26
Jovi ficou sem palavras. O cara só conseguia olhar, sem saber que frase dizer em resposta.
"Sabe, Jovi", Luana disse de novo. "Eu tava mesmo torcendo pra Beatriz voltar, pra eu poder vazar quando ela assumisse o lugar."
Jovi ficou em silêncio, sem esperar que a patroa falasse uma parada dessas pra ele. Ele não tinha ideia de quais eram as intenções da Luana, mas as palavras dela soavam tão sinceras, lá do fundo do coração.
"Você não deveria..."
Jovi nem tinha terminado a resposta, quando de repente um grito de homem pôde ser ouvido alto ao fundo.
"Minha esposa!"
De repente, os dois se viraram pra ver de onde vinha a voz, e tanto Jovi quanto Luana ficaram chocados com o que viram.
"Meu amor, já vou!"
Os passos do cara que gritou antes aceleraram, gritando algo incompreensível pra Jovi e Luana.
"Mestre?!"
Jovi engasgou quando percebeu que quem tinha causado a confusão era o chefe dele, que parecia estar andando com dificuldade.
Rey chegou perto.
Ele passou direto pelo Jovi, empurrando-o com uma mão, fazendo com que o assistente pessoal dele desse uns passos pra trás.
Jovi quase caiu, mas não podia fazer nada.
Rey chegou perto da Luana. A respiração do cara soava pesada, subindo e descendo irregularmente. Os olhos do Rey estavam fixos na Luana, que agora estava franzindo a testa porque não entendia o que estava acontecendo.
De repente o cara deu um sorriso. "Então você tá aqui, Madame Lueic?"
Luana, por reflexo, passou a mão na frente do rosto, bloqueando o cheiro forte de álcool que vinha da boca do marido.
"Você tá fedendo!" Luana exclamou sem querer. "Você bebeu?"
Ela elevou a voz uma oitava, quase enjoada com o cheiro inconfundível de álcool.
Se geralmente o Rey não curtia quando a Luana levantava a voz pra ele, dessa vez foi diferente, porque o cara deu uma risadinha baixa.
"Sabe que eu te amo, né?" o cara disse de novo.
Jovi ouviu as palavras do chefe dele meio que de canto, enquanto escolhia recuar devagar.
Poderia acontecer alguma coisa, e era melhor pra ele ficar de guarda a uma distância considerável no momento. Pra que o chefe dele tivesse um pouco de privacidade, pra não acabar virando o repelente de mosquitos da noite.
Luana franziu a testa ainda mais. Rey estava parado ali na frente dela, parecendo não ter a intenção de sair dali.
"Que porra você tá falando?!" retrucou Luana ainda falando alto. "Tá bêbado, é?!"
Quanto mais Luana falava, mais excitantes se tornavam os sentimentos borbulhando dentro do peito do nobre.
A luz da lua refletia a silhueta do rosto da Luana, que claramente estava olhando pro Rey com uma expressão de desgosto.
"Eu não tô bêbado", Rey argumentou rapidamente. "Eu procurei você em todo lugar, mas você tá aqui sozinha sem mim."
Luana engoliu em seco. Examinando os olhos do nobre, a mulher sabia que o Rey não estava em plena consciência.
O cheiro forte era a prova de que o Rey provavelmente tinha tomado uma boa quantidade de álcool.
O cara não estaria tagarelando assim, se não estivesse perdendo a cabeça.
Luana ainda não tinha falado nada quando Rey deu dois passos pra frente pra encurtar a distância.
O cara ficou bem no meio das pernas abertas da Luana, deixando a distância entre eles ainda menor.
Colocando o corpo em alerta, Luana inconscientemente recuou o corpo pra manter a distância.
"Por que você tá indo pra trás?" Rey sussurrou baixinho. "Você não disse que me ama também?"
A Luana tava respirando pesado naquela noite, agora que o cheiro de álcool tinha dominado completamente os sentidos dela.
Ela não sabia quantos copos de álcool o Rey tinha tomado, mas parecia que o cara precisava de ajuda. Porque o Rey tinha começado a delirar, porque o cara tinha começado a falar sem sentido.
"Jovi!"
Luana chamou o Jovi, esperando que o assistente pessoal do Rey viesse ajudá-lo.
Rey ergueu as sobrancelhas junto.
"Você acabou de chamar o Jovi?" perguntou o cara com uma voz irritada.
Sem se preocupar em responder à pergunta do Rey, Luana olhou pra trás pra checar onde tava o Jovi.
"Jovi?!" ela repetiu.
Mas não encontrou ninguém lá atrás, e agora eles eram os únicos no gazebo.
O coração da Luana disparou, imaginando como lidar com o Rey que provavelmente tava meio bêbado.
"Não chama outros caras!" rosnou Rey dessa vez, com as mãos se movendo rápido.
O cara juntou as mãos em volta das bochechas da Luana, prendendo o olhar dela no dele.
A respiração do Rey ainda vinha em soluços, e os olhos dele, afiados, estavam observando a Luana com atenção.
