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Rey tava *realmente* querendo morrer.
O número de celular que ele tava tentando ligar desde mais cedo não tava conectando de jeito nenhum, e isso fez o Rey achar que as esperanças dele tavam cada vez menores. Luana foi embora, e agora não dá pra achar ela. O que tava rolando de verdade?
A Luana tinha realmente planejado tudo isso antes?
Era por isso que ela não fez nenhuma pergunta quando o Rey pediu pra ela sair da mansão?
Porque ela tinha a intenção de ir embora desde o começo?
Luana, o que você tá fazendo comigo agora?
Olhando pro seu patrão que tava caído, Jovi deu um passo pra perto.
"Mestre."
Sem virar a cabeça, Rey ainda fixou o olhar pra baixo. Notando os pés dele embrulhados em sandálias caseiras, esperando que o que ele tinha acabado de ouvir fosse só uma mentira e não a real.
"Ela realmente foi, Jovi?" Rey perguntou depois de um silêncio longo. Rey, que ainda tava pra baixo no desespero, com o Jovi que também tava carregando a mesma culpa. Não, mesmo que isso não fosse culpa dele, mas ainda sim.
"O que aconteceu, Jovi?"
Jovi pigarreou baixinho, com as duas mãos juntas na frente da cintura.
"Ela não demonstrou nada, de jeito nenhum," Jovi contou a verdade. O cara não tava mentindo, considerando que a conversa casual dele com a Luana mais cedo parecia estar levando a mulher em uma direção positiva.
A Luana não devia ficar firme e ter fé no seu patrão?
"Eu falei que tinha que ir e se ela se importava, aí ela balançou a cabeça e disse que ia se virar sozinha," Jovi continuou. "Ela até disse que te desejava sorte com a Miss Beatriz, senhor."
Rey ficou sem palavras. A memória de como a Luana tinha pedido pra ele deixar ela ir quando eles tavam juntos só algumas dezenas de horas atrás rasgou o coração do nobre em pedaços.
Do jeito que foi, não importa o quanto o Rey queria que a Luana ficasse, na verdade a mulher escolheu ir embora. Deixando ele pra trás, deixando ele provar a solidão sozinho.
Ele agora se arrependeu de ter concordado com o pedido da Luana pra ir embora naquela hora, porque o Rey não esperava que ele fosse se apaixonar por ela.
A esposa substituta dele.
"Senhor." A voz de Jovi quebrou o silêncio de novo.
Rey não tinha se mexido nem um pouco, nem sequer um olhar pro secretário. Ele sabia que o Jovi tinha feito o trabalho dele bem.
"Você checou no hotel?"
Jovi balançou a cabeça. É claro que ele fez.
"Eles disseram que a Srta. Luana fez o check-out, sem deixar nenhuma mensagem," Jovi explicou os fatos como ele tinha. "E..."
Dessa vez o Rey levantou a cabeça, devagar. Deixando as íris azuis dele encontrarem as do Jovi, que ainda mantinha uma expressão neutra no rosto.
"E o quê?"
"Um funcionário viu a Miss Luana num carro azul metálico," Jovi disse. "Não era um táxi, mas um carro particular."
Um carro particular? De quem? Luana não tinha nenhum conhecido, além de...
O peito do Rey subiu e desceu enquanto ele agora tinha várias possibilidades passando pela cabeça dele.
Era a Valerie? Ou talvez... Pedro?
Os dentes do nobre rangeram quando o nome do Pedro veio à mente, porque ele sabia que era o único cara que dava tanta atenção pra sua esposa. O Pedro era realmente o responsável por tudo isso? Um nobre honrado como o Visconde era capaz disso?
"Descubra o paradeiro daquele cara, Jovi," Rey rosnou com as mãos cerradas com força. "Pedro Visconde."
Jovi não pareceu surpreso, já que ele já tinha testemunhado que o Pedro tava envolvido mesmo entre a Luana e o seu patrão.
"Sim, senhor."
"Tente rastrear o carro que levou a Luana," Rey ordenou de novo. "A qualquer custo, ela tem que voltar, Jovi."
Havia uma tonalidade de tristeza que agora predominava, já que Jovi não podia fazer nada além de balançar a cabeça. Ele faria qualquer coisa pelo seu patrão.
"Sim, Mestre."
Olhando fixamente, a íris do Rey penetrou no espaço de trabalho pouco iluminado. Pegando o celular que ele tinha ligado no modo de toque de novo, Rey olhou pra tela que mostrava os retratos dos dois rostos lá.
O retrato que ele ainda não tinha mostrado pra Luana, o retrato que eles deviam ter visto juntos meses atrás.
Jovi ia virar pra rastrear o paradeiro da Luana quando o som de uma notificação entrou no celular do seu patrão.
Pegando o celular com preguiça, Rey leu o conteúdo com a íris se movendo rápido.
Notificação do cartão: Caros Clientes, aqui está sua compra para o quarto superior no Pagoda Bay Hotel. Obrigado por ficar conosco.
A testa do Rey franziu quando ele viu a notificação, que não era dele de jeito nenhum. O som da porta fechando se tornou o fundo, enquanto o Rey arregalou os olhos e se sentiu como uma lufada de ar fresco.
"Jovi!" o grito do nobre encheu o quarto, seguido pelo Rey se levantando com um movimento decisivo. Correndo em direção à porta com pressa, o Rey ainda gritou alto.
"Jovi!"
Conseguindo parar o Jovi que ia sair com o carro dele da mansão magnífica, Rey entrou correndo no banco do passageiro. Sem dar atenção ao olhar confuso do Jovi, Rey colocou o cinto de segurança sem perder tempo.
"Pro Pagoda Bay Hotel, agora!"