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O balanço das ondas fez o navio balançar suavemente enquanto Rey e Jovi paravam para olhar ao redor.
"O que esse cara tá fazendo aqui?" perguntou Rey de repente. Seu olhar vagou para longe, observando a fila de navios alinhados perfeitamente à sua frente.
"Você se refere ao Sr. Pedro, senhor?" Jovi tentou confirmar.
Rey deu uma risadinha suave, meio que irritado só de ouvir o nome do cara no ar. Ele nunca tinha lidado com Pedro Visconde antes, e Rey sabia muito bem que não deveria.
"Ele tem várias frotas atracadas aqui", Jovi resolveu falar. "Como fomos informados, o Sr. Pedro voltou recentemente da Indonésia, depois de vários anos desaparecido. Agora, dizem que ele está cortejando uma das filhas da família Genneth."
Rey olhou com os olhos semicerrados.
"Ele vai se casar por contrato?" o homem perguntou, confirmando.
Jovi balançou a cabeça reverentemente, continuando a explicar para Rey.
"Foi o que ouvi, senhor", explicou Jovi novamente. "O Sr. Pedro fugiu no ano passado para evitar um casamento arranjado. Mas desta vez, parece que ele não consegue escapar mais."
Os olhos de Rey ainda estavam semicerrados, com algo que acabou de vir à mente.
"Então, o cara está passando por um casamento arranjado", Rey murmurou quase em um sussurro. "Como ele ousa colocar os olhos em outra mulher quando há uma mulher a quem ele deveria estar prestando mais atenção agora."
Jovi assentiu pacientemente, mesmo que o homem não pudesse ouvir claramente o que Rey acabara de dizer.
"Fique de olho nele", ordenou Rey agora. "E da próxima vez que ele enviar convites de casamento, você tem que garantir que eu vá com o melhor presente."
Enfiando as duas mãos nos bolsos das calças, Rey estava saindo de onde eles haviam parado antes. Sem mais olhar para Jovi, que estava balançando a cabeça, Rey desceu cuidadosamente do navio.
A caminho da cabine principal, Rey não pôde deixar de encarar a mulher que o havia deixado sozinho.
Os passos do homem pararam quando ele viu Luana sentada em uma das cadeiras. Ainda olhando para o mesmo lugar, Luana parecia tão linda com um sorriso em seu pequeno rosto.
Sorriso de onde estava agora, Rey ainda bagunçou sua cintura. Observando a garota por um tempo antes de se aproximar para se juntar à sua esposa falsa.
"Olha como você sorri depois de gritar comigo", zombou Rey ao se aproximar, sentando-se no sofá bem em frente a Luana.
Ligeiramente surpresa, Luana soltou um pequeno suspiro.
"Para onde estamos indo?" a mulher perguntou curiosa, como se não estivesse prestando atenção ao sorriso zombeteiro de Rey que a cumprimentou com uma frase incomum.
"Agora você está até perguntando para onde estamos indo? Sério!"
Parecia que o nobre não havia aceitado o tratamento de Luana antes, pois agora sua expressão facial mostrava um olhar frio.
Luana respirou fundo, não querendo estragar o bom humor em que acabara de entrar.
"Você ainda está com raiva?" A garota perguntou com uma expressão facial que era o mais inocente possível.
Luana não queria que seu relacionamento com Rey esquentasse por causa da disputa, e ela havia planejado aproveitar este cruzeiro com todo o corpo e alma.
Rey cruzou os braços em frente ao peito, prestando muita atenção em como Luana agora exibia um sorriso no canto dos lábios.
"Eu estava só brincando!" Luana continuou. "Você sempre grita comigo quando eu não fiz nada de errado. Ele pediu meu número de celular, e eu disse a verdade."
Rey sabia. O homem sabia que Luana não havia feito nada de errado antes porque, secretamente, Rey estava assistindo o que aconteceu entre Luana e Pedro do outro lado.
