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“Mare!”
Luana correu pros braços da Mare assim que os pés dela tocaram no asfalto.
A viagem que ela e Rey fizeram de Leipzig finalmente os trouxe de volta pra mansão, com a Mare e o Jovi esperando bem na frente da porta principal.
A serva designada pra atender pessoalmente a Luana de repente abriu um sorrisão, recebendo um abraço caloroso da mestra deles, que tinha acabado de voltar.
“Como você tá, Madame?” perguntou a Mare pensativa. “Gostou das férias?”
Rey pareceu conversar com o Jovi por um tempo, ainda não entrando na mansão porque ainda tava esperando o abraço da Luana acabar.
Afrouxando o abraço devagar, a Luana balançou a cabeça feliz.
“Tô bem,” ela respondeu simples. “Leipzig é mais frio que aqui, mas a paisagem é bonita. Da próxima vez, você tem que vir comigo.”
A Mare não conseguiu evitar um sorriso, feliz que a mestra deles tinha realmente voltado. Agora ela podia servir a Luana de novo, podia ser amiga da jovem de novo.
Olhando rapidamente pra Luana, o Rey ficou quieto enquanto observava como a esposa dele tratava a Mare. Alguém que era só uma serva, mas de alguma forma a Luana parecia familiar e gentil com ela.
Até que, sem o Rey perceber, teve um sentimento estranho que de repente entrou no peito dele.
Até agora, ele nunca tinha visto um nobre que gostasse tanto da própria serva. Porque os nobres realmente foram criados pra manter distância de castas diferentes das deles. Não é incomum encontrar nobres que agem arbitrariamente com os servos.
Mas a Luana parecia diferente.
Quanto mais o tempo passava, mais o Rey descobria como o comportamento da mulher era caloroso com todos que estavam envolvidos na vida deles.
Nunca a Luana levantou o queixo, em vez disso ela frequentemente se curvava pra dar respeito aos outros. E isso fez o Rey sorrir brevemente no canto dos lábios.
“Vem, Madame. Vou te levar pro seu quarto,” a Mare ofereceu, e a Luana concordou com um sorriso radiante.
Tendo dado uma olhada rápida pro Rey, a Luana sussurrou baixinho. “Vou entrar primeiro.”
Rey, que pareceu surpreso com essa frase, só conseguiu dar um “aham” em resposta. Porque a Luana e a Mare já tinham dado os passos, deixando ele com o Jovi, que ficou parado não muito longe.
Demorou alguns momentos pro Rey ter certeza que a Luana subiu as escadas, antes dele dar uma balançada de cabeça pro Jovi e entrar na mansão com o confidente dele.
***
Quase uma semana se passou depois que o Rey e a Luana voltaram pra mansão.
O Rey tava ocupado com os negócios, enquanto a Luana passava o tempo dela fazendo as atividades de sempre dentro da mansão.
Ser uma grande mestra nunca passou pela cabeça dela, por isso a Luana tava mais com a Mare e compartilhava histórias com outros servos.
O tempo dela era preenchido com leitura de livros, bordado e desenho. As três coisas que ela mais amava quando tinha folga na residência da Madame Collins.
Não pergunte como eles dormiram nesse tempo, porque o Rey tinha mandado o Jovi reformar secretamente o quarto principal que ele tava usando sozinho.
Foi por isso que o Jovi não foi pra Leipzig, já que ele tinha uma tarefa pra completar na mansão. Dividindo o quarto espaçoso em duas partições vagas, pra que o Rey e a Luana não precisassem dormir na mesma cama. Nem precisavam se sentir mal um pelo outro.
Até agora, só o Jovi sabe da porta extra no quarto do Rey. Até a Mare não sabe disso, porque a porta extra só vai ser aberta toda noite pela Luana.
O dia todo, ele vai estar no quarto lateral do Rey. Nenhum outro motivo a não ser não causar curiosidade, pros servos que por acaso entrassem lá.
Organizado dessa forma, os dois escolheram não misturar assuntos pessoais com assuntos de casamento.
Porque agora o que a Luana tava esperando era só uma coisa, que era a volta da Beatriz. Porque depois que a filha do patrão dela aparecesse, então ela podia ir o mais longe possível.
Até que, numa tarde, quando a Luana tava bordando um lenço, a Mare, que tava sentada na frente dela, de repente se levantou e curvou a cabeça.
A Luana percebeu que tinha alguém além delas ali, então ela olhou pra trás e encontrou o Rey já com a cintura amassada na frente dela.
Levantando-se apressadamente do sofá, a Luana cumprimentou ele, mesmo que o tom de voz dela fosse um pouco desajeitado.
“Você voltou?”