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A conferência do dia tinha tomado o tempo e a mente de Rey Lueic.
Não só isso, mas as notícias que ele ouviu esta manhã de Jovi também deixaram o cara imediatamente incapaz de pensar com clareza agora.
Se Beatriz tivesse decidido voltar para Munique, isso significava que o plano do nobre de ganhar tempo poderia falhar completamente. Porque ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, ela definitivamente apareceria na frente dele.
Independentemente de Beatriz ter sabido que as coisas tinham tomado um rumo de 180 graus ou não, era certo que Rey teria que se preparar para receber sua ex-noiva.
O que provavelmente, num futuro próximo.
A cabeça do cara estava cheia de tantas coisas, voando e torcendo como fios emaranhados. Sem saber onde decifrar, sem saber que lado suprimir.
Foi isso que finalmente fez o nobre ainda se sentir em casa em seu escritório, mesmo quando já eram quase duas da manhã.
Imerso deliberadamente em uma pilha de trabalho, Rey esperava que isso o fizesse parar de pensar. Mas, como se viu, não ajudou em nada.
Ele até pulou o jantar e não tinha saído de lá desde que trouxe Luana de volta do prédio de Der Beste esta tarde.
"Ela provavelmente já está dormindo." Rey mexeu com uma caneta esferográfica na mão, com as costas encostadas na cadeira almofadada. "Luana, o que eu deveria fazer agora?"
A pergunta, é claro, acabou pendurada no ar, pois a resposta não veio.
Como eu deveria lidar com você mais tarde?
Como eu deveria protegê-la mais tarde?
Como eu deveria me comportar na sua frente mais tarde?
As perguntas continuaram a flutuar, até que Rey se moveu lentamente da cadeira em que estava. Em meio à luz fraca que ele havia deliberadamente configurado em seu escritório, ele atravessou a sala antes de alcançar a maçaneta da porta.
Suas pernas longas estavam vestidas com calças casuais na altura do joelho e uma camiseta cinza clara. Seus olhos pequenos e azulados pareciam charmosos mesmo na escuridão da noite, enquanto Rey descia as escadas uma por uma.
Pretendendo ir para a cozinha para fazer outra xícara de café, já que os empregados devem ter adormecido, o cara cortou o silêncio da sala de estar que se conectava à cozinha à frente.
Rey inicialmente pensou que era o único ainda acordado na mansão, até que um farfalhar da frente chamou sua atenção.
Ele não estava sozinho.
Aumentando o nível de consciência, Rey se aproximou. Sua geladeira parecia meio aberta agora, com luzes contrastantes.
"Quem está aí?" A voz do cara ecoou na penumbra das luzes restantes, quando a pessoa que estava na cozinha levantou a cabeça lentamente.
Uma pequena careta.
"Luana?!"
A mulher sorriu com uma barra de chocolate na mão, junto com seu cabelo que parecia ter sido bagunçado descuidadamente.
"Senhor, você ainda não dormiu?"
Rey franziu os olhos por alguns segundos, antes de sorrir fracamente ao encontrar Luana na sua frente.
Ele tinha ficado acordado a noite toda pensando nela. Até mesmo mantendo deliberadamente sua esposa à distância para poder pensar, mas veja como o universo o trouxe e a Luana juntos aqui em baixo.
"Você ainda não jantou?" Pegando uma garrafa de água mineral fria para começar, Rey se alinhou bem ao lado de Luana.
O pijama de cetim que a Madame Lueic usava parecia brilhar com a luz brilhante da geladeira, como se estivesse chamando a atenção de Rey para o corpo da mulher.
Um corpo que... ah, não.
"Eu já comi, de verdade", disse Luana entre o chocolate derretendo em sua boca. "Eu não sei porque estou com tanta fome ultimamente. Por isso me acordei e desci, senhor. Você está sozinho? O que você está fazendo?"
Rey tomou alguns goles de sua água, agora virando-se para se apoiar na bancada da cozinha. Luana não parecia querer se mover da frente da geladeira.
"Porque você não pede pra Mare entregar sua comida?" Rey olhou quando sua mão fechou a garrafa de água mineral novamente. "Quer que eu acorde ela agora? O que você quer comer?"
Balançando a cabeça apressadamente, Luana mastigou e esvaziou a boca um momento depois.
"Não! Não precisa", ela rejeitou rapidamente. "Eu não quero perturbar o descanso da Mare. Além disso, há muita comida nesta geladeira. Graças a você, que não é pão-duro quando se trata de encher a geladeira, senhor."
Luana se virou para tomar um gole de seu pacote de suco de maçã de tamanho médio, quando se virou.
Deixando seus olhos encontrarem os de Rey, que a observava atentamente.
"Você quer comer alguma coisa?" ela perguntou. "Ah, você ainda não jantou, certo?"
Assim como Luana havia balançado a cabeça antes, Rey fez o mesmo. "Não, não estou com fome. Eu ia fazer um café."
"Café?" O tom de Luana subiu sem que ele percebesse. "Café às duas da manhã? Você está planejando ficar acordado a noite toda?"
