18
Rey afrouxou a gravata que tava sufocando. O cara deu uma olhada no relógio no pulso esquerdo, percebendo que tava ficando tarde.
Depois de ir naquele jantar todo, Rey e Jovi ainda tinham umas reuniões importantes com os colegas pra continuar.
Agora, os ponteiros do relógio dele marcavam quase dez da noite, e parecia que ele tinha se dado tempo suficiente.
"Vou subir", ele falou pro Jovi, que ainda tava tentando se manter focado, mesmo já estando bem cansado.
Jovi assentiu. "Sim, senhor."
O cara limpou os poucos arquivos na mesa, levantando rapidinho pra seguir o Rey, que tinha se levantado primeiro da cadeira.
"Já preparou tudo pra amanhã?" Rey perguntou antes de dar o primeiro passo.
"Tá tudo em ordem. Ainda quer ir?"
Rey não respondeu de imediato, mas parou pra respirar fundo.
"A gente vê amanhã", Rey respondeu meio sem vontade, enfiando as duas mãos nos bolsos da calça agora.
Jovi fez um gesto de respeito assim que Rey se virou e deu meia-volta pra sair da sala de reunião.
Esperando até o chefe se virar pra ir pro elevador, Jovi passou por lá também. Pegando uma direção diferente, o braço direito do Rey Lueic planejou ir pro quarto dele.
A campainha tocou quando Rey chegou no andar onde ficava o quarto dele, se perguntando se a mulher que tinha se tornado a esposa dele hoje tava dormindo ou não.
Parando os passos na frente da porta, Rey soltou um suspiro pesado enquanto tirava um cartão do bolso da calça.
Colocando o cartão no detector, o nobre pegou na maçaneta e empurrou a porta devagar.
O quarto parecia meio escuro, porque a luz principal tinha sido substituída por luzes de presença dos dois lados da cama. Mas os olhos do Rey pegaram algo que o deixou sem palavras quando ele encontrou a Luana sentada no sofá com os braços abraçando as pernas na frente dela.
Ela parecia estar com a cabeça baixa e já tinha trocado o vestido de antes por um par de camisolas floridas cinza claro.
Rey diminuiu a velocidade. Entrando no quarto e tentando não fazer muito barulho, o nobre não percebeu que os pés dele agora estavam levando ele até a Luana.
Ela já tava dormindo, com o rosto encostado nos joelhos apertados.
Rey não sabia por que a Luana tinha escolhido dormir no sofá naquela posição, em vez de deitar na cama deles, que era enorme e ainda tava vazia.
Agora parado bem do lado da Luana, Rey observou como o rosto da mulher parecia tão delicado, com cílios que pareciam bem cheios.
As bochechas da Luana tinham uma cor rosada natural, com o cabelo preso num rabo de cavalo.
Enquanto curtia ver a mulher, Rey sentiu um baita tremor no peito.
A cena em que o estranho tinha dado um beijo no dorso da mão da Luana conseguiu incomodar o Rey e fazê-lo se sentir desconfortável.
Como se tivesse uma sensação de estar perdido, a autoestima dele toda manchada.
Sem saber de onde tirar coragem, Rey só moveu a mão pra esfregar na cabeça da Luana.
Rey segurou a respiração, sentindo como o cabelo da mulher era macio na pele dele.
'Não', ele sussurrou pra si mesmo. 'Não devia ser assim.'
Sem conseguir tirar a mão da cabeça da mulher, Rey ficou chocado quando a Luana de repente piscou e abriu os olhos.
Encontrando o nobre tão perto dela, dessa vez foi a Luana que engasgou de surpresa porque tinha sentido algo muito quente na cabeça antes, que acabou sendo as palavras do Rey, o homem frio.
A Luana levantou a cabeça pra olhar direto pro rosto do Rey.
"Você voltou?" ela perguntou com a voz rouca.
Rey não respondeu de imediato, mas também não tirou a mão da cabeça da Luana. Como se tivesse cola grudando as mãos fortes do cara na cabeça da esposa dele, Rey só ficou encarando a Luana de volta.
"Por que você tá dormindo aqui?" perguntou Rey em tom neutro.
A Luana pigarreou baixinho. Ela ainda sentia a mão do nobre na cabeça dela, mas não fez nenhum esforço pra evitar o toque.
"Você pode dormir lá em cima", a Luana falou hesitante. "Eu só vou dormir aqui."
A Luana realmente percebeu como ela era diferente do Rey Lueic. Ela era só uma serva humilde, enquanto ele era um nobre respeitado.
Nunca passou pela cabeça da Luana deitar do lado de nenhum nobre, muito menos na mesma cama.
Rey observou a Luana de perto. Olhando pros olhos da mulher daquele jeito, Rey foi provocado pela mágoa ainda entranhada no fundo do coração dele.
Tava na cara que essa mulher tava evitando ele. Era evidente que essa mulher tava mantendo distância dele.
A Luana ainda tava esperando, quando Rey escolheu não abrir mais a boca.
De repente, chegando perto, o cara envolveu os braços fortes em volta do corpo da Luana. Com um único movimento, Rey conseguiu segurar a esposa dele, que era pequena, nos braços dele.
Os olhos da Luana se arregalaram por reflexo, vendo que ela tinha se mudado pros braços do Rey num tempo muito curto.
A Luana tentou sair dos braços do nobre, mas o corpo pequeno dela não tinha força pra competir com a forma como o Rey tava dominando o corpo dela agora.
"Ei, o que você tá--"
O cara deu passos grandes, indo em direção à cama deles com a respiração acelerada.
Ele tava perdendo o controle, mas os passos do Rey não diminuíram.
O coração da Luana tava batendo tão rápido que parecia que ela tava enfrentando o fim da história dela.
Rey jogou o corpo dela na cama, encarando a Luana com firmeza de onde ele tava.
A Luana engasgou de novo, quase lutando pra respirar.
"Sério, eu posso dormir--"
De repente, os dedos do cara se moveram, desabotoando o botão de baixo da camisa dele.
Percebendo os movimentos absurdos do Rey, a Luana quase desmaiou.
'Não', a Luana pensou. 'Ele não podia ter feito isso. O que eu faço agora?'
Publicando um sorriso de desprezo no canto dos lábios dele, Rey não diminuiu nem um pouco o movimento de abrir a camisa dele agora.
Até o botão de cima da camisa azul marinho ser desfeito, Rey deixou a Luana olhar como a parte de cima do corpo dele tava agora só vestida com uma camiseta escura.
O corpo do cara parecia tão esculpido, com o peito largo e músculos escondidos. Rey Lueic era mesmo alguma coisa. Ele não era só um cara qualquer.
O cara sorriu ainda mais triunfante quando viu a Luana tentando fechar os olhos num gesto obviamente tímido.
"Bote suas roupas!" exclamou a Luana impaciente. "O que você tá fazendo agora?!"
Rey chegou mais perto, ignorando a pergunta assustada da Luana.
"O que mais?" disse Rey casualmente. "Tocando na minha esposa, claro."