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Se a Luana e o Rey estavam se divertindo no Leipzig Grande Hall, então tinha alguém do outro lado do mundo.
A mulher prendeu o cabelo loiro bem alto, deixando a maquiagem óbvia atuar como um escudo para um rosto que já era bonito de nascença.
Junto com o batom cor de blush em seus lábios grossos, com um cigarro preso entre as mãos.
O sol ainda brilhava forte lá fora, mas parecia que ela estava pronta para aproveitar o mundo. A bela música de jazz vinda de um dos cafés da cidade passou lentamente por seus ouvidos, e ela inconscientemente balançou o corpo ao ritmo.
"E aí!"
Uma palmadinha gentil pousou no ombro da Beatriz, quando uma mulher não menos bonita do que ela chegou. "Você esperou muito?"
A Beatriz olhou para cima primeiro, antes de dar uma sacudida firme.
"Não, eu acabei de chegar", ela disse animada. Seus globos oculares examinaram a outra pessoa que acabara de puxar uma cadeira na frente dela, então estreitou os olhos lentamente.
"Ah, meu Deus, Mona! Olha só essa camisa!" exclamou ela em voz baixa, com uma expressão um pouco surpresa no rosto que era muito forçada.
A mulher chamada Monalisa parou reflexivamente seus movimentos, então revirou os olhos para a Beatriz com um olhar incompreensível.
"Por quê?" ela perguntou com um olhar confuso nos olhos, sem realmente sentir nada incomum. "Minhas roupas estão na moda, sabe!"
A Beatriz só conseguiu balançar a cabeça, escolhendo dar uma tragada profunda em seu cigarro.
"Você está tão fora de moda, minha amiga Monalisa", a Beatriz zombou. "Eu tenho que ficar em Sidney por mais tempo para sua moda melhorar?"
A Mona não pareceu dar ouvidos à provocação da Beatriz, porque era exatamente isso que uma de suas melhores amigas dizia. Apesar de serem melhores amigas há muito tempo, elas são realmente duas personalidades diferentes. Não só em gêneros, mas também na moda.
Se a Beatriz prefere cores vibrantes com um estilo muito 'feminino' para ser sua identidade, então a Mona se apaixonou por um estilo um pouco moleque.
Combinar uma camiseta com uma jaqueta ou moletom se tornou sua marca registrada, e de alguma forma conseguiu fazer com que a Mona parecesse bonita à sua maneira.
"Não precisa!" disse a Mona rapidamente. Ela puxou uma cadeira e sentou nela logo depois. "Você deveria voltar para Munique, Beatriz, não gastar tempo e dinheiro aqui."
Se era a Mona quem não se importava, então desta vez parecia que a Beatriz não se importava com o que sua amiga acabara de dizer.
O cigarro que ela estava fumando enquanto esperava a Mona estava quase no fim, quando ela decidiu apagá-lo no cinzeiro.
Seus dedos delicados se moveram rapidamente, com unhas que também eram adornadas com esmalte vermelho brilhante.
"Sem brincadeira", a Beatriz zombou novamente. "Eu me dei a todo esse trabalho para escapar, e você está me dizendo para voltar. Sério!"
A Mona estava se acostumando a esse tipo de conversa, pois estava hospedando a Beatriz em Sidney há mais de cinco dias.
Embora surpresa da primeira vez que sua melhor amiga lhe deu a notícia, a Mona não pôde fazer nada quando a Beatriz pediu que ela ficasse de boca fechada.
Erguendo as mãos no ar, a Mona fez um gesto para chamar a garçonete do café. Depois de deixar um homem jovem de cabelo curto anotar o pedido, a Mona falou de novo.
"Pense no que eu vou dizer", ela disse. "Pense bem, foi sua decisão deixar o 'Unicórnio' do Rey Lueic a certa?"
A Beatriz fez uma careta, olhando preguiçosamente para a Mona que a estava observando seriamente.
"O Unicórnio?!" exclamou a Beatriz com os olhos arregalados. "Sério!"
Uma risada escapou dos lábios da noiva do Rey, seguida pelo movimento de seus dedos girando o conta-gotas na bebida. Ela havia pedido uma bebida antes, enquanto esperava a chegada da Mona.