"Eu não sou suficiente pra você?" o nobre sussurrou. "Você disse que a gente se amava, não disse? Mas por que você me deixou e me largou assim?"
A Luana não sabia como reagir, já que essa foi a primeira vez que ela lidou com uma pessoa bêbada.
Infelizmente, essa pessoa era o Rey e parecia que reforços não viriam fácil.
"Responde!" Rey exclamou impaciente. "Você sabe o quanto eu te amo, né?"
A voz do cara soava triste e dolorida dessa vez, o que só fez a Luana piscar.
Esse cara na frente dela já tinha mostrado várias imagens diferentes, mesmo em apenas dois dias de contato.
Os olhos do Rey pareciam radiar decepção, com uma ferida bem visível. Em nítido contraste com como ele agiu durante o casamento deles, o cara parecia tão frágil como se estivesse carregando um fardo pesado agora.
"Eu te amo", Rey sussurrou de novo. "Como esse oceano, eu só te amo."
A Luana não conseguiu evitar quando o Rey simplesmente encurtou a distância entre eles de novo, já pousando os lábios dele bem nos dela.
A mulher engasgou de surpresa, sem esperar que o Rey fizesse isso com ela. Mas os lábios do Rey já estavam passeando pelos dela, provando como eram doces os lábios rosados da garota.
A Luana tentou soltar o aperto, quando os sinais no cérebro dela avisaram que aquilo não era a coisa certa a fazer.
Mas de novo, a força do Rey não era páreo pra dela. As duas mãos do nobre ainda seguravam o rosto dela, impedindo que ela fosse mesmo um centímetro pra longe do Rey.
Com a brisa soprando, Rey se inclinou pra aprofundar o beijo. O calor só fluiu, pois agora a paixão do cara parecia ter tomado conta.
Rey se moveu rápido pra subir no corpo da Luana, empurrando a garota com força pra que a Luana estivesse, sem saber, deitada no chão do gazebo coberto.
Aí o Rey abriu espaço pra eles respirarem, e a Luana engasgou com os olhos perfeitamente dilatados.
"Mestre!" a mulher exclamou. "Acorda! Por favor, me deixa ir!"
Mas os gritos da Luana não foram mais altos que o som das ondas quebrando, que de alguma forma conseguiu abafar o barulho que ela tava fazendo.
"Não grita, amorzinho. Só vai sugar suas forças antes mesmo de a gente começar", Rey respondeu de forma dominadora.
O cara já tava no limite dele.
Mais perto da Luana, o Rey não se importou com como a Luana implorou pra ele sair da posição atual.
As feridas abertas, a profunda decepção e o excesso de álcool fizeram com que o Rey não reconhecesse mais quem ele realmente era.
"Eu não vou te deixar ir", Rey sussurrou de novo, fazendo o possível pra segurar a Luana que ainda tava tentando se rebelar do lado dele.
"Eu não vou te deixar ir, nem um pouquinho. Porque desde o começo, você só era minha."
A Luana não conseguia respirar direito quando o Rey enterrou a cabeça no vão do pescoço dela.
Cobrando-a de beijos, o Rey deixou a Luana fraca. Sem conseguir dizer uma palavra, quando os lábios do nobre trancaram os lábios dela de novo.
A Luana se encolheu, ainda tentando se libertar do aperto do Rey que tava ficando mais forte a cada segundo.
'Por favor, não faça isso', a Luana murmurou em silêncio. 'Porque isso não tá certo, porque eu não deveria estar aqui.'
\ Quanto mais a Luana tentava escapar, mais forte o Rey a mantinha sob o controle dele.
Até que os dois estivessem respirando pesados juntos depois de outro beijo longo, o som dos fogos de artifício sendo lançados no céu foi uma testemunha silenciosa do par de filhos de humanos que ainda estavam pressionados um contra o outro.
Mordendo a parte de cima da orelha da Luana com a paixão que já tinha subido, o Rey começou a sussurrar baixinho de novo. Revelando o vestido que a Luana tava usando, o Rey realmente não ia recuar mais.
"Você não vai conseguir escapar de mim. Nem ontem, nem em nenhum momento."
E a luz que brilhava no céu acompanhou como o Rey pegou o que era dele por direito como marido, tornando-se o dono completo da vida e do corpo da Luana.
O cara entrou na Luana com movimentos gentis, mas firmes, sem perceber que a mulher estava armazenando e lembrando dos eventos dessa época nos recessos mais profundos do coração dela.
Suportando a dor que ela tinha sentido pela primeira vez, a Luana, inconscientemente, derramou lágrimas que caíram sem ser chamadas.
O corpo dela estremeceu repetidamente, forçado a aceitar a presença do Rey ali.
Enquanto os fogos de artifício continuavam queimando, a Luana sentiu como o coração dela foi impiedosamente cortado e rasgado naquele momento.
Não porque ela não queria cumprir seu dever como esposa, mas porque o Rey veio até ela e a considerou outra pessoa.
O coração da mulher pulsava de dor, porque cada palavra que o Rey disse antes não foi destinada a ela.
Porque de novo não era ela, que deveria ser o lugar para o qual o cara voltasse.