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A noite tava chegando, e o casal tava grudado um no outro. A parada que o Rey tava assistindo acabou uns minutinhos atrás, e agora tava passando aqueles filmes que sempre tão na TV.
Sem sair do quarto, parecia que o Rey e a Luana REALMENTE não queriam se separar. Mesmo quando a janta que o Rey pediu no quarto chegou, o nobre parecia não querer desgrudar da Luana.
Se não fosse o medo de morrer se não comesse (muito) e a preocupação com a saúde do bebê crescendo na barriga da esposa, o Rey ia preferir lamber os lábios rosados da Luana a noite inteira.
Se o amor pudesse te encher...
Terminando a janta com dois copos de suco, os dois voltaram a se aconchegar embaixo da coberta, porque o ar condicionado tava BEM gelado. Mas pelo menos os dois tavam felizes, porque tinha mais motivos pra ficarem grudados naquela noite.
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Fazendo carinho no cabelo macio da Luana, o Rey olhou bem pra esposa dele.
"Então, você tá confortável aqui?" o nobre perguntou. "Você tá gostando daqui, Luana?"
A Luana abriu um sorriso e já fez que sim com a cabeça. "Eles usam lavanda pra perfumar o ar", respondeu a Luana toda animada. Um dos motivos dela ter mudado de hotel sem pensar foi porque o cheiro do quarto do hotel que ela tava antes era enjoativo. "E eu gosto disso."
"Você gosta de lavanda?"
"Antes não, mas agora sim", a Luana balançou a cabeça devagar. "Sei lá, às vezes nem percebo o tanto que eu mudei ultimamente."
A mulher tava com um olhar sonhador, com os pensamentos voando longe.
"Tô ficando chata pra comer, tenho enjoo, e umas coisas me confundem."
O Rey apertou o abraço, protegendo o corpo pequeno dela do frio enquanto puxava a coberta pra cima. "Confusa?"
"Me sinto outra pessoa", a Luana disse na real. "Antes eu não gostava disso, mas agora eu gosto. Antes eu não gostava disso, mas agora eu gosto. Tipo, será que a gravidez faz a gente mudar, né, Rey?"
A pergunta espontânea da Luana fez o Rey piscar umas vezes. Porque, de boa, ele não sabia. Ele até tinha pedido pra Beatriz ter um filho com ele se eles casassem (o que não aconteceu, graças a Deus), porque o pai dele tava louco pra ter um sucessor na família.
Por ser o único filho do Ryan Goette Lueic, o Rey sabia que era a única esperança pra continuar a linhagem do pai dele. Pelo menos ele queria dar um filho, ou uma filha também serve, desde que o pai dele estivesse bem.
Porque a Patrícia – mãe do Rey, também queria a mesma coisa. Um netinho fofo.
"Talvez, meu amor", o Rey respondeu depois de uns segundos pensando. "De verdade, não entendo muito de gravidez. Mas agora que você tá esperando meu filho, nosso filho, vou aprender devagar por você."
Os olhos da Luana brilharam com tudo que o Rey falou pra ela.
"Sério? Você quer se envolver com isso da gravidez?"
O Rey franziu a testa, e logo depois abriu um sorrisão que deixou o rosto dele bonito demais.
Ah, Rey...
"Claro", respondeu o homem animado. "Afinal, é a prova do nosso amor, Luana. Vou fazer tudo o que puder, mesmo que eu possa substituir o seu desconforto, eu troco por você."
Qual mulher não ia ficar vermelha? Essa foi a reação que a Luana conseguiu mostrar, com as bochechas coradas.
"Eu consigo passar por isso." A Luana mudou a posição, sentando mais reta, virando um pouco pra olhar nos olhos azuis do marido. "Tenho certeza que consigo, porque esse é o nosso filho. Além disso, tenho você do meu lado. Só isso já basta, né?"
O Rey suspirou, ainda com um sorriso no rosto.
