Capítulo 86
Saindo do carro, ignorei as reclamações e perguntas da Monic. Lembrei do que o Preston me disse e foi o suficiente pra me convencer que esse não era o Adam que a gente conhecia.
"Jake, dirige e não olha pra trás", eu disse pra ele, firme. Ele me olhou como se eu fosse louca.
"E a vo-" Eu fechei a porta do carro antes que ele pudesse fazer outra pergunta e dei uma olhada que fez ele virar o carro e ir embora.
Esse cara não era meu Adam e eu não ia deixar ele machucar ninguém que eu amo.
Ele tava atrás de mim, então eu sabia que a Monic e o Jake estariam seguros, contanto que não estivessem perto de mim.
Eu estreitei os olhos pra ele, encarando o homem na minha frente com raiva.
"O que você quer?" Eu perguntei pra noite, sabendo que ele podia me ouvir alto e claro.
Eu tava machucada e, se ele fosse brigar comigo, eu ia perder em um nanosegundo. Mas o Bryant sempre me disse que, se eu fosse cair, era pra cair de cabeça erguida e lutar até me botarem de joelhos.
Então era exatamente isso que eu ia fazer. Lutar com ele, mesmo sabendo que o resultado não ia ser bonito.
Ele tinha uma vantagem sobre mim. Ele tava usando o rosto do homem que eu amo. Mesmo que eu quisesse machucá-lo, meu coração não ia deixar, porque tudo o que eu via era o cara de quem eu gosto.
Mas ele não se lembra de mim. Pra ele, eu era a pessoa que matou a mãe dele; e isso com certeza não ia impedir ele de me machucar.
Ele começou a andar mais perto, mas eu não me movi do meu lugar. Meus pés continuaram grudados no chão; em parte por causa do choque e em parte por causa da minha lesão, que tava me impedindo de me mover livremente.
Um movimento errado e ele vai notar. Não que alguma coisa indicasse que ele não assistiu minha luta mais cedo. Isso ia fazer meus esforços pra esconder minha lesão serem inúteis, já que ele ia ter visto o meu lado ser chutado duas vezes.
Ele ia mesmo te bater?
Parecia que sim durante o jantar. O Adam não teria coragem de encostar em uma dama, mas de novo, esse não era o Adam e eu não era exatamente uma 'dama'; o que era uma pena porque eu tava claramente no lado perdedor dessa luta e isso é horrível pra mim.
Ele continuou andando pra frente até estar a poucos metros de mim, me observando com um brilho indescritível nos olhos.
"Há quanto tempo você tá aqui?" Eu respondi friamente, como se eu não estivesse prestes a apanhar do meu próprio "namorado", se é que eu podia chamá-lo assim.
Ele não respondeu. Ele finalmente parou de se aproximar quando a distância entre nós era pequena o suficiente pra permitir que a gente se visse claramente.
Era doloroso, olhar pra ele assim. Na primeira olhada, você podia não notar aquela pontada de ódio nos olhos dele, mas se você olhasse mais de perto, você ia ver que tava praticamente queimando por dentro. Eu podia sentir meu corpo me pedindo pra dar um passo pra trás pra criar uma distância segura.
Com essa proximidade, não ia demorar muito pra ele me dar um soco. Com meu corpo todo doendo, um movimento brusco ia me causar mais dor do que eu podia esconder.
Eu tava rezando pra um pouco daquela adrenalina voltar, mas não conseguia reunir energia suficiente pra fazer isso acontecer.
"Por que você fez isso? Por que você matou ela?" Eu balancei a cabeça pras perguntas dele.
"A questão é que eu não fiz!" Eu gritei, irritada. Essa parada de 'acusar a Casey de cometer assassinato' tava me dando nos nervos muito rápido. Isso é idiota.
"Não ouse mentir, eu te vi!" Ele gritou pra mim, com o punho balançando. Meus olhos arregalaram antes de eu me abaixar rapidamente, rangendo os dentes pra evitar gemer de dor.
Pelo jeito não ia encostar em uma dama, né? Mas acho que pode ter um argumento válido aqui. Nenhuma dama estaria nesse lugar, lutando nessa competição amaldiçoada, em primeiro lugar, de qualquer jeito.
"Eu não sei o que você viu ou como você viu algo que nunca aconteceu, mas eu nunca, em nenhuma vida, machucaria sua mãe. Eu respeitava sua mãe." As palavras sobre nosso relacionamento antes do acidente estavam na ponta da minha língua, mas eu as engoli. Não ia adiantar nada mesmo que ele ficasse sabendo.
"Bem, você não a respeitou o suficiente pra não matá-la." Ele rugiu, com as mãos voando e os dedos se enrolando no meu pescoço, cortando meu suprimento de ar.