Depois de alguns segundos de pausa, Rey também tentou extinguir a irritação ainda entrincheirada em seu coração. Ele está chateado porque agora alguém grita com ele à vontade, embora essa mulher tenha entrado em sua vida há não mais de 42 horas.
"Esquece", disse Rey mais tarde. Os globos oculares do homem sondaram. "Mas é verdade? Que você não tem celular?"
Luana quase riu. Aconteceu que não só Pedro não acreditava, mas Rey também.
"É verdade, eu não tenho celular", disse a garota honestamente. "Estou muito ocupada na vida real para precisar de tal dispositivo."
A testa de Rey franziu momentaneamente quando ele agora olhou perplexo para a resposta de Luana.
Hoje em dia, é estranho para alguém não ter um dispositivo de comunicação, especialmente para uma nobre como Luana.
"Agora é sua vez", Luana teve sua vez de falar. "Para onde esse navio vai navegar?"
"Não muito longe", respondeu Rey rapidamente. "Apenas ao redor daquela ilha ali na frente, mas provavelmente voltaremos amanhã à tarde."
"Nós vamos para a ilha?!" Luana exclamou pela metade. Mas desta vez, a garota exclamou não por raiva, mas sim por uma sensação de empolgação que a dominou.
Rey assentiu duas vezes, notando como Luana mostrou uma expressão 180° diferente quando eles estavam em desacordo antes.
Agora, aquele rosto bonito parecia brilhar ainda mais, com um sorriso que não havia desaparecido.
"Você está tão feliz?" Rey perguntou desta vez.
"Claro!" Luana olhou ao redor agora que o mininavio de cruzeiro havia começado a se afastar do porto.
O som das ondas quebrando era o som de fundo, com o chilrear dos pássaros voando livremente no céu acima.
"Nós vamos ficar na ilha esta noite", explicou Rey. "Espero que você não faça uma bagunça porque eu tenho fogos de artifício para comparecer esta noite."
Luana ouviu atentamente, seguido por um aceno de cabeça mais tarde.
"Eu posso ficar", disse a garota. "Mas se você me deixar, então eu vou e apenas vou ficar e assistir aos fogos de artifício."
Rey pareceu concordar porque era assim que deveria ser. Ele não podia deixar Luana para trás porque ela estava bem ali com ele.
A viagem foi preparada com antecedência, e Rey não queria cancelar porque o convite da festa de fogos de artifício também havia sido aceito meses atrás.
No entanto, ele teve que vir e mostrar seu rosto lá para manter a existência que ele havia construído.
Agora, levantando-se de onde estava sentado, Rey ficou de pé para planejar em direção a um dos armários do navio.
Assim que ele ia se virar, a voz de Luana o interrompeu.
"Por que você está se preparando para esta viagem, Sr. Rey?" perguntou Luana.
A garota olhou para cima para encarar Rey, procurando uma resposta para a pergunta que acabara de sair.
Os dois pares de olhos se entrelaçaram quando Rey tentou organizar as palavras para responder à pergunta de Luana.
Começando com um Lehman, Rey sorriu do canto dos lábios.
"Existem duas razões pelas quais eu trouxe você para este cruzeiro", disse Rey. "Primeiro, porque esta viagem deveria ser meu presente para Beatriz, você está aqui para ocupar o lugar dela."
A medida que Rey deixou Beatriz flutuar entre eles, Luana de repente hesitou.
O olhar da mulher não enfraqueceu, mas ela podia ver a luz triste emanando dos globos oculares de Rey.
"E, em segundo lugar", continuou Rey. "Eu posso não querer sua presença, mas pelo menos eu não quero ficar sozinho depois de ter sido dispensado."
Com um único passo oscilante, Rey já estava se movendo da presença de Luana.
Ele deixou a jovem com um estrondo no peito, pois quase esqueceu que sua existência era irreal.
Porque era Beatriz, quem deveria estar neste navio, não ela.