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Rey afrouxou a gravata que tava sufocando ele assim que sentou no carro. O carro azul metálico era aquele que ele tinha trazido especialmente do Canadá, com fitas e uma boneca de tamanho médio bem na frente.
O carro em que ele ia com a Beatriz, a namorada dele, sumiu no nada no dia do casamento deles.
Imaginando se tornar marido e mulher com a mulher que tinha preenchido os dias dele nos últimos dois anos, Rey já tinha arranjado um monte de coisas pra futura esposa.
Sem querer perder tempo, ele queria ir pra lua de mel rapidinho e passar noites longas e tranquilas com a Beatriz. Ele até imaginou cena após cena dele despindo ela antes de abraçá-la num êxtase celestial.
Mas que merda? Ele foi deixado pra trás bem na hora que ia falar o nome da Beatriz na frente de todo mundo.
Rey não virou a cabeça. Ele nem tava tentando olhar pra garota que já tava no banco de trás antes dele entrar.
Luana.
Luana Casavia, foi assim que o Rey falou o nome dela mais cedo. Sem saber quem a garota realmente era, a alma do Rey não queria mesmo nenhuma mulher além da amada dele ali. Só de compartilhar o mesmo ar parecia deixar ele puto agora.
Olhando pela janela, Rey não viu quando a Luana aparentemente abaixou a cabeça.
A garota apertou os dedos das mãos que ela colocou nas coxas, olhando para os saltos dourados de cinco centímetros que ainda grudavam lindamente nos pés dela.
Sem saber o que ela podia enfrentar no futuro, Luana respirou fundo.
Lembrando da mensagem da Madame Collins que escapou lindamente dos lábios da mulher de meia-idade, Luana endureceu o coração. Ela sabia que a Madame Collins não podia estar mentindo.
"Vem com o Sr. Rey Lueic, Luana. Eu vou achar a Beatriz logo e arrastar aquela filha da puta pra tomar o seu lugar como Sra. Lueic. Você não precisa se preocupar. Só aguenta mais um pouco, tá?"
Aquela frase tava cheia de incerteza, mas pelo menos tinha um pingo de esperança que a Luana tinha ali.
Embora ela não soubesse quanto tempo a Madame Collins ia levar pra achar a Beatriz, ela esperava que o pesadelo dela acabasse logo.
Ainda lutando com os pensamentos dela, Luana deu um pequeno suspiro quando o carro começou a sair do salão de casamento. Notando os convidados sorrindo com as mãos acenando no ar, Luana engoliu em seco.
Não tinha motivo pra eles ficarem ali porque ela não era a pessoa que deveria estar sentada naquele banco do carro agora. Ela não era a noiva. Ela não era a que devia dizer os votos de casamento.
Luana conseguia enxergar a figura da Madame Collins na multidão quando a expressão da mulher de meia-idade parecia irradiar preocupação com as mãos unidas na frente do peito.
Luana endireitou a cabeça, dando mais uma olhada pra ver a Madame Collins, quando o carro tava pra virar no final da rua pra sair do salão de casamento de vez.
Depois que o retrato da Madame Collins sumiu, Luana jogou o corpo dela no encosto da cadeira, segurando a cabeça pra segurar as lágrimas que já tavam enchendo os olhos dela.
Ela realmente não percebeu que o Rey - que agora era o marido dela - tava olhando pra ela com uma cara fechada e os olhos em brasa.
Zombando, o homem balançou a cabeça levemente, indicando que não gostava da Luana estar assim.
"Você tá chorando?!" Ele rosnou com força, apesar de manter a distância entre eles.
Luana engasgou.
Ela enxugou apressadamente as lágrimas que tinham caído por causa do piscar de olhos repentino, quando ela tinha a intenção de segurá-las por mais um tempinho.
Luana ficou em silêncio. Ela não tava ousando responder.
Rey se aproximou, apontando a mão direita pro queixo da mulher - a mulher que agora era oficialmente Sra. Lueic, a esposa legal do famoso Rey Lueic.
Rey puxou o queixo da Luana com um movimento bruto, e a Luana conseguiu sentir a dor no queixo por causa do aperto do homem de olhos castanhos.
"Não chora!" Rey rosnou mais alto dessa vez. Os globos oculares do homem tavam perfeitamente redondos, com uma chama pronta pra consumir a Luana agora.
"Você só pode chorar por mim, entendeu?!"
A garota engasgou, não esperando ser tratada assim mesmo quando o casamento não tinha nem uma hora. A Luana queria sair dali, mas ela sabia muito bem que não podia fazer nada agora.
Um segundo depois, Rey já tinha tirado a mão do queixo da Luana.
Como se estivesse com nojo porque tinha tocado nela. Uma mulher que ele não reconhecia, mas agora tinha que ficar por perto por um tempo desconhecido.
Rey não olhou mais pra Luana, quando a Luana tava se preparando agora.
Luana, você realmente pegou o caminho errado dessa vez.