Capítulo 155
Dei nele um soco na têmpora pra tirar a atenção dele da barriga, pra poder dar outro soco lá, e funcionou.
Quando ele parou de proteger o lugar que eu ia chutar, me abaixei e joguei meu punho no mesmo lugar de novo.
Eu tava tão focada em acertar o lugar certo que nem vi o pé dele vindo na minha direção, direto pra minha barriga.
"Sua vaca!" Ele rugiu quando o pé dele conectou direto com a minha barriga que tava latejando e eu voei pra trás, escorregando no chão do ringue, me encolhendo toda pra cuidar do meu roxo.
Porra, isso doeu!
Quando ouvi ele vindo, tentei me levantar o mais rápido possível, mas fui lenta demais. Ele me pegou e me puxou pelo cabelo, que tava amarrado num rabo de cavalo.
"Você vai pagar," Cole rosnou enquanto o punho dele acertava minha barriga de novo, me fazendo ofegar violentamente. A dor tava me cegando e eu tava sentindo a cabeça leve.
Por instinto, meus pés começaram a chutar pra todo lado quando ele continuou puxando meu cabelo pra me deixar de pé. Acertou a canela dele e ele xingou alto, a mão dele no meu cabelo afrouxando.
Aproveitei a chance pra dar outro soco na barriga dele que tava roxa.
"Se foda," eu cuspi enquanto corria pra ele e pulei o mais alto que pude, caindo nos ombros dele e derrubando ele comigo, meus pés enrolando no pescoço dele e eu apertei a tranca que minhas pernas faziam nele enquanto ele ofegava e começava a arranhar minhas pernas.
Apertei os dentes contra a dor que veio com o Cole me arranhando com as unhas, só fez a minha determinação aumentar, fortalecendo a minha chave no pescoço dele.
No segundo em que senti o Cole ficar mole, soltei imediatamente e saí de perto rastejando.
Um cara correu pro ringue e checou o pulso do Cole rapidinho. Quando ele fez um sinal pro apresentador, soltei o ar que eu tava segurando.
Ele tá vivo.
Foi uma jogada arriscada começar a estrangulá-lo assim, mas ele não me deu outra escolha.
Com certeza eu não era a Viúva Negra pro Hulk dele, isso é certeza.
O apresentador correu pra me anunciar a vencedora enquanto o Cole foi levado na maca. Foi aí que finalmente prestei atenção na plateia. Quase não notei, mas tinha ficado mortalmente silenciosa quando teve a possibilidade de eu ter matado o Cole com aquele golpe final.
Quando o apresentador terminou de anunciar que eu era a vencedora da noite, corri pelas escadas, pra longe do ringue.
Me afastei do ringue até que os aplausos da galera fossem fracos o suficiente pra eu conseguir ouvir meus pensamentos.
Meus sentidos voltaram com tudo quando fui pro vestiário, onde deixei minha mala. Comecei a mancar levemente, porque minha perna doía, de onde eu dei uma joelhada no Cole na cara e chutei ele umas 20 vezes.
Minha barriga doía ainda pior depois dos abusos e da pressão que passou. Senti lágrimas se juntando no fundo dos meus olhos quando a dor começou a me dominar, depois que o efeito da adrenalina passou.
Como diabos eu ia sobreviver às finais?
Mas eu tinha que ir. Pela família do Cole.
Foi estranho que eu quase matei o cara, faziam poucos minutos, e agora eu tava pensando em como eu deveria ganhar essa competição por ele.
Devo ter levado uma porrada na cabeça em uma das minhas primeiras lutas.
Suspirei pra mim mesma, me abaixando pra pegar minha mala e me contorcendo quando me endireitei. Coloquei a mala no banco e tirei minha garrafa d'água, bebendo tudo de uma vez.
Comecei a tirar o kit de primeiros socorros que trouxe na mala. O sangue que saía dos meus ferimentos já tinha secado, mas eu queria ter certeza de que não ia infeccionar.
Um ferimento infeccionado não vai ajudar em nada agora. Minha próxima luta provavelmente seria no próximo fim de semana.
Essas competições podem ser perigosas, mas eles queriam entretenimento para os espectadores. Eles não eram sensatos o suficiente pra não dar tempo aos lutadores de se recuperarem da surra anterior.
Enxuguei o suor com a toalha que eu trouxe e comecei a limpar meus ferimentos dos arranhões antes de trocar de roupa, colocar uma jaqueta de couro e algumas calças jeans. Guardei minhas roupas sujas numa sacola plástica e coloquei de volta na minha mala.
Ainda tava organizando minhas coisas, tentando encontrar as chaves da minha bicicleta, quando ouvi a porta abrir e rapidamente me virei pra encarar.
Não importa quantas vezes eu já estive aqui pra lutar, eu não achava que ia conseguir me sentir confortável ou segura com todos esses estranhos perigosos andando por aí.
No entanto, a pessoa que vi na porta era alguém muito familiar.
"Adam?" Perguntei, incrédula.