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[O Dia Anterior]
Um carro esportivo azul metálico se aproximou do prédio Der Beste.
Não era à toa que o homem ao volante estava indo para lá, pois tinha um encontro com uma mulher bonita naquela tarde.
A mão no volante se afrouxou lentamente, quando Pedro Visconde deixou seus braços fortes, adornados com tatuagens de várias formas, se tornarem de consumo público.
O nobre que havia fugido para a Indonésia alguns anos atrás para viver outra vida, agora estava de volta ao seu lugar.
De volta a Heidelberg, de volta à empresa, de volta à família e, o mais importante; agora ele estava enfrentando um casamento arranjado ridículo.
Depois de certificar-se de que o motor estava desligado e desabotoar o cinto de segurança, as pernas longas de Pedro tocaram o chão e caminharam desajeitadamente em direção à entrada.
Empurrando a porta marrom-clara com um empurrão decisivo, o lutador olhou ao redor da sala.
Seus olhos encontraram uma mulher com cabelos levemente avermelhados, sentada em uma grande poltrona e de frente para a tela de um laptop acesa.
Seus olhares se encontraram, seguido por um aceno da mulher que parecia estar conectada a uma ligação telefônica.
Dando um grande sorriso e sinalizando que precisava falar ao telefone por um tempo, Valerie pediu para Pedro se aproximar e sentar no sofá não muito longe de onde ela estava sentada agora.
Balançando a cabeça em sinal de que entendeu, Pedro continuou andando com as duas mãos enfiadas nos bolsos da calça. Seu olhar percorreu o ambiente, descobrindo que Valerie parecia estar sozinha no grande salão.
Momentos depois, o homem puxou uma cadeira para sentar bem ao lado de Valerie.
"Ah, algo assim", disse Valerie ao telefone. "Então você nunca se juntou a uma sociedade antes, senhora?"
Pedro tinha ouvido a conversa, mas já estava ocupado com o celular.
"Ok", disse Valerie novamente. "Na verdade, não estamos aceitando membros até o final deste ano. Mas Rouletta disse que alguém me ligaria, e era você."
Dois segundos de silêncio.
"Ah, não. Claro que você pode se juntar, Dona Luana. Ainda restam algumas vagas em aberto, e acho que você pode preenchê-las."
O movimento da mão de Pedro que rolava pela tela parou instantaneamente, assim que ouviu as palavras 'Dona Luana' no ar.
Era verdade o que ele acabara de ouvir? Era verdade ou era apenas ele fantasiando demais?
"Oh, ok." A voz de Valerie voltou. "Claro. Você pode vir amanhã à tarde, estarei no Der Beste das duas da tarde até as oito da noite."
Se Pedro não tivesse prestado muita atenção à conversa de Valerie com seu interlocutor do outro lado, então desta vez ele colocou seu radar auditivo em alta.
"Ok, então. Vejo você amanhã à tarde, Dona Luana."
Valerie pareceu desligar o celular, então virou a cadeira para encarar Pedro agora.
"Você realmente chegou, caro Sr. Visconde", Valerie o cumprimentou com um sorriso radiante. "Desde quando você está em Munique?"
Pedro retribuiu o sorriso, mas desta vez moveu sua cadeira para mais perto da mesa.
"Só ontem à noite", respondeu ele casualmente. "Como vai você, Val? Ouvi dizer que você sente minha falta?"
Valerie riu. O Pedro que ela conhecia desde a adolescência nunca mudou. Ele falava o que queria, independentemente de ser verdade ou não.
A proximidade de suas duas famílias podia ser considerada como a de irmãos, e talvez por essa razão seus pais pediram que os solteiros e solteiras simplesmente se casassem.
"Você não mudou, Ped", disse Valerie levemente. "Ouvi dizer que você estava em um estado asiático. O sol está brilhando lá?"
Desta vez foi Pedro quem soltou uma gargalhada, ao mesmo tempo em que ajustava sua posição sentada para ficar mais relaxado.
"Eu te disse que a Indonésia era linda, Valerie", disse ele. "Você deveria tentar visitar uma vez ou outra, e posso garantir que você vai se apaixonar pelo país."
Valerie tinha um olhar interessado no rosto, pois nunca havia pisado no país para onde Pedro havia fugido.
"A propósito, com quem você estava falando agora há pouco?"
Pedro não podia negar que sua curiosidade estava crescendo, especialmente depois que ouviu a palavra 'Lueic' antes.
Valerie deu uma olhada rápida na tela, antes de responder.
"Ah, isso. Rouletta disse que conheceu a esposa de um empresário e nobre de sucesso em Leipzig, mas a Senhora ainda não tem uma associação. Por isso, ela me deu o número do meu celular, e a Senhora acabou de ligar."
Pedro pareceu estar ouvindo atentamente, pois havia uma curiosidade que ele precisava resolver.
"Quem é ela? Talvez eu a conheça?" Pedro provocou.
Valerie pegou uma caneta e um pedaço de papel da mesa e escreveu o nome completo de Luana nele.
'Luana Lueic.'
"Nome bonito, não é?" elogiou Valerie com os olhos ainda no papel. "Ela parece uma pessoa legal."
Pedro não sabe o que o fez sentir dessa forma, mas Pedro claramente sentiu seu coração de repente bater mais forte.
Essa era ela.
A mulher que ele estava procurando até Munique estava realmente nas proximidades.
"Luana Lueic?" murmurou Pedro em meio sussurro.
Valerie virou a cabeça quando Pedro pronunciou o nome com seus próprios lábios.
"Você a conhece? O marido da Senhora é um dos empresários de maior sucesso em Munique, sabe? Sr. Rey Lueic", disse Valerie. "E seria uma grande honra para a Sociedade se a Madame Lueic realmente se juntasse a nós."
Pedro sorriu fracamente no canto dos lábios, com os olhos rolando lentamente.
'O mundo é tão pequeno, Luana. Achei que levaria meses para te encontrar, mas descobri que estou farejando seu perfume antes mesmo de pisar na cidade por 24 horas.'
"Você o conhece?"
Sem obter uma resposta de Pedro, Valerie perguntou novamente. Desta vez a mulher bonita se aproximou do lutador.
"Se você não o conhece, sugiro que faça uma apresentação", sugeriu Valerie. "Ele é uma das pessoas mais influentes da cidade, e talvez você possa estabelecer uma parceria comercial para acompanhar sua fuga."
Pedro sabia que Valerie tinha boas intenções para ele, mas por alguma razão ele não estava realmente interessado. A única coisa que manteve Pedro ali foi Luana, e ele não queria prestar atenção ao empresário de sucesso.
"Você comeu?" Valerie empurrou sua cadeira para trás, parecendo pronta para sair de lá. "Venha comer comigo."
Pedro fez um pequeno aceno de cabeça, assim que Valerie estava de pé agora. Levantando-se da cadeira em que estava, Pedro seguiu os passos de Valerie que balançavam firmemente primeiro.
Mantendo o ritmo com a mulher que deveria ser sua esposa, Pedro passou um braço pelos ombros de Valerie.
"Quando ela virá?" ele sussurrou.
Valerie deixou a mão de Pedro permanecer em seu ombro, realmente não se importando com tais questões.
Virando a cabeça brevemente, Valerie respondeu casualmente. "Amanhã, quatro horas da tarde."