"Ele é um unicórnio!" a Mona levantou um pouco o tom. "Você ainda não se recuperou, Beatriz? Ou você tem que ficar bêbada repetidamente antes de perceber que o que você está fazendo é uma perda de tempo?"
A Beatriz ainda parecia não estar interessada, pois a expressão em seu rosto ainda não mostrava interesse.
"Você quer saber por que eu chamo o Rey de 'O Unicórnio'?" perguntou a Mona desafiadoramente.
A jovem Miss Collins apenas riu, com os lábios perfeitamente franzidos. "Diga-me."
A Mona ajustou sua posição sentada, como se o que ela quisesse dizer fosse de fato um assunto muito importante.
"Você abandonou um Rey Lueic, sem nenhuma razão aparente", disse a Mona diretamente. "Escolhendo fugir para Sidney e deixando para trás o homem que poderia te dar qualquer coisa em todo o mundo."
A Beatriz revirou os olhos, mas a Mona já estava de volta à sua voz.
"Ele é como um unicórnio, um animal desejado pelas deusas por sua pureza e beleza", disse a Mona novamente. "Agora o Rey é 'O Verdadeiro Unicórnio', porque ele é bonito, rico, da alta realeza e está com o coração partido por ser abandonado."
Não satisfeita ainda, a Mona deixou sua voz falar.
"E veja quem o deixou tolo?" perguntou a Mona sarcasticamente. Suprimindo deliberadamente o tom de voz na palavra 'tolamente', ela estava tentando fazer com que alguém percebesse agora.
"Você!" apontou a Mona bem na cara da Beatriz. "Você, que tenho certeza que vai se arrepender de tudo mais tarde!"
A Beatriz exalou profundamente, empurrando rapidamente o dedo indicador da Mona para longe de seu rosto.
Parecia que a mulher estava começando a pensar um pouco agora. O movimento de seus dedos com unhas vermelhas pausou por um momento, quando ela agora ergueu a cabeça para encontrar o olhar da Mona.
"Você não sabe por que eu o deixei", disse a Beatriz, tentando encontrar uma defesa.
A Mona bufou em aborrecimento.
"Seja o que for, eu não me importo!" ela retrucou rapidamente. "Seja qual for o motivo de você ter deixado o Rey, eu não posso aceitar. Porque você realmente perdeu uma oportunidade de ouro, Bea-trice-Col-lins!"
A Beatriz havia planejado manter em segredo as razões que a levaram a fugir no dia anterior ao casamento.
Ela realmente não se importava com o julgamento de ninguém, pois achava que era ela quem viveria a vida da esposa do Rey Lueic. A decisão do Rey de manter seu relacionamento em segredo ainda era o maior obstáculo no coração da Beatriz.
"Agora diga!" implorou a Mona novamente. "Tente, quero ouvir a razão pela qual você deixou o tesouro vivo para trás."
A Beatriz caiu na gargalhada, achando engraçado para cada comparação que a Mona jogava sobre o Rey. Falar sobre o homem fez com que a Beatriz de repente sentisse falta de seu amante, pois agora ela começou a se perguntar o que o Rey estava fazendo agora.
O Rey ficaria bravo com ela? Ou o Rey está tristemente esperando que ela volte?
Pegando o conta-gotas para tomar um gole rápido de sua bebida, agora era a vez da Beatriz falar.
"Ele me pediu uma coisa impossível depois do nosso casamento", ela disse cuidadosamente. Finalmente, ela decidiu revelar a razão pela qual estava se contendo.
A Mona fez uma cara séria, enquanto erguia suas orelhas de radar bem alto.
"Ele me pediu para carregar seu filho", disse a Beatriz novamente. "Assim que o casamento fosse realizado. Porque seu pai estava doente, e ele realmente queria cumprir o pedido de seu pai para carregar o herdeiro do clã Lueic antes de morrer."
Os globos oculares da mulher rolaram, como se estivessem examinando qual resposta a Mona daria a ela.
Mas a Mona ainda esperou, sua expressão calma com alguns piscares. A Beatriz franziu a testa, olhando para a Mona com um olhar estranho.
"Por que você não está fazendo nada?" ela repreendeu.
