Capítulo 141
Eu não esperei a Levy se virar e me notar. Meus pés começaram a me levar em direção a ela numa velocidade que ia quebrar o recorde mundial. Admito que foi bem impulsivo da minha parte me jogar na situação sem um plano. Estávamos em público; a mulher podia muito bem gritar que foi estupro e as pessoas iam começar a olhar pra gente. Levy sabia todos os meus movimentos. Ele basicamente treinou comigo desde que eu comecei a lutar.
Era uma luta difícil de ganhar, mas só um soco seria o suficiente pra eu me sentir satisfeita.
"Tamara, corre!" Levy gritou pra ela quando se levantou pra me parar, mas eu não tava nem um pouco a fim da merda dele. O nome dela nem era de verdade. Essa vadia fajuta.
"Ah, hoje não, seu babuíno gordo!" Eu gritei pra ele, chutando ele direto nas bolas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Eu me movi em volta da Levy e fui direto pra cima da vadia falsa.
"Sua vadia desgraçada!" Eu gritei pra ela. Puxando meu braço pra trás e balançando com toda a força que eu tinha, garantindo que eu socasse ela com tudo.
Ela caiu no chão e eu sentei em cima dela, prendendo ela no lugar enquanto eu me preparava pra liberar toda a minha fúria acumulada nela.
"Sua vadia falsa do caralho! Até o seu nome é falso! Tem alguma coisa em você que seja de verdade?" Eu gritei, socando ela sem parar até que me acertassem na lateral da cabeça e eu caí pra fora de cima da ‘Kiara'.
Eu tava tão ocupada batendo na ‘Kiara' que esqueci completamente da única regra que o Bryant me fez memorizar como se fosse os dez mandamentos. Algo que eu nunca fiz durante nenhuma luta antes. Nunca vire as costas pro seu oponente.
A Levy estava parada em cima de mim. Através da dor da minha cabeça latejante, eu não pensei duas vezes antes de varrer os pés dela e rolar pra longe. Eu não chequei se ela caiu ou não.
Eu olhei pra Kiara e estreitei os olhos pra ela, "Eu não acabei com você," eu rosnei pra ela. Pra minha surpresa, ela sorriu pra mim.
"Você não consegue fazer merda nenhuma, querida." Eu quase avancei nela de novo quando a Levy me parou, ficando entre nós e me lembrando que eu estava em desvantagem numérica. Meus olhares passearam entre as duas antes de me abaixar pra pegar minha sacola de sorvete.
Minha adrenalina me deixou, e eu tava desenvolvendo uma dor de cabeça lascada por causa do soco que eu levei. Eu tentei afastar isso até chegar em casa.
Eu andei pra trás, não cometendo o mesmo erro duas vezes, deixando nenhuma delas fora do meu campo de visão, até que eu estivesse a uma distância segura. Eu mantive meus ouvidos abertos, caso elas corressem atrás de mim e tentassem me emboscar durante a minha caminhada pra casa.
Eu não tava preocupada que elas fossem me seguir até onde eu moro. Elas provavelmente já sabiam onde eu moro, já que o Dom é o chefe delas e tudo mais. Pelo menos meus bebês de sorvete saíram ilesos daquela cena. Eu olhei pra minhas roupas, bom, isso com certeza tava bagunçado. Eu notei a sujeira e a grama que ainda estavam grudadas na minha camisa enquanto eu tentava escovar o que ia sair. Quando finalmente cheguei em casa, eu troquei pra um pijama limpo e abri um dos potes de sorvete.
Eu tava tentando olhar pro lado bom das coisas. Eu alternava entre comer uma colherada e usar o pote pra cuidar do galo que tava se formando na lateral da minha cabeça.
Bom, pelo menos eu vou ter a chance de ficar com o Adam agora. Não tem como eu recuar depois de descobrir a verdadeira identidade da Kiara.
Eu devia tentar ser artística e começar a pintar os rostos das pessoas que eu odeio em todos os meus sacos de pancada. Isso com certeza ia ajudar a tirar a raiva do meu sistema da próxima vez que eu recorrer à violência pra me acalmar.
Em outra nota, acho que aquele encontro mais cedo substituiu o meu aquecimento pro treino de hoje à noite. As semifinais estavam acontecendo em três dias e eu queria estar pronta pra isso. Não tinha como eu me deixar perder agora. Eu já estava tão perto da minha saída dessa vida. Eu não vou estragar essa.