"Fala o que você quiser, Luana", o Rey pediu de boa. "O que você sente, o que você quer, o que você precisa. Vou fazer de tudo pra gente realizar tudo, vou fazer de tudo pra você passar por isso com calma e conforto. Entendeu?"
O Rey não precisava nem falar tudo, porque a Luana sabia que ele faria.
"Luana." Dessa vez o Rey também sentou mais reto, movendo o corpo pra perto da Luana pra pegar a mão dela e segurar. "Talvez não seja fácil pra gente. Mas se a gente estiver junto, você não precisa se preocupar. Você entende, né? Não desiste de mim, não desiste da gente. Você precisa ser forte, porque agora você tá esperando nosso filho. Você quer?"
Cada palavra era uma melodia, como uma canção viciante pra Luana. A decisão dela de ficar do lado do marido tinha que ser bem pensada. A vontade de ir embora não tava mais implícita, principalmente agora que ela tinha algo pra lutar.
O bebê dela, o filho deles.
"Claro." A Luana concordou com a cabeça. "Eu vou fazer isso."
Ela sabia que o Rey amava ela, amava ela. Ele não tinha dúvidas sobre os sentimentos que cresceram no coração deles, porque agora o mais importante era continuar confiando um no outro.
Não importa o que pode vir pela frente, não importa as tempestades e ondas fortes que podem atingir a casa deles.
"Tô forte agora", a Luana disse com convicção. Os olhos dela brilhavam com algo sincero, que só encontrou os olhos do Rey. "Eu tô forte, Rey. Assim como você vai arriscar tudo pra ficar comigo, eu também vou aguentar tudo pra estar do seu lado."
O clima no quarto de repente ficou azul, porque agora os dedos entrelaçados estavam se apertando cada vez mais.
"Essa é minha esposa", o Rey elogiou todo orgulhoso. "Tenho orgulho e sou grato por ter você, Luana. Então, nunca me deixe, tá?"
Sei lá quantas vezes o Rey repetiu a mesma frase, mas a Luana ainda tava feliz quando ouvia.
"Eu prometo", ela disse confiante. "Mantenho minha promessa."
O Rey puxou ela pra um abraço, depois de roubar um selinho na bochecha direita dela. O cheiro do corpo da Luana sempre foi algo reconfortante pro Rey nesses dias, mesmo que o nobre estivesse num hotel não tão caro.
"A propósito." A Luana sussurrou no peito do Rey.
"Hmm?"
"Tô curiosa desde antes. Como você me achou, Rey?" A curiosidade tava pegando na cabeça dela de verdade. O Rey contratou um detetive? O Rey procurou ela em todos os hotéis de Munique? Será que foi assim mesmo?
"Eu não te avisei que ia mudar, mas você até apertou a campainha desse quarto novo", continuou a Luana, olhando pra cima, curiosa de verdade. "Como pode ser?"
O Rey não sabia se devia contar isso ou não. Mas a expressão da Luana esperando a resposta era de dar nos nervos, e ele deu um selinho no nariz dela.
"Do seu cartão, amor", o Rey respondeu na real. A Luana talvez não entendesse essas coisas, e o Rey não se importava de explicar tudo. "Recebi uma notificação que você reservou um quarto nesse hotel."
A Luana ficou surpresa no começo, e depois arregalou os olhos.
"Ah!" Batendo no peito do marido, ela deu uma risadinha. "Dá pra rastrear pelo cartão, né? Que chique. Nem pensei nisso."
A risada do Rey ainda tava nos lábios dele, e ele se abaixou pra beijar a testa da Luana de novo. "Deu sorte de te achar tão rápido. Da próxima, não vai embora sem avisar. Entendeu?"
A Luana sabia que tinha feito besteira, e prometeu nunca mais fazer isso. Uma vez já foi o suficiente, porque parece que as consequências que ela causou foram maiores do que ela imaginava.