Capítulo 7
Uma guria foi encostada nos armários e não era ninguém menos que a Maddison, que a encurralou. Ela tava usando óculos com armação grossa e tremia de medo, as mãos não paravam de tremer enquanto ela as segurava perto do peito e seus olhos estavam arregalados como pires atrás dos óculos. Medo tava escrito em todo o rosto dela e ela se encostou com tanta força nos armários que parecia que tava tentando encolher em um deles e se esconder lá para sempre.
Maddison tava com uma daquelas suas encaradas famosas enquanto avaliava a guria. “Cadê minha pulseira, sua vaca!”
Meus olhos arregalaram com a pergunta dela, quando as peças se encaixaram. O Bryant deu uma pulseira pra Maddison quando eles ainda estavam juntos e ela amava tanto aquela pulseira, que nunca tirava.
Eu ia me lembrar, eu ajudei o Bryant a escolher na joalheria no dia anterior que ele deu pra ela. Se essa guria realmente pegou aquela pulseira, ela tá mesmo pedindo um enterro antecipado. Todo mundo sabe pra não tocar, muito menos encostar.
Ouvi uma risadinha atrás de mim e virei meu olhar pra fonte, vendo um par de idiotas tentando segurar a risada enquanto assistiam tudo acontecer. Foi aí que vi algo brilhando sob a luz do sol.
Meus olhos estreitaram no objeto e vi um dos pingentes familiares que o Bryant escolheu naquele dia. Meus olhos se voltaram pro garoto que botou a joia desaparecida no bolso e eu dei pra ele um olhar acusador, meus olhos virando fendas.
Esses caras acharam que ia ser engraçado mexer com algo que meu irmão deixou pra alguém que ele amava e botar a culpa em uma coitada que não sabe de nada.
Eu sabia que devia ter mantido minha imagem de nerd fraca, mas algo naqueles dois caras explodiu algo em mim e me fez ir pra cima do cara e agarrá-lo pela gola, atrás do pescoço, e arrastá-lo com força pra fora da multidão e empurrá-lo na frente da Maddison.
“Deixa a guria em paz, Maddison.” Apesar de eu não ter gritado nem berro pra ela, meu tom foi forte o suficiente pra chamar a atenção dela.
“Revista os bolsos dele, você vai achar sua pulseira”, eu ordenei antes de virar meu olhar pra guria e olhar pra ela sem expressão. Não demorou muito pra ela sair correndo dali e ir em direção à saída da escola.
Quando olhei de volta pra Maddison, o rosto todo dela tava vermelho beterraba e seus olhos estavam mascarados com fúria completa. Ela agarrou o cara pela gola e o forçou a ficar em pé direito. “Como ousa”, Ela não precisou levantar a voz pra fazer o cara saber que ela tava muito puta. Ele começou a gaguejar, mas a única coisa que se ouvia era o eco do famoso tapa na cara da Maddison.
Olhei pra longe e me virei pra sair, mas uma mão pegou meu pulso. Meus reflexos entraram em ação e, antes que eu percebesse, me torci e tirei a mão dele do meu pulso, segurando a dele em vez disso.
Quando percebi o que fiz, soltei a mão como se tivesse me queimado e encarei o cara. Merda, ele vai suspeitar de algo.
E, claro, os destinos me odeiam tanto que decidiram deixar que o cara fosse ninguém menos que alguém que eu tava tentando evitar.
Adam.
Eu fuzilei a mão dele e imaginei como seria se eu pudesse ter olhos de laser. Ele não soltou, pelo contrário, apertou um pouquinho mais a mão. Se não estivéssemos na escola e ele soubesse do meu segredo, eu provavelmente teria dado um chute nele, mas, infelizmente, essa não era uma opção.
Levantei meus olhos pra encontrar os dele depois de alguns minutos de silêncio, uma das minhas sobrancelhas tava levantada pra perguntar pra ele silenciosamente o que ele quer. Ele pareceu estar fora de si por alguns minutos, mas depois de um momento, soltou meu pulso, dando um passo pra trás pra me dar um espaço muito apreciado.
“Eu queria te pedir pra ir a uma festa na sexta, como meu par.”
Minhas sobrancelhas subiram. É assim que eles pedem as garotas em encontro hoje em dia? Mamãe sempre falava sobre o papai ir na casa do vovô antes de levar ela pra qualquer lugar. Onde foi parar aquela cavalaria?
“Não.”
Ele não pareceu surpreso. Bem, considerando que não estávamos em bons termos em primeiro lugar, ele não podia esperar o contrário.
O rosto dele virou um de determinação e pegou meu cotovelo antes de me arrastar pra fora dali e pra um canto deserto.
Eu fuzilei tanto pra ele. Por que, por que olhares não podiam matar? Ia ser muito bom pra mim. Inclinei minha cabeça pra cima, gemendo levemente antes de encará-lo e lançar pra ele o olhar mais ameaçador e estalar.
“Por que você não pode simplesmente me deixar em paz?” Eu sussurrei pra ele, duramente.
Ele sorriu maliciosamente pra mim e vi seus olhos brilharem com travessura, o que ele está aprontando aqui?
Estreitei meus olhos desconfiada, “Isso é algum tipo de piada ou um teste que você tem que passar antes de entrar na panelinha popular?”
Ele pareceu franzir a testa e ficou confuso, “O quê?”
Quando eu dei pra ele um olhar vazio, ele balançou a cabeça e tentou me convencer a ir com ele de novo. “Vamos, vai ser divertido.”
Eu suspirei e olhei nos olhos dele. “Isso vai te impedir de me incomodar de novo?”
Ele sorriu quando percebeu que podia ter uma chance. “Só se você quiser”, ele desviou com malícia.
Eu bufei, ganhando uma risada dele. Eu gemi quando percebi que minha mente tinha feito sua própria escolha. Eu tenho uma grande sensação de que isso não vai dar bom, mas não pretendo fazer mais nada mesmo. Eu geralmente fico em casa e faço uma maratona de filmes enquanto como sorvete, então acho que uma festa não faria mal.
“Eu não vou te deixar sair daqui até você dizer sim”, ele acrescentou como uma provocação.
Eu estalei a língua pra expressar minha irritação com ele e fuzilei levemente através dos poucos fios de cabelo que caíram na frente do meu rosto.
“Tudo bem, eu vou”, eu suspirei, cedendo.
Ele socou o ar empolgado e eu tive que reprimir um sorriso de aparecer e estendi meu dedo indicador pra pausar sua mini dança da vitória.
“Com uma condição.”
O sorriso dele não vacilou com minhas palavras e ele apenas ficou me encarando esperançoso, como se nada que eu dissesse fosse derrubar o ânimo dele. “Eu posso usar minhas roupas do dia a dia.”
Ele sorriu e estendeu a mão pra mim, “Fechado.”
Apertei a mão dele e saí da escola, balançando a cabeça levemente. Que merda eu me meti dessa vez?