32
O tempo de viagem de Dresden para Leipzig deveria ter levado quase cinquenta minutos. Mas no volante de Rey, a distância foi percorrida em apenas meia hora.
Depois que a conversa dele com Luana acabou, os dois decidiram não conversar mais um com o outro. Rey se concentrou em olhar para frente, enquanto Luana preferiu olhar para fora.
Silêncio envolveu, até que finalmente Rey tomou a iniciativa de ligar o rádio e deixar a voz melodiosa do locutor mediar entre eles.
Até agora, o carro chegou bem em frente à magnífica casa da família Lueic, juntamente com o pé de Rey no freio lá embaixo.
Dois jovens pareciam correr um pouco para abrir a alta cerca, dando acesso para o carro de Rey entrar na mansão.
Se Luana achava que a residência de Rey era a maior mansão que ela já tinha visto, então a mulher teve que se surpreender novamente com o quão luxuosa era a residência pertencente à família Lueic agora, bem na frente dela.
Estimando mentalmente, Luana adivinhou que o tamanho desta casa era provavelmente quase três vezes maior que o da mansão de Rey. Com uma piscina de fonte localizada bem no meio da área da frente, a casa parecia tão luxuosa e artificial com as cores de salem e cinza claro combinadas de tal maneira.
Rey foi direto para a área da garagem, depois desligou o motor do carro enquanto olhava para o lado.
"Chegamos, sai", disse o homem com as mãos se movendo rapidamente para soltar o cinto de segurança.
Luana não respondeu, mas ela seguiu o movimento de Rey para soltar o cinto de segurança e sair do carro.
O ar em Leipzig estava muito fresco, mesmo que o sol ainda estivesse visível lá em cima. Sem picar, Leipzig é de fato famosa por seu ar bastante frio.
Aproximando-se de Luana, Rey simplesmente puxou a mão da mulher para segurá-la então.
Luana deu um pequeno suspiro, sentindo que havia eletricidade estática que acabou de picar seu corpo. Esta não foi a primeira vez que Rey a tocou assim, era só que de alguma forma a mulher parecia dar uma resposta reflexa ao toque de Rey na superfície da sua pele.
Os dois pares de globos oculares se encontraram, seguido por Rey levantando os cantos dos lábios para curvar um sorriso.
"Seja o mais natural possível", o homem sussurrou. "Minha mãe provavelmente vai fazer um monte de perguntas, mas apenas responda o melhor que puder. Eu estarei lá mais tarde para te ajudar a responder, só no caso de você não saber o que dizer."
Rey parecia estar dando um aviso, e Luana ainda estava mantendo os lábios selados.
"Tudo bem", respondeu a jovem depois de alguns segundos.
Rey exalou, já dando o primeiro passo para levar Luana à porta principal da residência deles.
Dois empregados vestindo uniformes semelhantes já estavam esperando na porta, curvando suas cabeças para dar as boas-vindas ao jovem lorde e dama.
"Leve a mala de Luana para o quarto", Rey ordenou enquanto passava pelos dois empregados, seguido por um aceno rápido de ambos.
Andando pela sala principal da residência Lueic, Luana não pôde deixar de se maravilhar com todos os interiores que essa família tinha. Acontece que os rumores sobre a riqueza e a fama de sua família eram de fato verdadeiros, e agora Luana estava provando isso com seus próprios olhos.
O bater dos sapatos de Rey soou alto, quando uma mulher de meia-idade desceu as escadas do segundo andar.
"Você trouxe minha nora, Rey?"
A voz de Patrícia Lueic ecoou, roubando a atenção do casal ainda de mãos dadas lá em baixo.
Rey parou de andar, seguido por Luana que agora estava bem ao lado dele. Mas o homem não afrouxou a aderência das mãos deles, pois notou como Patrícia olhou com um sorriso para sua segunda mão.
"Chegamos, Mãe", disse Rey educadamente.
Patrícia lançou-lhe um sorriso, continuando seus passos até chegar ao pé da escada.
Aproximando-se de Luana, a mãe de Rey imediatamente encarou sua jovem nora.
"Bem-vinda à sua casa, Luana Lueic", Patrícia cumprimentou calorosamente, com um movimento rápido para abraçar Luana que ainda estava congelada.
"Prazer em conhecê-la", disse Patrícia novamente, soltando o abraço lentamente. "Sinto muito por fazer você viajar tanto e interromper sua lua de mel."
O sorriso de Patrícia parecia tão genuíno, quando Luana reflexivamente sorriu de volta para a mulher de meia-idade.
"Obrigada, Sra. Lueic", Luana gaguejou de volta.
Patrícia riu com os olhos arregalados, como se estivesse surpresa com o que acabara de ouvir.
"Mãe", Patrícia corrigiu. "Para todos os outros, eu sou Sra. Lueic - assim como você. Mas para meus filhos, eu sou sua mãe, Luana."
O coração de Luana inchou por dentro, com um sorriso que ela não conseguia conter no rosto. Como o brilho que ela recebeu de Patrícia, derreteu completamente o coração da mulher que crescera sem o amor de uma mãe.
