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O coração da Luana disparou quando a chamada finalmente conectou.
A voz grave e inconfundível do Pedro a cumprimentou do outro lado, e isso fez o coração da Luana disparar.
"Luana?"
"Pedro, sou eu", disse Luana baixinho. "Estou te incomodando?"
"Claro que não", disse Pedro rapidamente. "Diz aí, o que é?"
Luana fez uma pausa de alguns segundos, antes de respirar fundo e recitar as palavras que ela tinha escrito.
"Você não disse que eu podia pedir sua ajuda a qualquer hora?" Luana confirmou. "Eu preciso de ajuda. Sua ajuda."
Luana só esperava que a decisão que ela tinha tomado fosse a certa, e que ela não fosse se arrepender de tudo no futuro. Luana realmente só esperava por uma coisa. Para ela ser forte, para as pernas dela não fraquejarem, não importa o quê.
"Claro, Luana." Pedro soou como um amigo em quem se podia confiar, pois o tom de voz dele não continha hesitação alguma. "No que posso te ajudar?"
E então o pedido da Luana fluiu de seus lábios rosados, deixando Pedro entender o que ela queria dizer e o que ela estava pedindo.
"Você pode me buscar?"
Realmente, a única pessoa em que Luana conseguia pensar era naquele homem, Pedro Visconde. Lembrar como o homem tinha dito que estava pronto para ajudar quando Luana precisasse, fez Luana se sentir aliviada.
Ao menos, ela podia fazer alguma coisa antes de realmente escolher.
"Ah, sim. Você está com a Valerie?" Uma pausa de três segundos. "Ah, tudo bem. Então você pode vir?"
Houve silêncio enquanto Luana parecia se levantar da beira da cama, lançando um olhar rápido para o espelho que a refletia ali.
"Ok. Vou esperar no saguão, pode ser?"
Cinco segundos de silêncio.
"Tudo bem, Pedro. Obrigada pela ajuda. Até mais."
Tão logo a ligação foi desconectada, Luana agarrou o celular com força. O mesmo aparelho que o Rey tinha, só que com um número diferente. Olhando para a tela do celular que mostrava um retrato dela e do nobre, Luana sorriu fracamente.
Rey estava sorrindo feliz para o retrato, que era nada mais, nada menos, que a primeira foto deles quando eles compraram o celular para Luana da última vez. Colocando o único retrato como papel de parede, Luana abriu ainda mais o sorriso.
***
[Mansão Lueic]
Não sabe quanto tempo o Rey ficou pensativo na penumbra. A conversa dele com a Beatriz da última vez o deixou incapaz de pensar com clareza, pois tantas perguntas iam e vinham em sua mente.
O que aconteceu entre a Luana e a família Collins?
O que a Beatriz quis dizer com a dívida de gratidão da Luana para com a família Collins?
Quanto a Luana tinha que pagar para a família Collins por sua liberdade?
E perguntas semelhantes para as quais ele nem sequer conseguia pensar em respostas ou soluções. Ajustando o cabelo em meio a frustração, o Rey não fazia ideia de que as coisas ficariam tão complicadas.
"O que a Beatriz faria?" o homem murmurou sem resposta. "Eu realmente não consigo pensar."
Para um homem como Rey, a existência segura da Luana era agora a coisa mais importante. Não importa o quê, ele tinha que se certificar de que ela estava segura, ilesa e não intimidada por ninguém que tentasse pressioná-la.
Não, não, não. Rey não conseguia ver a Luana se machucando.
"Como vou resolver isso, Luana?" Rey sussurrou com os dedos entrelaçados. Sua cabeça se inclinou para cima, olhando para o teto do quarto que também estava fracamente iluminado. "Eu realmente te quero aqui, não importa o quê."
O silêncio envolveu o quarto, nem mesmo Rey percebeu quando seu celular estava vibrando desde antes. Mudando deliberadamente o modo do celular para vibrar, Rey só queria tirar um tempo para si mesmo.
Sem perceber, que algo que ele não queria tinha acontecido.
Os ponteiros do relógio pareciam ser a única coisa que acompanhavam o nobre, até que sem perceber, o som de alguém se aproximando da porta surgiu suavemente aos ouvidos de Rey.
Sem bater, a porta grande se abriu.
Jovi parecia estar ofegante na porta, estava claro que o homem estava com pressa. Até a Mare tinha gritado com o jovem enquanto ele corria como um tornado da entrada principal.
"M-Mestre!" A respiração do homem engasgou. "Mestre!"
Rey que estava olhando para baixo e se afogando em seu próprio mar de pensamentos levantou a cabeça lentamente, então virou a cabeça sem mais energia. Olhando para o Jovi com seus olhos, o homem sussurrou suavemente.
"O que foi?"
Jovi deu dois passos para a frente, deixando a porta do escritório se fechar um segundo depois. Ainda tentando neutralizar a correria da respiração, o homem balançou a cabeça fracamente.
"Algo aconteceu, senhor." Suas palavras gaguejaram. "Algo que eu nunca imaginei antes."
Rey elevou o nível de visão, quando instantaneamente sua mente ficou em caos e desordem. Espera, a Beatriz começou a agir?
"A Beatriz fez alguma coisa?" adivinhou Rey com um corpo que começou a se sentar reto. "O que aconteceu?"
Jovi balançou a cabeça rapidamente, porque não era o caso. O problema da Beatriz era apenas uma pequena questão, porque agora algo maior estava acontecendo.
Caos.
"Não, senhor", Jovi tinha começado a respirar corretamente. "Isto não é sobre a senhorita Beatriz, mas sobre a senhorita... Luana."
Os ouvidos de Rey se abriram quando o nome da sua esposa atingiu o ar, o que o fez levantar-se involuntariamente.
Luana. Luana. O que tinha acontecido com ela?
"O que há de errado com ela?" Rey aumentou o volume da voz. "Ela está bem, certo?!"
Jovi olhou para Rey com os olhos arregalados.
"Ela está..."
A frase interrompida de Jovi fez o coração de Rey bater ainda mais rápido.
"Diga-me claramente, Jovian!" Rey rosnou impaciente. "E a minha esposa?!"
Rey sentiu a raiva e a preocupação se combinarem em seu coração, assim que ouviu a voz de sua secretária no ar.
"Ela... ela deixou o hotel esta tarde."
Rey caiu, bem na sua cadeira agora áspera. Esfregando o rosto descuidadamente, ele sentiu metade de sua vida começar a deixar seu corpo.
Não, Luana. De jeito nenhum.