A Mona franziu a testa em resposta.
"O quê mais?" ela perguntou. "Ele te pediu para carregar o filho dele, e daí?!"
A Beatriz encolheu os ombros.
"Só isso", ela respondeu rapidamente. "É um pedido difícil para mim, porque eu nunca pensei em ter filhos. É por isso que é melhor eu fugir, até que ele retire o pedido por conta própria."
A Mona bateu reflexivamente na mesa, exalando com uma fúria que parecia ter persistido. Os olhos da moleca se arregalaram, seguidos por uma sacudida incrédula da cabeça para sua melhor amiga.
A sua melhor amiga estúpida.
"Nossa, Beatriz!" exclamou a Mona meio irritada. "Essa sua desculpa... Não faz sentido!"
A Beatriz mordeu o lábio inferior, pegando o sinal de que a Mona não parecia estar na mesma frequência que ela.
"Você não entende, Mona", disse a Beatriz enquanto se recostava na cadeira. "Ele está pedindo um filho. Filho, Mona, filho! O que significa que eu tenho que engravidar, passar por enjoos matinais e mudanças corporais, carregar aquele feto comigo por nove meses e, em seguida, arriscar minha vida para trazê-lo ao mundo!"
A Mona cerrou os dentes impacientemente, prestes a abrir a boca, mas a Beatriz já estava a caminho.
"Eu não estou pronta!" disse a Beatriz com firmeza. "Eu vou perder minha vida, e a gravidez pode mudar meu corpo. Só de pensar nisso me dá calafrios, e você sabe que eu não nasci para ser dona de casa."
Todas as palavras de xingamento que estavam na ponta de sua língua foram agora engolidas inteiras, pois a Mona registrou claramente tudo o que a Beatriz acabara de dizer.
Escolhendo respirar primeiro, a Mona sabia que era tarde demais para consertar as coisas. Afinal, a Beatriz havia fugido completamente, até mesmo cortando toda a comunicação com parentes e familiares em Munique.
A voz da Mona desapareceu novamente, quando uma garçonete acabara de servir bebidas em sua mesa.
Movendo-se rapidamente para tomar um gole do líquido azulado, a Mona deixou sua respiração escapar enquanto suas emoções evaporavam.
"Tudo bem", disse a Mona desta vez. "Eu aceito seu raciocínio, porque não acho que ter filhos seja um assunto simples."
A Beatriz endireitou-se novamente, agora com um sorriso ao receber uma lufada de ar fresco da Mona que parecia entendê-la.
"Certo?" ela perguntou alegremente. "Você concorda comigo?"
A Mona não acenou com a cabeça, mas também não balançou a cabeça. Na verdade, esse assunto poderia ter sido discutido pela Beatriz e pelo Rey de uma boa maneira, mas, mais uma vez, era tarde demais para isso.
A própria Mona não deu conselhos que não pudesse fazer, porque não se sentia apropriada e pronta para ter um filho.
"Até quando você vai desaparecer assim?" perguntou a Mona finalmente. "Você não disse que o Rey estaria te procurando?"
A Beatriz sorriu ainda mais, mostrando suas fileiras de dentes brancos e limpos. Em linha com sua altura esbelta, a mulher também tinha um nível de confiança muito alto.
"Ele definitivamente vai vir", disse a Beatriz sem hesitar. "Pode levar um pouco mais de tempo, já que cortei toda a comunicação e rastros de mim. Mas tenho certeza que ele vai aparecer no seu apartamento em breve."
A Mona tomou outro gole de sua bebida, notando como a Beatriz parecia tão confiante desta vez. No fundo, ela também esperava que as palavras de sua melhor amiga se tornassem realidade.
Um garçom se aproximou de sua mesa novamente, desta vez colocando dois pratos contendo espaguete com carne e bife de frango.
A Beatriz já havia pegado seu garfo, parecendo impaciente para encher sua barriga roncando.
Enquanto a Mona ainda observava a mulher do canto do olho, ela orou em silêncio em seu coração.
"Espero que o Rey esteja te procurando, Beatriz. Espero. Que ele não encontre outra mulher e peça que ela carregue seu filho. Tomara que não."