Luana olhou para o cara atentamente e descobriu que algo parecia diferente em Rey naquela manhã. A luz fraca da cozinha nem conseguia obscurecer nada, pois um olhar cansado estava claramente impresso no rosto bonito do cara.
A luz nos olhos de Rey diminuiu, e Luana tinha certeza de que não era causada por algo como sonolência ou trabalho. Havia mais alguma coisa ocupando a mente de seu marido, o que fez Luana dar dois passos a mais.
"Sem café, senhor", Luana tentou oferecer uma alternativa. "Que tal um leite quente? Talvez isso ajude você a relaxar e adormecer depois disso."
Algo se mexeu por dentro, quando Rey puxou reflexivamente a cintura de Luana mais perto. O peito do nobre rugiu violentamente, tentando se manter entre os buracos que se abriam.
Luana, como eu vou lidar com isso?
Havia algo agora choramingando ali dentro. Algo que Rey tentou esconder de sua esposa, mas Luana pegou tudo com muita clareza.
Luana deu um pequeno choque quando Rey diminuiu a distância entre eles, deixando seus rostos se encontrarem muito próximos. O suspiro tornou-se um som audível, embora nem Luana nem Rey tenham recuado disso.
"Você tem muito trabalho?" Luana suavizou seu tom. "Você provavelmente precisa de uma pausa."
O cheiro de menta que saía do corpo de Rey infiltrou o senso de cheiro de Luana, enviando uma sensação de calma e adoração que ela não conseguiu resistir.
Os braços fortes de Rey segurando sua cintura conseguiram fazer o sangue de Luana correr violentamente, quando ela não sabia por que era tão bom estar perto de Rey.
Algo com o qual ela não deveria mais sonhar, porque Luana havia prometido que uma noite era suficiente para ela ter Rey.
Ela não queria mais, mesmo que seu coração fosse contra isso. Ela não deixaria Rey esculpir mais nada entre eles, porque isso só lhe causaria mais dor.
Mas às vezes o coração e a lógica não andam de mãos dadas. O fato de que ela o queria, o fato de que ela queria estar em seus braços o tempo todo.
Rey fez uma longa pausa antes de dar um leve balanço. O olhar do cara não vacilou, como se estivesse examinando o que Luana estava tentando emitir daquelas lindas íris.
"Me beija, Luana."
Luana congelou.
Não, Luana. Não faça isso.
Luana ainda estava olhando para Rey sem conseguir piscar, como se seus olhos estivessem procurando o que seu marido estava sentindo.
Dor, ansiedade e uma real falta de direção. Três coisas que Luana podia capturar do olhar de Rey para ela naquela manhã.
"Por favor."
Meio choramingando, Rey não sabia porque já estava doendo demais ali dentro. O corpo do cara estremeceu violentamente, quando sua cabeça caiu para começar a se curvar.
Como se estivesse perdendo a alma, o cara tentou sair da armadilha do destino que já havia destruído tudo.
Seu coração, sua vida. Não. O coração de sua esposa. A vida de sua esposa.
A vibração do corpo de Rey atordoou Luana, seguida por alguns movimentos dos olhos. O cara não parecia em nada consigo mesmo no momento.
"Rey."
Sem saber de onde veio a coragem, Luana fez um pequeno murmúrio para chamar o nome de seu marido, o orgulho do cara.
Rey levantou a cabeça para olhar para Luana, deixando seu sangue correr quando esta foi a primeira vez que Luana o chamou sem o apêndice 'senhor'.
De volta aos olhos um do outro, os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.
Luana queria sair dali, para que não fosse ainda mais enredada nos encantos de seu marido. Um cara que ela poderia ter que deixar ir algum dia, porque o golpe do destino era cruel para os dois.
"Tudo vai ficar bem", Luana sussurrou mais perto. Movendo o rosto para a frente, a mulher murmurou suavemente. "Não importa o que você esteja enfrentando, tudo vai ficar bem."
Rey estava prestes a abrir a boca para responder, mas as mãos macias e delicadas de Luana já estavam em ambos os lados das bochechas do cara.
Silenciando o nobre antes mesmo de ele fazer um som, Luana deixou suas pálpebras se fecharem quando iniciou seu beijo.
Um beijo quente às duas da manhã, ao lado da mesa da cozinha que parecia bem fria.
A firmeza dos braços fortes de Rey em volta da cintura de sua esposa, enquanto os movimentos se tornavam mais profundos e selvagens.
Abrindo um para o outro para explorar seus sentimentos, tanto Luana quanto Rey não recuaram uma polegada.
Os pequenos suspiros da voz melodiosa de Luana soaram ainda mais inebriantes, e as duas pessoas pareciam não ter intenção de parar desta vez.
Rey se aproximou, traçando o pescoço bem cuidado de Luana.
A superfície da pele da mulher acolheu cada um dos seus beijos com igual paixão, embora Luana soubesse que isso só a machucaria mais no futuro.
O sabor de maçã ainda estava fracamente nos lábios de Rey, assim que ele se virou para sentar Luana em sua mesa da cozinha.
A mantendo longe de seu lado, porque era tudo o que ele (provavelmente) precisava agora.
Aquela mulher, sua esposa legal.
Luana Lueic.