Para Luana, Madame Collins era sua única mãe. Mas essa mulher que ainda parecia tão bonita na frente dela roubou a cena, e Luana sentiu uma onda de afeto.
"Descanse um pouco", disse Patrícia, quebrando o silêncio. "Você deve estar cansada, querida Luana. Descanse por agora, e podemos conversar mais tarde."
Rey observou pelo canto do olho, vendo como Luana ainda estava olhando atentamente para Patrícia.
"Tudo bem... Mãe", respondeu Luana desajeitadamente.
Patrícia não conseguiu esconder sua rubor feliz, quando agora deu um tapinha no peito de seu filho.
"O que você está esperando, Rey?" ela disse. "Vá levar sua esposa para cima, depois descanse um pouco."
Rey assentiu fracamente, olhando para Luana.
"Vamos, Luana."
Luana curvou a cabeça brevemente, saudando Patrícia antes que seus pés seguissem Rey.
Subindo as escadas uma por uma, Rey não soltou a mão de Luana que ele ainda estava segurando. Até chegarem ao degrau superior, depois se viraram e desceram pelo corredor.
Parando na porta do fundo, Rey simplesmente puxou a maçaneta e trouxe Luana para dentro.
"Este é o meu quarto", disse o homem.
Luana olhou ao redor da sala, observando como o quarto espaçoso estava cheio de tons de marrom.
Soltando lentamente o aperto de mãos, Rey esfregou a parte de trás do pescoço para remover o constrangimento.
"Eu vou te deixar aqui", disse Rey. "Você pode descansar, até nos reunirmos na sala de jantar às seis."
Luana levantou a cabeça, virando a cabeça para encontrar o olhar de Rey.
A mulher pareceu inspirar lentamente, antes de abrir os lábios para falar.
"Do que sua mãe gosta, Sr. Rey?"
Rey pareceu um pouco surpreso com a pergunta de Luana, mas então o homem pensou por alguns segundos antes de responder.
"Minha mãe?" repetiu Rey. "O que é? Ela gosta de cultivar flores e gosta de estar em seu jardim localizado atrás da mansão."
Luana sorriu, seguido por um aceno de cabeça mais tarde.
"Ah, entendi."
Rey observou Luana com um olhar inquisitivo.
"Por quê?"
"Está tudo bem", respondeu Luana. "Sua mãe parece tão gentil, e seu sorriso é tão genuíno."
Andando lentamente em direção à janela, a esposa de Rey puxou as cortinas que cobriam a janela, permitindo que a luz do sol entrasse na sala.
"Você gosta da minha mãe?" Rey perguntou no fundo.
Luana se virou. A distância entre eles era considerável, mas eles ainda estavam se encarando.
"Eu gosto dela", disse Luana feliz. "Sua mãe me lembra Madame Collins, e é tão bom estar perto delas. Cresci sem uma mãe, e finalmente posso chamar alguém de 'mãe' agora."
Rey estava pensativo por alguns segundos, ouvindo atentamente Luana.
A jovem esfregou a mão e a outra, depois olhou para o chão de mármore de seu quarto.
"Desculpe", ela disse de repente. "Eu não deveria estar tão feliz."
Rey suspirou, ainda incapaz de tirar os olhos de sua esposa.
Luana já tinha se virado, olhando de volta para fora da janela para os canteiros de flores abaixo.
"Se você gosta, pode ter", disse Rey, quebrando o silêncio.
Luana de repente se virou, encarando o nobre com uma carranca na testa.
Rey encolheu os ombros.
"Eu sou filho dela há mais de 30 anos", disse o homem agora. "Se você realmente gosta da minha mãe, então pense nela como sua. Vou entregá-la a você de graça."
Luana quase riu, mas felizmente conseguiu se conter e só conseguiu um pequeno sorriso.
"Sério?"
Rey assentiu sem hesitar. Ele não sentia que estava perdendo nada de qualquer maneira.
"Leve para você", disse o homem com confiança. "Mas você tem que estar preparado para ouvir suas broncas, e não pode me devolver."
Desta vez, Luana realmente não pôde deixar de rir, como evidenciado pela risada da mulher que encheu toda a sala.
Rey estava paralisado no lugar, observando como a jovem ria até que seus olhos estivessem quase fechados.
Ela era... Charmosa do seu jeito.
"Você está falando sério, Sr. Rey?" perguntou Luana depois que sua risada diminuiu, mas Rey podia ver claramente como o rosto da mulher se iluminava agora.
"Claro", disse Rey sem hesitar. "Se é isso que você quer, eu vou te dar."
O sorriso ainda estava no rosto de Luana, quando Rey inconscientemente curvou um sorriso também. Sem perceber que a atmosfera entre eles havia melhorado, pois ambos pareciam ter aceitado a presença um do outro ali.
Percebendo como Luana parecia diferente em seus olhos, o nobre percebeu que esta era a primeira coisa que ele tinha dado a Luana - sem a sombra de outra mulher.
'Sua mãe' foi o primeiro presente que ele lhe deu.
A mulher que estava ao seu lado quando os votos sagrados do casamento foram feitos, a mulher que detinha o status legal de sua esposa.