala direita do aeroporto. "Você está realmente cheio de surpresas, Rey."
Rey podia se orgulhar, porque estava.
"Vou ao banheiro primeiro." Luana diminuiu o passo quando viu a placa apontando para o banheiro. "Espere um momento."
Rey assentiu fracamente, então deixou Luana virar a esquina para entrar no banheiro feminino.
Luana parecia desaparecer de sua vista, descendo o corredor e empurrando a porta para entrar no banheiro. Mas seu empurrão quase a fez cair, porque alguém também puxou a porta por dentro.
Exatamente, o que também pode ter sido arranjado pelo universo.
"Desculpe", disse Luana enquanto endireitava a cabeça.
Mas então seu corpo congelou no lugar, porque a pessoa na frente dela também estava olhando para ela atentamente.
"Senhorita Beatriz?"